Em 2016, o Palmeiras viveu um primeiro semestre atribulado. Não demitiu o técnico Marcelo Oliveira porque ele conquistou o título da Copa do Brasil, em uma atuação magnífica na última partida. O rendimento, porém, não melhorou. Veio Cuca, mas a Libertadores foi para o relo. O novo técnico não titubeou: cravou que o Palmeiras seria campeão brasileiro. Os meses passaram e o título acabou confirmado. Em 2017, o roteiro é parecido. Os primeiros meses foram titubeantes com o técnico Eduardo Baptista, que durou quatro meses e foi demitido. Voltou Cuca. Só que a Libertadores ainda está na mão e o Brasileirão batia à porta. Desta vez, não teve promessa de título, só de trabalho. A estreia, porém, foi digna do favorito que o time é: 4 a 0 sobre o Vasco neste domingo.

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O futebol do Palmeiras era passível de críticas. O time oscilava ótimos momentos com outros péssimos. Inclusive no mesmo jogo. A mudança que se viu em campo na (re) estreia de Cuca no banco de reservas foi um time muito mais intenso do que no período com Baptista. O Palmeiras foi voraz, ávido e também cometeu erros defensivos que eram comuns ao Palmeiras do início do Brasileirão de 2016. Quando os erros se tornaram um risco ao time, na temporada passada, Cuca tornou o time mais seguro, o que custou o futebol ser menos encantador, mas ainda muito efetivo.

No final da gestão de Baptista, Borja chegou a perder a vaga no time titular na sua última partida no comando da equipe, contra o Jorge Wilstermann. O colombiano de fato não vinha bem, mas ele errou na mexida ao tirar Willian da posição que vinha rendendo, no lado do campo, para centralizá-lo. Cuca tratou de desfazer isso imediatamente. Na semana da estreia no Brasileirão, falou em dar força a Borja e sequência ao colombiano. Disse que ele tinha que jogar sem medo de ser substituído. O que aconteceu no Allianz Parque indica que isso teve um impacto positivo. Foram dois gols de Borja, que deixou a camisa 12 de lado e passou a vestir a camisa 9, sua favorita, que pertencia a Alecssandro, liberado para jogar pelo Coritiba.

Dudu, outro jogador que vinha jogando abaixo do que se viu em 2016, foi participativo e sofreu dois pênaltis na partida em jogadas individuais. Tchê Tchê, que reclamou sobre o seu posicionamento – e chegou a ir para o banco em alguns jogos com o ex-treinador – teve uma excelente atuação, por vezes jogando na lateral direita, invertendo a posição com Jean. Era uma movimentação comum no começo do último Campeonato Brasileiro.

Cuca trouxe a intensidade do Palmeiras de volta. Aproveitou a fragilidade do Vasco, que perdeu uma chance claríssima para deixar o jogo aberto e complicar o Palmeiras e acabou goleado por um time que é claramente muito superior. Um sinal amarelo para a nau vascaína já na primeira rodada. Não é para desespero, mas é para ficar de orelha em pé.

O torcedor do Palmeiras esperava um time diferente daquele de Eduardo Baptista. Não na escalação, mas no jeito. A intensidade demonstrada já seria suficiente para mostrar algo diferente, mas os quatro gols e uma goleada logo na estreia já encheram a barriga do palmeirense. O sonho já é o bicampeonato. Essa pressão que o time parecia sentir quando jogava Libertadores terá agora no Brasileiro também. Mas a presença de Cuca parece amenizar isso.

Pitacos da primeira rodada do Brasileirão

Outros favoritos iguais

Quem abriu o Campeonato Brasileiro foi o jogo entre Flamengo e Atlético Mineiro, no Maracanã. Um jogaço, que acabou empatado por 1 a 1 e mostrou de um lado Matheus Sávio, uma promessa, marcando um gol (sem querer, é verdade) e Elias, medalhão contratado pelo Atlético, marcando um golaço com uma boa participação de Fred e Robinho.

Um resultado normal para dois times tão fortes, ainda que tenha havido um ou outro jogador poupado. Os dois times têm força e o próprio jogo mostrou isso. Destaque para a estreia de Vinícius Júnior no segundo tempo. Aos 16 anos e com a camisa 20 às costas, ele foi bastante aplaudido pelos torcedores. Como era esperado, não conseguiu fazer muito em campo durante os 10 minutos que jogou.

Corinthians e Chape iguais

O Corinthians mostrou o que se esperava, um time sólido, mas não saiu de campo completamente satisfeito. Contra a Chape, ficou no 1 a 1 na Arena Corinthians. Não foi um jogo ruim, embora o resultado não tenha sido o esperado. O temor para este Corinthians é justamente em jogo como esse e o resultado dele: os empates.

Bahia a toda

Que estreia do Bahia! Um 6 a 2 surpreendente sobre o Atlético Paranaense. Com o time embalado, ainda tem a Copa do Nordeste para vir com tudo e tentar faturar mais um título. A empolgação é forte no Tricolor Baiano, mas é preciso ir aos poucos. Quem volta da segunda divisão precisa ir pisando com cuidado para não correr riscos.

Na lâmina do Ceifador

O Fluminense era outro time pelo qual se tinha expectativa na estreia do Brasileiro e foi atendida. O bom time armado por Abel, ofensivo, fez um jogo interessante na manhã de domingo. Venceu o Santos por 3 a 2, com dois gols de Ceifador, mostrando boa presença de área e boa cobrança de pênalti, e Sornoza dando categoria. O Santos ainda não encontrou a melhor forma neste ano, o que é preocupante para quem tem um time que, em tese, poderia ser candidato ao título, mesmo sem o elenco (e grana) de Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro.

Macaca selvagem

A derrota na final do Paulista ficou para trás. Depois disso, a Ponte Preta já se classificou na Copa Sul-Americana e estreou no Brasileirão passando o carro sobre o bom time do Sport. Venceu muito bem por 4 a 0 e animou o seu torcedor. Para a Ponte, o mais importante é primeiro garantir a sua permanência para, em seguida, pensar mais para cima.

Mano respira

No duelo de dois técnicos pressionados, Mano Menezes acabou levando a melhor. Venceu com um gol em uma falha da defesa do São Paulo, o que não foi novidade. Mesmo com desfalques, o Cruzeiro soube fazer algo que o seu técnico aprecia: tirou espaços. Marcou bem, se posicionou e foi perigoso. O Cruzeiro foi melhor, mas foi um jogo equilibrado. Destaque para Alissson, mas todos os jogadores do time tiveram uma boa atuação.

São Paulo segue com problemas

O São Paulo teve a bola. E teve problemas. De novo. Os erros continuam frequentes, na defesa e no meio campo. A escalação teve mudanças, com o time jogando em um 3-4-2-1. Éder Militão foi a novidade fazendo a zaga, com Thiago Mendes na ala direita em vez do meio-campo. Sim, isso mesmo. Algo que ficou difícil de entender, sendo que ele é o melhor meio-campista do time nos últimos jogos. Outra novidade foi Marcinho, escalado no ataque ao lado de Cueva, com Pratto à frente. O rendimento do time segue muito abaixo do que se espera. Cueva, antes principal jogador do time, parece não ter voltado dos 17 dias de treino.

Ô, juizão!

Um dos jogos do domingo à noite foi entre Avaí e Vitória. Dois times que, em tese, terão que se preocupar primeiro com a rabeira do que com o meio e topo da tabela. À parte o jogo não ter tido bola na rede (ao menos a que vale de fato gol). O que chamou a atenção foi um lance absurdo de pênalti não marcado. Aos 36 minutos do segundo tempo, Junior Dutra, do Avaí entrou na área em velocidade e tomou uma tesoura de Renê. Pênalti claríssimo. O árbitro Felipe Gomes da Silva ignorou. Erro grave.

Grêmio com força

O tricolor estreou muito bem em casa contra um adversário duríssimo, o Botafogo. Jogou melhor, fez 2 a 0 e venceu com todos os méritos. O gol irregular de Luan – desviou com a mão o chute de Ramiro – não invalida a ótima atuação do time de Renato Portaluppi.

Aula de humildade do Fogão

Jair Ventura, ao contrário de Rogério Ceni, não usou os números para justificar a derrota. Parabenizou o rival e disse que ter mais posse de bola no segundo tempo não significou nada, porque o time chegou pouco ao ataque. Ressaltou que a vitória gremista foi merecida. Uma aula de humildade e que não faz de trouxa quem assista ao jogo.