Quando um jogador de futebol profissional chega aos 25 anos sem ter disputado uma partida de primeira divisão, tem poucas opções em mãos. Pode aceitar o seu destino e ganhar a vida com salários baixos, em campos acidentados e com poucas chances de grandes glórias. Pode pedir a conta e aproveitar o resto da juventude para se preparar para outra profissão no futuro. Ou pode mudar o rumo da sua carreira. Luis Reyes esteve próximo de pendurar as chuteiras quando recebeu a chance de atuar pela equipe principal do Atlas. E no último sábado, estreou na Copa das Confederações com a camisa da seleção mexicana.

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Reyes tem uma trajetória singular. Revelado pelo Atlas, foi várias vezes emprestado para o Unión de Curtidores, Loros de Colima, Estudiantes de Altamira e Tampico Madero, pelo qual disputou a final da Terceirona, um ano atrás. Todos esses clubes são de divisões inferiores, e Reyes nunca teve a oportunidade de medir o seu talento com a elite do México. Até finalmente ganhar uma oportunidade no Atlas com o técnico José Guadalupe Cruz. E aí, tudo mudou.

“Valorizo muito estar aqui porque quebrei pedra na segunda e na terceira divisão”, afirmou Reyes, depois de jogar 51 minutos contra a Rússia, na terceira rodada da fase de grupos da Copa das Confederações, entrando no lugar do machucado Diego Reyes. “Quando tive a oportunidade de voltar ao Atlas, sabia que não podia deixar passar. Eu comecei a jogar aos 25 anos (na primeira divisão), minha história foi muito diferente em relação aos meus companheiros. Há uns anos, me passou pela mente a aposentadoria, mas minha família sempre me apoiou para seguir em frente e hoje estou muito agradecido por isso”.

Reyes fez sua primeira partida na elite do México em 16 de julho de 2016, no empate por 1 a 1 com o Toluca. Com Guadalupe Cruz, passou de volante para lateral esquerdo e jogou 15 das 17 partidas do Apertura, no último semestre do ano passado, e mais 19 no Clausura. E a chance veio mais ou menos por acaso: seu técnico no Tampico foi auxiliar de Guadalupe Cruz e o recomendou quando o técnico assumiu o Atlas.

“A história de Reyes é a seguinte”, conta Guadalupe Cruz, de acordo com o AS mexicano. “O técnico que dirigia o Tampico era Mario García, que foi meu auxiliar no Atlante. Ele me falou de três jogadores do Atlas emprestados. Tive uma semana para observar os jogadores e tinha a recomendação de Reyes, Nava e Delgadillo. O que me chamou a atenção foi Reyes por ser canhoto, pela posição e porque tecnicamente eu o vi bem. Nós, como técnicos temos duas opções: uma é comprar jogadores porque parece que seja garantia de sucesso. A outra, que eu gosto, é colocar jovens mexicanos e não me treme a mão em fazer isso. Não penso no fracasso porque essa fórmula me deu resultados”.

O desempenho de Reyes não passou despercebido por Juan Carlos Osorio. Ganhou sua primeira chance em fevereiro, para um amistoso contra a Islândia. Estreou em jogos competitivos sendo titular contra Trinidad e Tobago, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, e depois encarou Honduras. A possibilidade de atuar em várias posições, como lateral esquerdo, volante ou mesmo meia esquerda, agrada um técnico como Osorio, que gosta de variações táticas. “Na primeira convocação, não me caiu a ficha até que coloquei o uniforme de concentração da seleção. E hoje em dia, compartilhar vestiário com essas figuras do futebol europeu é algo que eu só podia fazer nos videogames e agora é um sonho realizado”, disse, também segundo o AS.

Reyes realizou o seu sonho e o do avô que está doente e ficou muito feliz quando soube que o neto havia sido convocado para a seleção mexicana. “Eu estava falando com ele no momento e comentei que queria colocar o seu sobrenome no lugar mais alto possível”, contou, ao Publisport. “Meu avô tem problemas de próstata, está com muitas complicações. Está melhorando, mas continua um pouco grave. Isso é uma motivação extra. Graças a Deus eu cumpri o seu sonho de me ver na primeira divisão e agora estou a poucos dias de que me veja com a camisa da seleção”, completou, antes mesmo de estrear pela Tri.