Em setembro do ano passado, a coluna criticava a demissão do técnico brasileiro PC Gusmão do comando do Marítimo após apenas cinco jogos. “Ainda que a maioria dos torcedores não aprovasse o trabalho de PC Gusmão, a falta de convicção da diretoria ao contratar um técnico sem experiência alguma no futebol português e demiti-lo somente três meses e meio depois não pode ser ignorada. Apostas assim, no escuro, podem custar muito caro ao clube”, encerrava o texto, citando o então recém-contratado Daniel Ramos e uma dúvida sobre o trabalho que se iniciava.

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Quase um turno inteiro do Campeonato Português aconteceu de lá para cá e provou que a diretoria do Marítimo estava certa e a coluna, errada. O novato Daniel Ramos, em sua primeira passagem na divisão de elite do futebol lusitano, tirou o time das últimas colocações e o colocou com chances de sonhar com uma vaga na Liga Europa da próxima temporada.

A derrota de PC Gusmão que esgotou a paciência dos diretores maritimistas aconteceu no dérbi contra o Nacional: 2 a 0. Jogo que se repetirá na próxima rodada, dia 20 de fevereiro, agora com os dois clubes em situações completamente distintas. Os 18 pontos que os separam são a maior diferença já registrada na história entre os rivais na primeira divisão (o Nacional, inclusive, está na zona de rebaixamento).

PC Gusmão foi embora com apenas 20% de aproveitamento (uma vitória e quatro derrotas) e deixou para trás problemas de adaptação e relacionamento, especialmente com a torcida. Por isso, o trabalho de Daniel Ramos começou por dar confiança ao grupo.

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Mas, resolvida a questão psicológica, o que se destaca no trabalho do treinador são a solidez ofensiva, a capacidade que o time tem de encarar de igual para igual todos os adversários – incluindo os grandes clubes – e a força atuando em casa. Com Ramos no comando, o Marítimo somou oito vitórias, cinco empates e três derrotas. Nos duelos com os gigantes, ganhou do Benfica, empatou com o Sporting e perdeu para o Porto. Atuando como mandante, o técnico está invicto na Liga Portuguesa: seis vitórias e dois empates.

Os números provam como o sucesso da campanha maritimista passa pelo seu bom sistema defensivo. A equipe tem a terceira melhor defesa do Campeonato Português, com 16 gols sofridos em 21 jogos. A média de 0,7 gol por jogo só é maior que as de Benfica e Porto. Desde que Daniel Ramos chegou, foram nove gols sofridos em 16 partidas, incrível média de 0,5 por jogo.

Boa parte dos méritos pela aposta no treinador recai sobre Briguel, ex-jogador da equipe, que agora trabalha no departamento de futebol do clube. Foi ele quem teve a ideia de tirar Daniel Ramos do Santa Clara, da segunda divisão, justamente por já conhecer a fama do treinador em arrumar defesas.

A aposta deu certo. O time já soma 32 pontos, o que praticamente o garante livre de qualquer risco de rebaixamento. Mais do que isso, o atual sexto lugar permite começar a sonhar em entrar na zona de classificação para a Liga Europa. E a diretoria mostrou que, apesar de à primeira vista não parecer, não estava fazendo uma aposta no escuro.