A Bélgica esteve muito longe de disputar a Copa do Mundo de 2010. Os Diabos Vermelhos contavam com bons jogadores, mas nada que chamasse tanto a atenção. Não por menos, ficaram apenas com a quarta colocação em seu grupo nas Eliminatórias, atrás de Espanha, Bósnia e Turquia. A partir de agosto de 2010, deram início a um novo ciclo em busca do Mundial após 12 anos. Georges Leekens era o técnico que acabara de chegar à seleção, apostando em alguns novatos naquela convocação. Entre eles, Kevin De Bruyne.

Dá para dizer que a derrota por 1 a 0 para a Finlândia, em Turku, foi um dos primeiros momentos em que a “ótima geração belga” começava a ser gestada. Romelu Lukaku era outro que tinha uma de seus primeiras aparições na seleção e foi titular naquela partida. Curiosamente, os dois garotos mantiveram o entrosamento para decidir a grande partida desde que essa equipe foi formada, a épica vitória por 2 a 1 sobre os Estados Unidos.

De Bruyne atuou em intensidade impressionante por 120 minutos. Foi o dono de um meio-campo de muita movimentação, ajudando o rápido ataque escalado por Marc Wilmots a fluir. Eram de seus pés que saíam a maioria dos passes de qualidade para Hazard e Mertens arrancarem pelas pontas, para Origi tentar vencer Howard dentro da área. Ficou melhor ainda quando Romelu Lukaku entrou. Porque De Bruyne tinha um parceiro de força e definição para, enfim, implodir os Estados Unidos.

A Bélgica finalizou 39 vezes na partida, um recorde nesta Copa. Dessas, 16 nasceram a partir do camisa 7: De Bruyne finalizou seis vezes e deu 10 passes para chutes de seus companheiros – o maior número em Copas do Mundo desde 1982. Primeiro, anotou o primeiro gol. Depois, serviu para Lukaku matar o jogo, mesmo que o time americano nunca tenha se entregado. Uma senhora atuação do garoto que acabou de completar 23 anos, potencializando o jogo vertical dos belgas.

Há quatro anos, De Bruyne tinha acabado de terminar sua primeira temporada como titular do Genk, que levaria ao título belga no ano seguinte, em uma equipe que também contava com Thibaut Courtois. O jovem tem uma carreira nos clubes bem mais oscilante do que muitos de seus companheiros. Nunca foi aproveitado pelo Chelsea, embora tenha se destacado na Bundesliga por Werder Bremen e Wolfsburg. Independente disso, coube a ele ser o motor para concretizar todas as promessas sobre a seleção belga. E deve sair da Copa do Mundo com ainda mais moral.

Wilmots terá algumas dúvidas para escalar a Bélgica nas quartas de final, contra a Argentina. Lukaku foi mais decisivo que Origi, mas a fluidez do ataque dependeu bastante de seu centroavante titular. No entanto, a liberdade a De Bruyne deverá ser mesmo decisiva. Por mais que os volantes americanos tentassem acompanhá-lo, o camisa 7 encontrava um espaço para aparecer. Ao lado de Tim Howard, foi a estrela daquele que talvez seja o melhor jogo desta Copa.