Caíque saiu como vilão na derrota do Vitória para o Internacional, no jogo de ida entre os dois clubes pela Copa do Brasil. A culpa do jovem goleiro era evidente, ao ceder o segundo gol aos colorados nos minutos finais. Se pouco antes o arqueiro havia feito uma defesa monumental, em chute de Nico López que ia em direção ao ângulo, ele errou bisonhamente em lance bem mais fácil. D’Alessandro cobrou falta sem muita força e as mãos do rubro-negro não foram suficientemente firmes, engolindo a derrota por 2 a 1. Um frangaço que poderia marcar a carreira do garoto, não fosse a chance de redenção que surgiu nesta quinta-feira, contra o mesmo Inter. E no Barradão, os pênaltis foram a deixa para que Caíque terminasse o confronto como herói. Depois da vitória baiana por 1 a 0, a disputa seguiu à marca da cal. Pois ele pegou duas cobranças, garantindo o Leão da Barra na próxima etapa do torneio.

Goleiro com moral nas categorias de base, inclusive passando pela seleção sub-20, Caíque teve aparições esporádicas no Vitória ao longo dos últimos anos. Ganhou um pouco mais de espaço durante as ausências de Fernando Miguel, mas, nas últimas semanas, assumiu a titularidade por opção técnica de Vágner Mancini. E, apesar da falha gritante no Beira-Rio, o jovem de 20 anos manteve o moral com o comandante. Mancini deu um voto de confiança, independentemente do frango. Quando muitos esperavam a volta de Fernando Miguel, o garoto permaneceu na posição para a estreia do Brasileirão, contra o Flamengo.

“Caíque está arrasado porque tomou um gol que normalmente não tomaria. Ele está chateado, mas a gente tem que entender que faz parte. Temos que apoiar o goleiro. A gente tem que abraçar o jogador e oferecer a confiança necessária”, justificou Mancini. Já nesta quinta-feira, veio a chance de refazer eu nome. O Vitória recebeu o Inter no Barradão e Caíque seguiu no 11 inicial. Apesar de todas as críticas que recebeu, conseguiu dar a volta por cima e mostrar trabalho.

Ao longo dos 90 minutos, Caíque se saiu bem quando exigido. Logo no início do jogo, fez duas defesas em sequência, evitando o primeiro gol do Inter. Aos 35 da segunda etapa, o Vitória abriu o placar com Neílton, cobrando pênalti. E os colorados não se classificaram com bola rolando porque, mais uma vez, o goleiro rubro-negro salvou. Aos 40, Camilo soltou uma bomba em cobrança de falta e o garoto saltou no cantinho para espalmar. Com a diferença mínima a favor do Leão e o empate no placar agregado, a definição ficou para os pênaltis.

A marca da cal é a maior indulgência do futebol aos goleiros. É o sinal que tira toda a culpa e concede a graça da santidade, caso alcancem a bola. Foi o que Caíque conseguiu. Na segunda cobrança colorada, deu um bocado de sorte diante do péssimo chute de Nico López, que veio ao seu encontro. E depois que Marcelo Lomba parou Nickson, o arqueiro rubro-negro voltou a deixar seu time em vantagem, espalmando o tiro de Gabriel Dias. Seria o suficiente para o triunfo do Vitória por 4 a 3, assegurando a vaga na próxima fase.

“No jogo do Inter, lá, o próprio torcedor do Vitória me chamou de mão de alface. Antes, eu não sabia absorver críticas. Agora, isso só me motiva. Daquele jogo para cá, recebi confiança do treinador, dos companheiros e de parte da torcida, isso me ajudou. No jogo passado eu fui vilão, o frangueiro. Hoje eu saio como herói. Obrigado ao torcedor que me criticou e agora está me aplaudindo”, declarou, na saída de campo.

Caíque tem seu potencial. É um goleiro com vários atributos interessantes, como sempre demonstrou nas categorias de base – ainda que cometa erros em suas decisões, seja por excesso de confiança ou afobação. Entretanto, quando teve espaço no profissional, viveu altos e baixos. Ganhar sequência e créditos, como oferece Mancini, é importante para o amadurecimento do garoto. E uma redenção como a experimentada nesta quinta-feira ajuda forjar caráter. Agora, Caíque precisa manter o foco e fazer valer suas palavras. Manter os pés no chão, aprender com as oportunidades e, quem sabe, tornar-se o grande goleiro que tanto se prometeu.