Durante muito tempo, a lateral esquerda foi uma preocupação para a seleção argentina. E era um problema que vinha desde muito antes de Alejandro Sabella assumir a Albiceleste. A aposentadoria de Sorín deixou uma lacuna no setor desde o final da Copa de 2006. Muitos foram testados por ali, outros tantos zagueiros improvisados. Para o Mundial de 2014, a solução de Sabella foi Marcos Rojo. Mesmo assim, o técnico tentou encontrar outro nome para o setor. No entanto, o defensor do Sporting era mesmo quem inspirava mais confiança. Para ser a grande surpresa da Argentina na competição.

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Rojo vai demonstrando uma personalidade enorme na Copa do Mundo, a despeito da desconfiança. É o melhor defensor da Argentina na competição. Tem se saído muito bem na marcação, fechando o lado esquerdo da defesa. E vem sendo essencial no apoio. Não à toa, já marcou um gol e participou diretamente do tento que abriu o placar contra a Bósnia. Em um duelo tenso com a Suíça nas oitavas de final, só não foi mais decisivo do que Di María e Messi.

A opção tática de Sabella abriu o caminho para Rojo se sobressair. Com Ricardo Rodríguez sendo bem mais ativo pelo lado esquerdo da defesa suíça, o treinador inverteu o posicionamento de Di María, para marcar as subidas do lateral. Com isso, Rojo também teria que apoiar mais, ajudando na ligação com Lavezzi. Por isso mesmo, o camisa 16 fez muitas jogadas de linha de fundo, ainda que fossem mal aproveitadas por seu ataque. E também teve a chance de abrir o placar, exigindo boa defesa de Diego Benaglio.

O equilíbrio que Rojo dá ao lado esquerdo da defesa da Argentina tem sido essencial. Até para liberar Di María quando cai pelo setor e conter os ataques adversários. Outra vez, ele se saiu bem melhor do que Pablo Zabaleta do outro lado do campo, mesmo precisando segurar as subidas de Lichtsteiner e Xhaka por ali, além das escapadas de Shaqiri quando este saia do centro. O lateral acabou sendo substituído na prorrogação, mas apenas porque tinha ido além de seu limite físico.

E se a dúvida com Rojo se tornou certeza depois de quatro jogos da Copa, volta a se tornar preocupação para as quartas de final. Independente da gravidade da lesão que o tirou do fim do jogo, o lateral já estaria fora da próxima partida por receber o segundo cartão amarelo no Mundial. Uma ausência que poucos imaginariam tão sentida. E que fará Sabella ter que quebrar novamente a cabeça na tentativa de chegar à semifinal.