por Leonardo Caetano, de Sochi (RUS)

Já notaram que está na moda ser chato? Que está na moda lascar hashtags não vai ter isso, e não vai ter aquilo? Ainda pior, está muito na moda se cogitar – como se fosse algo possível de se fazer por pura determinação – não torcer pelo Brasil na Copa.

GUIA DA COPA DO MUNDO 2018

Devo confessar, que eu também andava de nariz torcido para o futebol e para a seleção. Não por nenhuma crença político partidária e, muito menos por não gostar do velho esporte das botinadas. Muito pelo contrário. Mas o fato é que a mega exposição (digital ou não) dos atletas e as cifras milionárias de seus contratos estavam me cansando um pouco. Tudo muito blasé. Tudo muito grande. Muitos rapapés para uma coisa que devia ser simples.

São só 11 marmanjos correndo atrás de uma bola. Afinal de contas é só futebol, e o que isso pode significar?

Nada.

Porém, por força de um trabalho venho acompanhando a seleção brasileira desde sua apresentação no Rio de Janeiro. Meu itinerário já passou por Teresópolis, Londres, Liverpool, Vienna e Sochi (onde estou agora), e se completará em um tour de mais de 30 dias pela Rússia, em busca da sonhada sexta estrela na amarelinha.

Assisti aos recentes amistosos do Brasil e a todos os treinamentos da seleção bem ao lado do campo, E pude perceber a mais banal das verdades: a despeito de todo o glamour, são apenas jogadores de futebol tentando ganhar um jogo. Sentado à beira do gramado, literalmente, pude observar as expressões, cochichos e gestos dessa turma. Não os vi milionários ou influenciadores digitais. Os vi, apenas, como garotos que tentam marotamente ganhar mais um jogo de futebol.

Pequenos gestos ensinando a evitar uma falta ou pedindo aquela bola metida de três dedos. Vi as trocas de olhares cúmplices e as trocas de pontapés inconsequentes, como em qualquer jogo de várzea. E acima de tudo, vi muita vontade de vencer. Não de vencer a Copa, que claramente é o objetivo máximo e óbvio de todo o grupo, mas vi muita vontade de ganhar aquela bola. Aquele lance. Aquele jogo, e isso sim é futebol!

De alguma forma, essa paradoxal conexão entre a maior seleção do mundo e as coisas mais simples do esporte, me convenceram, reacendendo minha paixão pela Copa do Mundo. Se assim de perto eles são tão normais, o que pode ser mais importante do que 11 marmanjos correndo atrás de uma bola? Afinal de contas é só futebol, e o que isso pode significar?

Tudo.