O Pinheirão faz parte de tempos megalomaníacos do futebol brasileiro. Em uma na época na qual não importava quão moderna seria a arena, e sim quantas dezenas de milhares cabiam nas arquibancadas, o estádio paranaense era candidato a ser o segundo maior do mundo, atrás apenas do Maracanã. O projeto inicial do Pinheirão, concebido na década de 1950, previa capacidade para 180 mil torcedores. A obra faraônica nunca foi tão grande como se imaginou. E hoje, não passa de um gigante inútil.

Já são mais de seis anos com os portões fechados, desde o dia 30 de maio de 2007. Depois de tanto tempo longe das multidões, longe da bola, o Pinheirão ganhará um novo rumo. Mas sem futebol. O empresário João Destro comprou o estádio em 2012, em um leilão judicial. Quitou todas as pendências do gigante em outubro. Com o nome limpo na praça, deverá desaparecer. A área de 124 mil m2 será aproveitada para um condomínio residencial ou uma arena para shows, como conta a reportagem de André Pugliesi, na Gazeta do Povo.

O descaso transformou o Pinheirão em ruínas. Tudo bem que o estádio nunca chegou a ser o que se prometia. Mas foi um palco importante para o futebol paranaense. O projeto de 180 mil lugares foi reduzido para 127 mil, quando os planos começaram a sair do papel, em 1968. A falta de recursos só permitiu que o primeiro anel das arquibancadas fosse construído – o segundo, que garantiria a maior parte da capacidade do estádio, foi levantado em apenas um pequeno trecho, como mostra a foto.

Modesto, mas ainda assim imponente, o Pinheirão finalmente foi inaugurado em 1985, não abrigando mais do que 44 mil pessoas num mesmo evento. Durante quase três décadas de utilização, foi casa do Paraná e do Atlético Paranaense durante determinados períodos, assim como também abrigou bons momentos para a torcida do Coritiba. Seu momento mais célebre aconteceu pouco menos de quatro anos antes de sua morte, em 2003. Em noite de Ronaldo e Forlán, Brasil e Uruguai empataram por 3 a 3 pelas Eliminatórias.

Na época em que foi interditado, o Pinheirão chegou a ser cogitado como sede da Mundial de 2014. Passaria por um grande processo de modernização, mas não atraiu investidores. Ficou no meio do caminho entre o passado e o futuro. Um presente indesejado. E que serve de exemplo para muitas dos palcos que estão sendo construídos para o Brasil da Copa. As arenas de Cuiabá, Manaus e Natal podem ser sucessores do Pinheirão, talvez o maior elefante branco de um país que sequer conhecia as exigências da Fifa.