O Santiago Wanderers precisará de um planejamento especial a 2018. Os Caturros viviam um ano de festa, depois de conquistarem a Copa do Chile em novembro, seu primeiro título desde 2001. A taça também confirmava o retorno dos alviverdes à Copa Libertadores, ainda que entrando nas preliminares, após 16 anos longe do torneio. O problema é que, ao mesmo tempo em que comemorava, o clube se preocupava com a fraca campanha no Campeonato Chileno. Último no promédio, acabou obrigado a disputar um playoff para garantir sua permanência na elite. E perdeu. A derrota nos pênaltis para o Unión La Calera relegou o Decano à segundona do país.

Não é a primeira vez que um time disputará na mesma temporada a Libertadores e a segunda divisão de seu país. O Santiago Wanderers será o sexto a compartilhar a realidade peculiar. Criciúma (1991), Santo André (2004) e Paulista (2005) já estavam nas divisões de acesso quando ganharam a Copa do Brasil. Já Palmeiras (2012) e Jorge Wilstermann (2010) caíram no mesmo ano em que conquistaram a vaga continental. A situação dos bolivianos, aliás, é completamente bizarra. Afinal, ao contrário de brasileiros e chilenos, eles carimbaram o passaporte na própria liga, e não na copa nacional, antes de serem rebaixados.

O caso curioso aconteceu na temporada 2010 do Campeonato Boliviano. O Torneio Apertura foi dividido em dois hexagonais e os três primeiros colocados de cada chave passavam à fase final. O Jorge Wilstermann terminou em terceiro do grupo, mas conseguiu se recuperar no hexagonal final e terminou campeão. Já o Torneio Clausura adotou os pontos corridos simples. O Aviador terminou na penúltima colocação e, por conta do promédio, foi rebaixado diretamente à segundona. Conseguiu retornar à elite em 2012, enquanto caiu logo na fase de grupos da Libertadores de 2011. Entre os brasileiros da segundona, o desempenho mais honroso foi do Criciúma, em 1992. O Tigre passou na primeira posição de seu grupo, que também tinha o São Paulo, eliminou o Sporting Cristal nas oitavas e só caiu nas quartas dando trabalho ao Tricolor de Telê Santana, a caminho de seu primeiro título continental.

O Santiago Wanderers figurava na primeira divisão do Campeonato Chileno desde 2010. Dono de três títulos da liga, o Decano chegou a ser vice-campeão no Apertura 2014, quando parecia pronto a recobrar sua importância no cenário nacional. Contudo, as más campanhas acumuladas ao longo dos últimos anos acabaram sendo fatais. Na última edição do torneio, os alviverdes acabaram com o 13° lugar, depois de serem vice-lanternas nos dois campeonatos anteriores. Por ser este ser um torneio de transição, os Caturros ainda ganharam uma segunda chance com a criação dos playoffs de rebaixamento, por mais que ocupassem o último lugar do promédio. Sucumbiram ao Unión La Calera, campeão da segundona em 2017.

A preparação do Santiago Wanderers, de qualquer forma, deverá se voltar mesmo ao Campeonato Chileno. O caminho até a fase de grupos da Libertadores será difícil. O time precisará passar pelo Melgar na segunda fase preliminar e, na sequência, ainda pegará quem sobreviver entre Independiente Santa Fe, Deportivo Táchira e Macará. Só então o vencedor dos duelos se colocará no Grupo 4, o mesmo de River Plate, Flamengo e Emelec. O “copeirismo” dos alviverdes na Copa do Chile, ao menos, permitiu que fossem campeões em cima da Universidad de Chile. Um fio de esperança para que a tristeza não tome completamente 2018.