O Bayern de Munique confirmou o retorno de Jupp Heynckes ao clube até o fim da temporada 2017/18. Foi com ele que o clube bávaro chegou à tríplice coroa em 2012/13, com a conquista da Bundesliga, Copa da Alemanha e Champions League. A escolha tem um grande apelo emocional, do último gosto de sucesso na Europa, em meio a uma crise interna e o caos da direção, que discordavam sobre o que fazer após a demissão de Carlo Ancelotti. A solução? De volta para o futuro, com Jupp Heynckes como uma solução de curto prazo, mas com um pensamento de longo prazo: a identidade bávara.

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Heynckes volta ao clube pelo qual se aposentou em uma situação bastante controversa. Em janeiro de 2013 foi anunciado que Pep Guardiola assumiria o time a partir da temporada seguinte, mas Heynckes ainda não tinha dito com todas as letras que queria se aposentar. Ou, ao menos, deixou claro que ainda ponderava a situação. O clube tomou a decisão que achou melhor e acabou, por isso, aposentando o treinador, que viria a ganhar todos os títulos daquela temporada. Curiosamente, Pep Guardiola novamente teria um papel importante na sua volta.

Heynckes, de 72 anos, terá como assistente técnico Peter Hermann, que estava no Fortuna Dusseldorf, mas foi liberado para trabalhar dom o novo treinador do Bayern. “Há uma grande dose de confiança entre Jupp Heynckes e o Bayern”, disse o executivo-chefe do clube, Karl-Heinz Rummenigge. “Nós somos extremamente gratos que Jupp aceitou o papel de técnico. Ele é ideal para o Bayern neste momento”, continuou o dirigente.

“Jupp Heynckes é um mestre do gerenciamento de pessoas e táticas. Nós estamos convencidos que ele é absolutamente a pessoa certa  para liderar o time ao sucesso novamente na atual situação”, declarou Hasan Salihamidzic, diretor esportivo dos bávaros.

“Minha comissão técnica e eu vamos fazer tudo que podemos para garantir que o time possa dar aos torcedores um futebol de sucesso. Eu mal posso esperar para começar”, disse Heynckes. O novo velho treinador assume o comando na segunda-feira. Neste fim de semana, o time será comandado por Willy Sagnol, que já foi o treinador interino na última rodada.

Franz Beckenbauer, um dos maiores jogadores da história do futebol alemão e lenda do Bayern, ficou surpreso com a escolha. “Eu fiquei surpreso que Heynckes aceitou esta aposta, mas cada vez que penso nisso, fico mais satisfeito sobre o seu retorno”, afirmou o ex-capitão, técnico e dirigente do clube. “Eu acho que ele pode lidar com a situação. Uma coisa está clara, o time precisa mostrar personalidade e não pode se esconder atrás do técnico mais”, afirmou ainda Beckenbauer.

O técnico da seleção alemã, Joachim Löw, também comentou o retorno do lendário Heynckes. “Ele é um técnico incrivelmente experiente e que tem uma grande aura”, disse. E ainda brincou: “Se ele voltar mais alguma vez, é capaz de ser o meu sucesso”, riu.

A crise na diretoria

Demitir Carlo Ancelotti certamente não foi uma decisão fácil para a diretoria do Bayern de Munique. O início ruim na Bundesliga, aos olhos dos dirigentes, com sete jogos e cinco pontos de desvantagem para o Borussia Dortmund, já era um peso enorme. A derrota pesada para o Paris Saint-Germain por 3 a 0 na Champions League foi só a pá de cal de Ancelotti, que já sofria também com questionamentos fortes no vestiário.

Jerome Boateng, zagueiro do time que esteve afastado no último jogo de Ancelotti, foi um dos que defendeu Heynckes. Ele era parte do elenco do time quando o treinador ainda estava no comando. “Não há solução melhor. Ele conhece o clube e os jogadores até do avesso. Ele é um grande técnico com uma grande toque pessoal e muita experiência”.

Curiosamente, Boateng ainda deixou claro que havia um problema entre o comando do time e os dirigentes. “Ele se dará bem com os chefes”, afirmou. Havia uma cisão entre os dirigentes sobre quem deveria suceder Carlo Ancelotti. Rummenigge queria Thomas Tuchel, enquanto Uli Hoeness defendia um técnico tampão até o fim da temporada para depois tentar Julian Nagelsmann.

Os dirigentes se reuniram informalmente com Guardiola e falaram sobre o sucessor. Segundo a Deutsche Welle, os dirigentes também entraram em contato com o diretor esportivo do Borussia Dortmund, Michael Zorc, para falar sobre Thomas Tuchel. É sabido que Guardiola admirava o estilo do treinador, que, por sua vez, também admira o estilo Guardiola. Tudo indicava, então, que seria ele.

Só que as referências dadas por Zorc sobre os problemas de relacionamento de Tuchel deixaram a sensação que o problema de vestiário poderia continuar. Isso além de um potencial problema com os dirigentes, como aconteceu no Dortmund. Decidiram, então, por um caminho diferente e tirar Heynckes da aposentadoria de quatro anos. Embora seja uma volta ao passado, esse é um passo que Hoeness considera o futuro, de trazer de volta a identidade bávara co clube.

Hoeness estava convencido que queria alguém com identidade com o Bayern – ainda mais depois do fracasso de Ancelotti, sem ligação com a Alemanha ou o clube. Rummenigge estava disposto a apostar em Tuchel. Hoeness mira em Nagelsmann para o futuro e sabia que não tinha essa opção no presente.

A escolha de Heynckes é uma vitória de Hoeness, que traz um amigo pessoal para o comando do time, com as características que ele considera importantes para o técnico do Bayern de Munique: identidade, familiaridade, autoridade e, claro, sucesso. O espírito “Mia San Mia”, que o dirigente tanto queria.

Nagelsmann, bávaro, com ligações com o clube, segue como o futuro alvo do clube. Mas esse será um problema para junho de 2018. Por enquanto, o Bayern vai de volta para o futuro.