A vitória por 2 a 0 no jogo de ida abriu o caminho para o Real Madrid. Não era preciso muito esforço no Estádio Santiago Bernabéu para eliminar o pequenino Fuenlabrada e avançar na Copa do Rei. Um jogo desses, porém, quase nunca fica na memória dos gigantes. E sempre marca a vida dos pequeninos. Pois a intersecção da chance de glória e da mera trivialidade se transforma quando os desafiantes conseguem atravessar esse abismo. Algo que aconteceu justamente nesta terça. Os líderes da terceira divisão não venceram os merengues. O empate por 2 a 2 no mítico estádio, de qualquer maneira, ficará gravado em sua história. E será lembrado também pelos madridistas, como um tropeço indigesto que prefeririam esquecer.

Zinedine Zidane escalou o Real Madrid cheio de reservas, é verdade. Com Álvaro Tejero, Óscar Rodríguez e Francisco Feuillassier entre os titulares, dava para chamar de “time C” dos merengues sem muitos problemas. O único titular absoluto a entrar em campo foi Keylor Navas, de volta após mais de um mês sem atuar. Justo ele falhou no gol que permitiu ao Fuenlabrada sair de vantagem. Em chute de longe de Luis Milla (filho do volante homônimo que defendeu os blancos por sete anos, entre 1990 e 1997), o goleiro se enroscou com a bola e permitiu aos nanicos experimentarem algo inimaginável: estar em vantagem no Bernabéu.

A reação do Real Madrid só aconteceu no segundo tempo, graças a outro que voltava ao time: Gareth Bale, saindo do banco de reservas. O galês foi capaz de duas jogadaças, permitindo Borja Mayoral marcar logo depois de ambas. Primeiro, cruzou de trivela para o centroavante arrematar. Já aos 25 do segundo tempo, garantiu a virada, após dar um chapéu de chaleira no marcador, antes que seu companheiro aproveitasse a sobra. O Fuenlabrada, todavia, não se entregou. E pôde comemorar o empate aos 44 do segundo tempo, com Álvaro Portilla se transformando no herói de um momento tão importante para si.

Fundado em 1975, o Fuenlabrada nunca passou da terceira divisão. Fincado na região metropolitana de Madri, tem como grande orgulho Fernando Torres, que não passou pelo clube, mas nasceu na cidade e dá nome ao estádio. Nesta temporada é que as perspectivas começam a melhorar, ocupando a liderança em seu grupo regional na terceira divisão, o que pode valer o acesso. O empate no Bernabéu, no entanto, significa o momento de virada para uma agremiação que possui anseios maiores. Pouco importa quem vestia a camisa blanca do outro lado. O que os torcedores celebrarão será a noite em que, nos últimos minutos, os Kirikos provocaram a ira dos madridistas. Levam para casa o feito inédito de ser a primeira equipe da terceirona a não perder em Chamartín.