O texto poderia falar, facilmente, sobre a grande noite da Major League Soccer sobre a Liga MX. Sempre chamada de freguesa, as equipes da MLS revidaram e conseguiram eliminar dois rivais mexicanos. O NY Red Bulls eliminou o Tijuana, sem problemas, com duas vitórias (2 a 0 no México e 3 a 1 nos Estados Unidos) enquanto o Toronto suou para passar pelo duro Tigres, com uma vitória, em casa, por 2 a 1 e uma derrota, fora de casa, por 3 a 2. O grande destaque entre dois jogos, porém, atende por um nome: Sebastian Giovinco.

LEIA TAMBÉM: Liga MX e MLS anunciam parceria, criam duelo entre os campeões e jogo das estrelas entre as ligas

Depois de anos perdendo para os rivais mexicanos, os times da Major League Soccer entenderam uma importante lição: se não é possível vencer na qualidade técnica, é preciso ser inteligente e também correr dobrado. NY Red Bulls e Toronto fizeram isso. Jogando em casa, impuseram seus estilos de jogo, pressionaram e conseguiram vitórias, mas foram espertos fora de casa, se fechando bem na defesa e usando os contragolpes para finalizar os confrontos, algo que não acontecia nos últimos anos. Em anos anteriores, os americanos já entravam em campo com medo dos mexicanos, com uma postura derrotada, e viravam presas fáceis, inclusive com vergonhosas goleadas sofridas.

Giovinco, porém, se consolidou como o grande jogador do continente nesta terça-feira. No jogo contra o Tigres, que muitos consideravam a “final antecipada” da Concacaf Champions League, o italiano desequilibrou e foi peça fundamental nos dois gols marcados pelo Toronto. No primeiro, fez boa jogada individual e cruzou para o meio da área, quando Rafael Carioca marcou contra. No segundo, acertou um raro chute no ângulo em cobrança de falta e encaminhou a classificação de sua equipe. Isso, claro, sem contar o tanto que ele infernizou a defesa rival, composta por Hugo Ayala e pelo brasileiro Juninho (sim, aquele ex-Botafogo e São Paulo).

O atacante chegou ao Toronto em 2015, depois de não se firmar na Juventus, equipe que o revelou, mesmo tendo feito boa passagem pelo Parma. Sua contratação foi vista com desconfiança pelos fãs da Major League Soccer, mas também como uma mudança no modo de contratar jogadores conhecidos. Giovinco chegou com 28 anos, sem ter estourado de vez na carreira, às vezes taxado como “eterna promessa” em seu país, mas que poderia se reinventar no Canadá. Muitos acreditavam que ele usaria o Toronto como ponte para ir a outro clube, de maior expressão, algo que não aconteceu.

Na sua primeira temporada, Giovinco foi um sucesso e acabou eleito o melhor jogador da liga e com a artilharia da competição. Nos anos seguintes, levou o Toronto para os playoffs e fez da equipe uma das mais fortes da liga, inclusive com o vice-campeonato em 2016. No ano passado, em 2017, ajudou no título da MLS e colocou sua equipe em destaque. Hoje, poucos duvidam da capacidade do Toronto, especialmente pela diferença que a ‘Formiga Atômica’ faz em campo. Em três anos, são 87 jogos, 55 gols e 37 assistências.

Ele consegue colocar o time canadense como um dos favoritos ao título da Concachampions e, com isso, se coloca como um dos principais do continente.O que Giovinco fez com o Tigres foi a grande prova de que ele pode ser considerado o melhor jogador da América do Norte. A equipe mexicana era, antes da competição, considerada a grande favorita, principalmente por jogadores como Eduardo Vargas e André-Pierre Gignac. Mesmo assim, foi o italiano que desequilibrou o jogo e vai disputar as semifinais do torneio, contra o vencedor de América-MEX e Tauro.

Destaque na ‘liga de aposentados’, Giovinco prova que ainda pode render em alto nível, inclusive contra adversários de maior qualidade técnica. No dia que a MLS superou os vizinhos mexicanos, coube a um italiano todos os holofotes. E com méritos, muitos méritos.