No dia 27 de agosto de 1977, nascia em São Bernardo do Campo Anderson Luís de Souza. Embora nascido na Grande São Paulo e criado no Corinthians, um dos grandes clubes brasileiros, o jogador foi se tornar conhecido no além-mar. Deco, como ficaria conhecido, teve uma carreira de imenso sucesso no futebol europeu. Se naturalizou português, país que o acolheu ainda jovem, disputou Eurocopas e Copas do Mundo. Ganhou duas Champions League por dois clubes diferentes. Se tornou ídolo. Voltou ao Brasil para ainda desfilar seu talento antes de decidir pendurar as chuteiras, quando as lesões começaram a atrapalhar demais. Deco completou 40 anos neste domingo e vale recordar um pouco do que foi o maestro.

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Em 1997, Deco disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Corinthians e se destacou. Foi para o CSA, de Alagoas, e foi de lá que partiu para a Europa. Seu destino era o Benfica, que o emprestou para o Alverca, clube então na segunda divisão, quando ele tinha 20 anos. Jogaria também no Salgueiros antes de ser dispensado pelo Benfica sem sequer ter jogado pelos encarnados. Foi o Porto que o contratou e, daí em diante, a sua história foi estelar.

Em março de 1999, o Porto o contratou. Venceu o título português daquela temporada e ajudaria a encher ainda mais a sala de troféus portista. Conquistou a Copa de Portugal em 2000, 2001 e 2003; o Campeonato Português em 1998/99, 2002/03 e 2003/04; a Copa da Uefa de 2003; e, por fim, o mais importante: a Champions League de 2003/04, como o maestro do meio-campo do time dirigido por José Mourinho.

A campanha histórica com o Porto o levou a ser contratado pelo Barcelona, em 2004. Na Catalunha, formou um time fantástico ao lado do mágico Ronaldinho. Conquistou duas vezes o Campeonato Espanhol, em 2004/05 e 2005/06 e a Champions League pela segunda vez em 2005/06. Ficou no clube até 2008, quando deixou a Espanha para jogar pelo Chelsea, na Inglaterra. Por lá, conquistou mais uma liga, a Premier League de 2009/10, além da Copa da Inglaterra em 2009 e 2010.

Naquele ano de 2004, Deco também passou a ter direito à cidadania portuguesa depois de seis anos morando no país. Com isso, se tornou elegível para a seleção portuguesa, na época comandada pelo brasileiro Luís Felipe Scolari. Sua convocação, porém, dividia muitos portugueses, que não viam com bons olhos o brasileiros jogando pela seleção lusa. Ele foi convocado e estreou, ironicamente, contra o Brasil, em um amistoso. E, mais do que isso, marcou um gol de falta que deu a vitória à Portugal por 2 a 1. O primeiro triunfo português sobre o Brasil desde a Copa do Mundo de 1966.

A partir daí, a sua carreira pela seleção despontou. Jogou a Eurocopa de 2004, disputada justamente em Portugal, apesar de críticas públicas de figuras como Luís Figo, principal estrela do futebol português na época. Fez parte daquela equipe que se tornou vice-campeã, perdendo, traumaticamente, a final para a Grécia. Se tornaria regular nas convocações e titular do time, indo também à Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Fez parte da histórica campanha do time naquele mundial, que acabaria em quarto lugar.

Pela seleção portuguesa, jogou ainda a Eurocopa de 2008, que o time foi até as quartas de final. Jogou ainda a Copa do Mundo de 2010, quando Portugal chegou novamente às quartas de final e foi eliminado pela Espanha. Foi a última competição que Deco jogou pela seleção lusa. Depois daquela Copa, ele deixaria também a Europa. Ao fim do seu contrato com o Chelsea, assinou com o Fluminense, voltando a atuar no Brasil.

Pelo Flu, o meia ainda mostrou muito da sua classe e ajudou o time a chegar ao título brasileiro de 2010 e 2012, além de um Campeonato Carioca, também em 2012. Também teve muitos problemas com lesões, o que o levou a se aposentar em agosto de 2013, além de um teste positivo de doping, que depois se provaria um falso positivo por contaminação na amostra de urina.

Deco encerra uma carreira cheia de conquistas e tendo marcado o seu nome na história de grandes clubes pelo mundo. São poucos os que conquistaram Champions League por dois clubes diferentes. Ainda conseguiu conquistar ligas de quatro países diferentes. Com um estilo inteligente, com precisão de passes, visão e criatividade, Deco se tornou um jogador de nível mundial. O físico atormentado por lesões não o impediu de ter uma carreira de sucesso por países importantes. Um símbolo de categoria, de classe e de bom futebol.