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Defesa versus ataque: Os impasses de Real e Barça às vésperas do clássico

Real Madrid e Barcelona chegam ao clássico deste domingo vivendo momentos bastante distintos. Enquanto os merengues desfrutam da excelente fase e da calmaria, os blaugranas passam por questionamentos que não se limitam apenas ao que o clube produz dentro de campo. Uma diferença que parece limitar apenas ao passado o duelo do primeiro turno, vencido pelo Barça por 2 a 1 no Camp Nou, e que concentra todo o favoritismo na equipe da capital, que terá a vantagem de jogar no Estádio Santiago Bernabéu.

Ainda assim, se a certeza do triunfo merengue fosse tão grande, o jogo nem precisava acontecer. E por mais que, neste momento, haja a impressão de que falar de problemas no Real Madrid seja como procurar pelo em ovo, há uma preocupação quanto à proteção defensiva do time de Carlo Ancelotti. Que, em meio a diversos entraves do Barcelona (como, por exemplo, a fragilidade excessiva nas bolas aéreas), vai de encontro exatamente ao mais debatido nos últimos dias, o encaixe do ataque de Tata Martino. Quem está mais próximo da solução? A resposta, só depois de 90 minutos de bola rolando, mas que deixa pontos bastante pertinentes a se observar.

A preocupação defensiva dos merengues

Xabi Alonso e Daniel Alves se estranharam muito durante o jogo. (FOTO: JAVIER SORIANO/AFP)

O Real Madrid está voando neste início de 2014. A equipe que não parecia totalmente consolidada logo após a chegada de Carlo Ancelotti evoluiu bastante depois que o técnico acertou seu sistema de jogo. O 4-3-3, com o trio de ataque formado por Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo, tem garantido seguidas goleadas para os merengues. Mas também é motivo de preocupações. Sobretudo depois do empate por 2 a 2 contra o Atlético de Madrid, parte do elenco tem questionado a sobrecarga em cima da defesa, gerada por um sistema tão ofensivo.

A conversa de bastidores foi revelada por Diego Torres, em matéria do jornal El País. Um dos líderes do elenco, Xabi Alonso teria expressado a indagação diretamente a Ancelotti. Na teoria, são apenas sete jogadores do Real na marcação (os quatro da defesa e os três do meio-campo), sendo que Luka Modric e Ángel Di María não são dos mais virtuosos no ofício. A exposição à pressão do Atlético no último clássico, quando os merengues precisaram se desdobrar para evitar um prejuízo maior, foi o estopim para a reclamação. Apesar disso, Ancelotti teria convencido o volante de sua opção por manter os homens de frente sem se desgastar e, assim, buscar a vantagem no placar – o que não é difícil de imaginar, com os seguidos bombardeios enfrentados por Victor Valdés nesta temporada.

Considerando o estilo de jogo do Barcelona, especialmente pelas subidas constantes dos dois laterais, realmente é algo a se preocupar. Mas nada que Cristiano Ronaldo e Gareth Bale não possam ajudar. Um pouco mais de comprometimento tático dos craques já diminuiria o esforço dos meio-campistas, por mais que a compactação seja exigida um pouco mais contra um time de toque de bola constante. Além disso, apesar da goleada sobre o Osasuna na última rodada, os blaugranas não vivem sua fase mais voraz no ataque. Um bom teste para o sistema defensivo merengue, que pode também significar um passo importante rumo ao título espanhol e uma prova de confiança para a reta final da Liga dos Campeões.

O encaixe do ataque blaugrana

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Os bastidores do Barcelona andaram movimentados nos últimos dias. Sobretudo, diante de uma suposta insatisfação de parte dos jogadores com o estilo de jogo de Neymar, muito individualista – e por isso mesmo Pedro e Alexis Sánchez teriam ganhado espaço. A questão foi afastada por Gerardo Martino na entrevista coletiva prévia ao clássico, com o técnico reiterando sua confiança no camisa 11: “Não preciso que tenha uma atuação completa, nem meia, nem dez para confirmar todas as suas qualidades. Tratarei que não se creia que ele seja um jogador a mais, o que não é. Para mim, é um dos cinco melhores do mundo”. Independente dos problemas extracampo, a falta de encaixe do ataque catalão tem sido visível nas últimas semanas.

A provável escalação titular contará com Busquets, Xavi e Fàbregas no meio-campo, além de Iniesta, Messi e Neymar no ataque. E a questão vai exatamente para o lado contrário das certezas que o Barcelona teve em seus melhores momentos: fazer as individualidades criarem sem prejudicar o coletivo. Não foram poucos os jogos recentes em que faltou poder de fogo aos blaugranas, mesmo com tantos talentos à disposição. Um time maçante e pouco criativo, que, ao desperdiçar pontos, permitiu que o Real Madrid disparasse na liderança.

A chave do time, como sempre, está em Lionel Messi. Aos poucos, o camisa 10 tem recuperado aquela velha confiança que tinha antes das seguidas lesões, e que será importante em um jogo deste calibre. Mas depende do envolvimento de seus companheiros na criação. E também da participação de Neymar. Por mais que atuar ao lado do argentino possa lhe tirar um pouco de liberdade, o camisa 11 precisa se aproveitar disso. Partilhar a atenção dos defensores merengues e, assim, abrir espaços. No clássico do primeiro turno, o atacante foi bem. Uma atuação decisiva pode ser o suficiente para espantar as dúvidas que se levantaram recentemente – e, sobretudo, os rumores que tumultuam o ambiente no Camp Nou.