Alessandro Del Piero instaurou uma era com a camisa 10 da Juventus. Se o número possui uma representatividade enorme ao passado da Velha Senhora, a lenda bianconera ajudou a dar novo significado ao emblema durante as duas décadas em que defendeu o clube. O 10 parecia tatuado nas costas do atacante. E, embora Carlos Tevez e Paul Pogba tenham usado o símbolo, eles não pareciam se encaixar tão bem no papel de herdeiro quanto Paulo Dybala. Depois de jogar com a 21, outra camisa mística pelos lados de Turim, o argentino passou a vestir a 10. Cada vez mais nesta temporada, assume a responsabilidade de se tornar protagonista do time de Massimiliano Allegri.

Nesta semana, Del Piero foi entrevistado pela Gazzetta dello Sport. E não escondeu a satisfação ao ver Dybala jogando tão bem com o seu antigo número. O ídolo teve humildade o suficiente para relembrar que outros grandes craques usaram a camisa 10 antes que ele despontasse em Turim. Além disso, rasgou elogios ao desempenho recente do sucessor.

“Estou muito feliz por Dybala. A camisa 10 realmente não era minha propriedade: antes de mim, Baggio, Sívori e Platini a vestiram. E agora há uma estrela que tem tudo para permanecer na Juventus pelo resto da vida, se ele quiser. Ele aumentou seu nível ainda mais neste início de temporada, está fazendo coisas empolgantes. Eu não estou falando apenas de gols, mas também da maneira como pode decidir partidas. Ele também tem qualidades morais raras. Espero que consiga repetir o que eu fiz em Turim, porque ninguém pode entrar tanto nos corações dos torcedores quanto ele”, afirmou.

Del Piero falou sobre outros assuntos na entrevista. Inclusive, relembrou sua longa passagem pela Juve, de uma maneira geral: “Foi uma jornada maravilhosa. Eu amei e amo essa camisa como parte de mim. Minha estreia, o primeiro Scudetto, a Champions… Não posso escolher meu melhor momento. E depois do primeiro ano, eu quase fui para o Parma! Eu não sei os detalhes da negociação, apenas que, a certo ponto, Marcello Lippi disse que estava bem ter aquele garoto como quarta opção ao ataque”.

Questionado sobre o rebaixamento em 2006, por conta do Calciopoli, o camisa 10 reafirmou seu compromisso com os bianconeri na época, sem sequer cogitar uma debandada: “O ano inteiro de 2006 foi maluco. Nós voltamos da Copa do Mundo para disputar a Serie B sem saber de nada. Você olha para os times na final da Copa para perceber que, no espaço de um verão, a Juve desapareceu. Quando o clube me perguntou o que eu queria fazer, eu não hesitei por um segundo. Eu era o capitão do time e o sentia como parte de mim, com o qual eu venci tudo. Senti que eu deveria dar o exemplo e acelerar a reconstrução. O ciclo se fechou em 2012: seis anos depois do terremoto, a Juve voltou a ganhar o Scudetto”.

Por fim, Del Piero também apontou que sua relação com a Juventus, atualmente, é boa. Vale lembrar que seu desligamento do clube aconteceu a seu contragosto, por decisão do presidente Andrea Agnelli. Em sua última temporada, o camisa 10 ainda anotou gols decisivos, possibilitando a conquista do Scudetto após seis anos. O ponto final de sua trajetória pelos bianconeri foi com a taça nas mãos: “A vida é feita de momentos, e a Juventus tem realmente clara sua estrutura, feita de diretores realmente bons. Eu tive a chance de me encontrar com Agnelli, esclarecemos as coisas e hoje eu posso dizer calmamente que não temos problemas entre nós”.