Messi continua decisivo no Barcelona (AP Photo/Jon Super)

Dentro de seu próprio caldeirão, o City foi cozinhado pelo Barcelona

O Manchester City esperou três temporadas para, desde que seu endinheirado projeto começou, chegar às oitavas de final da Liga dos Campeões. Pois bem. Se o sorteio já não tinha sido dos mais afáveis com os ingleses, o primeiro encontro com o Barcelona foi menos ainda. Dentro do Estádio Etihad, onde costumam massacrar seus adversários, os Citizens se amansaram. E a derrota por 2 a 0 torna a classificação dentro do Camp Nou praticamente uma questão de fé, considerando a atuação morna do time.

Tanto Tata Martino quanto Manuel Pellegrini optaram por escalações mais cautelosas no início da partida. O City tinha a importante volta de Fernandinho na cabeça de área. A maior novidade, entretanto, foi a escalação de Aleksandr Kolarov pelo lado esquerdo no meio-campo, protegendo o time contra as subidas de Daniel Alves e reforçando também as ações de David Silva por ali. Já o Barcelona vinha com Andrés Iniesta como um ‘falso ponta esquerda’, servindo mais para dar cadência no meio do que para ameaçar em jogadas agudas.

O primeiro tempo esteve muito aquém do que a ofensividade dos dois times poderia sugerir. O Barcelona começou a partida se contentando com a mera posse de bola. Rondava a defesa do Manchester City, bem encaixada, sem se arriscar tanto em suas ações. Parecia interessado apenas em uma brecha ou, pelo menos, em encurtar o tempo até o jogo no Camp Nou. Por sua vez, os Citizens mantinham os nervos sob controle. Até tentavam buscar os contragolpes, mas erravam excessivamente a saída de ola.

A partida só melhoraria nos 20 minutos anteriores no intervalo. Foi quando o City passou a ter menos pressa em suas subidas ao ataque e se aproximou do gol de Victor Valdés. Álvaro Negredo era quem mais levava perigo, mas o Barcelona se segurou. E, com mais espaço, finalmente os blaugranas conseguiram seus primeiros chutes. No mais perigoso deles, Joe Hart se esticou para espalmar a tentativa de Xavi.

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A situação que até parecia confortável para o City mudou totalmente de rumo no início do segundo tempo. Logo no primeiro lance de perigo, Martín Demichelis cometeu falta por trás em Messi e foi expulso. Pênalti convertido pelo camisa 10 com tranquilidade. E, tão importante quanto o placar aberto, era a vantagem numérica do Barcelona. Pellegrini trocou Jesús Navas e Kolarov por Joleon Lescott e Samir Nasri. Recompunha o miolo de zaga e deixava dois meias para apoiarem Negredo e caírem pelas pontas.

O gol motivou o Barcelona. A equipe de Tata Martino passou a controlar as ações em campo, colocando uma pressão real sobre o City. Os blaugranas arriscavam mais a gol e, como de praxe desde a chegada de Tata Martino, também exploravam mais os chutes de fora da área e as bolas alçadas na área. Na melhor chance, Daniel Alves arrancou com liberdade pela direita, mas chutou para fora. Além disso, também houve um gol mal anulado dos espanhóis, em impedimento mal marcado pelo assistente.

Nos minutos finais, o Barcelona parecia satisfeito com o resultado. Preferiu se posicionar um pouco mais no campo de defesa, para garantir a vantagem do empate para a volta. Na busca pelo empate, o City não conseguiu ser tão perigoso com um a menos, mas teve suas chances. Todas pararam em Valdés. E foram penalizados ainda mais quando o jogo já se aproximava dos acréscimos. Daniel Alves tabelou com Neymar, que havia saído do banco pouco antes, e tocou por baixo das pernas de Hart.

O Manchester City pode até se agarrar ao fiapo de esperanças para o jogo contra o Camp Nou. Lembrar-se até mesmo da vitória dentro da Allianz Arena contra o Bayern de Munique – quando a classificação já estava garantida, é verdade. No entanto, se dentro de sua fortaleza os ingleses foram tão inexpressivos, é difícil imaginar uma reviravolta fora de casa, onde o time não possui resultados tão bons assim. Qualidade o time tem. O problema é achar uma maneira de ser ofensivo sem se expor ainda mais ao Barcelona.

Formações iniciais

City x Barcelona

Destaque do jogo

Daniel Alves. Pellegrini reforçou o lado esquerdo para conter o brasileiro, mas a expulsão de Martin Demichelis desarrumou o City e acabou dando mais liberdade para as suas subidas. O lateral marcou o segundo gol e ainda teve uma ótima chance desperdiçada. Além disso, contribuiu com seis cruzamentos e só participou menos do jogo que Xavi e Fàbregas.

Momento chave

Toda a jogada do primeiro gol do Barcelona. E não só por ter mudado os rumos da partida, mas também por várias decisões contestáveis da arbitragem. No início do lance, os ingleses pediram uma falta de Busquets em Navas, não marcada. Depois, Messi foi lançado em posição duvidosa, mas estava na mesma linha do último defensor. Demichelis foi expulso com justiça, disso não há dúvidas. Porém, o replay mostrou que a falta aconteceu fora da área.

demichelis

Os gols

9’/2T – GOL DO BARCELONA! Messi dispara em velocidade e é derrubado na entrada da área por Demichelis. O árbitro marca pênalti. Messi cobra o meio, após Hart escolher o canto.

44’/2T – GOL DO BARCELONA! Daniel Alves recebe no campo de ataque e tabela com Neymar. O lateral deixa Clichy para trás e chuta por entre as pernas de Joe Hart.

Curiosidade

Nunca um time conseguiu se recuperar de uma derrota por 2 a 0 em casa no jogo de ida da Liga dos Campeões. São 90 partidas e nenhuma virada. (via @2010MisterChip)

Ficha técnica

MANCHESTER CITY 0×2 BARCELONA

Manchester City_escudo Manchester City
Joe Hart, Pablo Zabaleta, Vincent Kompany, Martín Demichelis e Gael Clichy; Fernandinho e Yaya Touré; Jesus Navas (Samir Nasri, 13’/2T), David Silva e Aleksandr Kolarov (Joleon Lescott, 13’/2T); Álvaro Negredo (Edin Dzeko, 28’/2T). Técnico: Manuel Pellegrini.
Barcelona_escudo Barcelona
Victor Valdés, Daniel Alves, Gerard Piqué, Javier Mascherano e Jordi Alba; Sergio Busquets, Xavi e Cesc Fàbregas (Sergi Roberto, 41’/2T); Alexis Sánchez (Neymar, 28’/2T), Lionel Messi e Andrés Iniesta. Técnico: Tata Martino.
Local: Estádio Etihad, em Manchester (ING)
Árbitro: Jonas Eriksson (SUE)
Gols: Lionel Messi, 8′/2T; Daniel Alves, 44′/2T
Cartões amarelos: Álvaro Negredo, Aleksandr Kolarov (Manchester City); Daniel Alves, Javier Mascherano (Barcelona)
Cartões vermelhos: Martín Demichelis (Manchester City)