A partir do fim da década de 1980, a torcida do Olympique de Marseille se acostumou com a adrenalina das fases finais nas competições europeias. O mítico Estádio Vélodrome recebeu seis semifinais entre 1988 e 2004. Nem sempre os celestes venceram. Mas todas as vezes os adversários precisaram suportar a pressão da torcida. Durante os últimos 14 anos, porém, os marselheses sentiram falta desta euforia. Para, enfim, matar a saudade nesta quinta-feira de Liga Europa. Sob uma atmosfera simplesmente arrepiante, o Olympique encarou o Red Bull Salzburg. E os jogadores não decepcionaram a massa ensandecida, que até recorde bateu com os 62 mil presentes. Os franceses conquistaram uma importante vitória por 2 a 0, que aproxima o clube de Lyon, onde acontecerá a decisão do torneio nesta temporada.

Tanto Olympique quanto Salzburg fazem campanhas notáveis nesta Liga Europa. E não se esperava nada diferente do que foi o jogo no primeiro tempo: bastante aberto, com muita intensidade de ambos os lados. As chances de gol não apareciam com tanta frequência, mas a busca dos times pelo ataque era inegável. Melhor para os marselheses, incendiados pela recepção incrível de sua torcida. Muito mais perigoso no início do primeiro tempo, o time da casa saiu em vantagem aos 15 minutos. Dimitri Payet cobrou falta no bico da grande área e, depois da saída em falso do goleiro Alexander Walke, Florian Thauvin completou no segundo pau.

O Olympique de Marseille mantinha a segurança de seu jogo, aproveitando a movimentação de sua trinca de meias para pressionar a defesa do Red Bull Salzburg. A posse de bola ficava com os franceses, embora os austríacos começassem a ameaçar mais em contra-ataques a partir dos 25 minutos. E o goleiro Yohan Pelé faria uma boa defesa para evitar o empate, em tentativa de Stefan Lainer. O cenário permanecia aberto ao segundo tempo, apesar da capacidade individual superior dos celestes.

Na volta do intervalo, o jogo caiu um pouco mais de ritmo. E o acaso faria a diferença para o Marseille ampliar, aos 18. Menos de três minutos após substituir Maxime López, Clinton N’Jie anotaria o gol. Em contra-ataque dos anfitriões, Payet novamente foi decisivo. Arrancou pela esquerda e percebeu a passagem de N’Jie pelo meio. O reserva dominou e bateu na saída do goleiro. Resultado que dava tranquilidade, em um momento no qual o Salzburg começava a se impor no campo de ataque.

A partir de então, o jogo se concentrou na iniciativa dos austríacos. O Red Bull trabalhava a bola buscando espaços, mas parava diante da solidez da defesa do Olympique de Marseille. Quando encontraram brechas, pararam no goleiro Yohan Pelé. Além disso, Fredrik Gulbrandsen poderia ter descontado aos 31, carimbando a trave. Já nos minutos finais, bastou aos marselheses administrarem a situação, em um ambiente cada vez mais ensurdecedor, diante da empolgação da torcida.

Ofensivamente, Payet e Thauvin fizeram a diferença para o Olympique de Marseille mais uma vez. São dois jogadores que não se escondem da responsabilidade. O estilo de jogo da equipe, incisivo e com muito apoio pelos lados, se molda a partir das características de seus protagonistas. Já na defesa, menção honrosa para Luiz Gustavo. Por conta dos desfalques, o brasileiro tem atuado com frequência como zagueiro nas últimas semanas. E foi senhor da área celeste, muitíssimo bem nos combates. Aliás, não foi o único do país que se deu bem atrás. Apesar dos dois gols tomados, André Ramalho fez papel decente pelo Salzburg. O rótulo de melhor da noite pelos Touros Vermelhos, entretanto, fica para Lainer, sobrando no apoio.

Depois do que aconteceu com a Lazio, o Olympique de Marseille sabe que nada está garantido e que sua missão na Áustria ainda será grande. Mesmo assim, a vitória desta quinta aumenta a confiança para buscar a decisão em Lyon. É uma partida que ficará na memória da torcida marselhesa. Uma semifinal europeia, com todo furor dos celestes. Uma noite que relembra os melhores momentos do clube e escancara toda a paixão que se envolve na cidade. O ápice do orgulho pela identidade.