Até parecia que um novo fracasso do Colo-Colo na Copa Libertadores tinha sido decretado precocemente. O time conquistou apenas um ponto na primeira metade da fase de grupos, um dos motivos que culminaram na demissão do técnico Pablo Guede. Dependeria de um milagre para conquistar a classificação no returno, onde faria duas partidas fora de casa. E que a descrença prevalecesse entre muitos, os chilenos conseguiram negar sua própria sina. As vitórias sobe Delfín e Bolívar abriram o caminho para a reviravolta. Já nesta quinta-feira, um modorrento empate por 0 a 0 contra o Atlético Nacional, dentro do Estádio Atanásio Girardot, selou a sorte do Cacique. O time somou apenas oito pontos e avança como o pior dos 16 classificados, mas avança. É apenas a primeira vez desde 2007 que os colocolinos passam aos mata-matas, a segunda neste século.

As 11 eliminações anteriores guardavam as suas dores. Em várias delas, o Colo-Colo morreu na praia durante os minutos finais da sexta rodada. Em 2009, caiu para o golaço de Cleiton Xavier, que carimbou a passagem do Palmeiras. Em 2011, sofreram uma inimaginável virada para o Cerro Porteño em Santiago, de 2×0 para 2×3. Já em 2016, três bolas na trave depois dos 43 do segundo tempo impediram a alegria contra o Independiente del Valle. O sofrimento se repetiria? Não desta vez.

Praticamente classificado, o Atlético Nacional não precisou se esforçar muito. Tinha o domínio do jogo contra um Colo-Colo sem vergonha de jogar pelo empate, fechadinho na defesa. Assim, os colombianos pouco criaram e o Cacique até lamentou por um gol feito que Esteban Paredes perdeu na primeira etapa. Já no segundo tempo, ainda mais cautela dos colocolinos, que se entregavam ao máximo para evitar que a tristeza se repetisse. Os verdolagas se tornaram mais perigosos, começando a provar o goleiro Agustín Orión. Mas nada que frustrasse a festa conjunta. Foi um duelo pobre, mas necessário aos visitantes.

O empate sem gols em Medellín deixou o Colo-Colo com oito pontos. Ainda assim, o time precisava prestar atenção ao que acontecia em La Paz, onde o Bolívar recebia o Delfín. Uma vitória dos equatorianos eliminaria os colocolinos. Eles precisavam torcer por um empate ou por uma vitória dos celestes, desde que não fosse tão ampla. O que aconteceu. O triunfo por 2 a 1 também levou os paceños aos oito pontos, mas com três gols a menos no saldo. Desvantagem que selou o alívio dos chilenos e relegou os bolivianos à Copa Sul-Americana.

Esteban Paredes é o grande responsável por esta classificação. O veterano marcou três gols nas vitórias sobre Delfín e Bolívar, além de oferecer a assistência ao tento que não foi dele. Aos 37 anos, ainda mostra como é letal, com 15 gols em 20 partidas no ano. Mas também sinaliza as limitações dos colocolinos. O elenco comandado por Héctor Tapia possui diversos medalhões, aos quais o clube permanece preso. O centroavante, ao menos, segue funcional. Nem com todo mundo é assim. E se em outros tempos o Cacique caiu na fase de grupos com jogadores qualificados, desta vez a impressão é que a vaga só veio pelo nível mais baixo em sua chave.

Mesmo o Atlético Nacional, líder do Grupo 2, possui as suas ressalvas. Em um momento de transição, os Verdolagas encaram as suas oscilações, por mais que possuam um técnico qualificado como Jorge Almirón. O elenco, aliás, também tem os seus veteranos de estimação. Alexis Henríquez permanece como referência na defesa, enquanto o setor ofensivo confia em Dayro Moreno e Macnelly Torres. O desempenho no Campeonato Colombiano ajuda a animar, assim como foram as goleadas sobre Bolívar e Delfín dentro do Atanásio Girardot. De qualquer maneira, faltam testes em níveis maiores para saber o real potencial desta equipe.

O Atlético Nacional se mete entre os primeiros colocados. Já o Colo-Colo agradece por estar entre os segundos. De 2003 a 2018, os chilenos se ausentaram em apenas três edições da Libertadores. Rompem a maldição que os perseguiu na maioria absoluta de suas participações, eliminados na fase de grupos ou antes dela em 11 das 13 aparições neste século. Neste momento, os albos celebram o peso que sai das costas. No entanto, sabem que há um caminho tortuoso pela frente, desde já. Precisarão de pragmatismo e de suas estrelas no setor ofensivo se quiserem desfrutar um pouco mais da sorte.