A última rodada da Série B reservava uma disputa importante: o título. O América Mineiro conseguiu repetir o resultado conseguido há 20 anos, quando conquistou a Série B em 1997. A vitória por 1 a 0 sobre o CRB concretizou a conquista, mesmo com a vitória do Internacional sobre o Guarani. Em um time que mesclou veteranos e revelações, o América Mineiro volta à Série A com a conquista e sabendo que o desafio no nível mais alto do futebol brasileiro será enorme.

LEIA TAMBÉM: Uma maré alvinegra e outra tricolor tomaram as ruas para celebrar os acessos de Ceará e Paraná

A campanha do América Mineiro na Série B foi histórica e a última rodada foi para coroar o trabalho do time. É uma taça comemorada, já que o time viveu anos muito complicados recentemente. A volta à Série A é uma festa de um time que conseguiu colocar suas revelações em campo e acertou nas contratações.

O Inter se despediu da Série B com uma vitória. A perspectiva do título não era lá tão grande, se considerarmos que o estádio Beira-Rio não estava cheio. O público foi de 30.008, em uma Porto Alegre com muita chuva. Uma final de Campeonato Gaúcho teria enchido mais o estádio. Porém, é compreensível. O acesso garantido e, para os 12 clubes chamados de grandes no país, o título da Série B normalmente é comemorado de forma constrangido.

O América não está entre esses 12 times e comemora o título como uma das conquistas da sua história. Sob o comando de Enderson Moreira, o técnico que terminou a campanha do rebaixamento na Série A, o time mineiro consegue uma campanha com recorde: 22.481 torcedores no estádio Independência, batendo recorde de público do novo palco, desde a reinauguração. O América volta à Série A logo depois de cair.

Uma das histórias da Série B é justamente do jogador que marcou o gol do título. O zagueiro Rafael Lima, 31 anos, era do elenco da Chapecoense em 2016, mas não estava relacionado para o jogo com o Atlético Nacional, no voo que acabou por ser fatal para 71 pessoas. O jogador se tornou o capitão do time e marca o gol que celebra uma conquista que é, sim, bem importante para o Coelho.

A campanha é de fato irrepreensível: 73 pontos, com 20 vitórias, 12 empates e cinco derrotas. O experiente Bill foi o artilheiro do time na Série B, nove gols. O time contou durante boa parte da campanha com duas revelações que se firmaram. Matheusinho, camisa 10 e um enorme talento, se machucou na fase final. É, sem dúvida, o jogador com mais potencial técnico no elenco. Messias, 23 anos, se firmou na posição ao lado do capitão Rafael Lima.

No bonde dos veteranos do time estão Gérson Magrão, 32 anos, que já atuou por times como o Cruzeiro, Flamengo, Santos, Figueirense, além de times do exterior; Bill, centroavante experiente de 33 anos, com passagens por muitos clubes; Luan, ainda vinculado ao Palmeiras, que jogou por empréstimo e tem 29 anos; Edno, 34 anos, que chegou em setembro e foi mais reserva que titular. Um que não é veterano, mas já jogou em times grandes é Renan Oliveira, ex-Atlético Mineiro.

O desafio para o América é conseguir fazer um time de Série A e sem ir além das suas capacidades financeiras. O momento é de comemorar e, então, começar a pensar em um time para brigar contra o rebaixamento. Sim, porque um time que sobe da Série B à Série A tem que pensar, antes de tudo, em não cair novamente.

Ao Inter, fica o gosto amargo de não ter vencido a Série B. Não que fosse um título comemorado, ou uma conquista memorável, mas é fato que o Inter é um time muitas vezes mais ricos que os demais e, por isso, é de se imaginar que consiga resultados melhores.

O Inter recebeu como cota de TV da Série B R$ 60 milhões; o Goiás recebe R$ 30 milhões; Figueirense R$ 6,4 milhões; Santa Cruz R$ 6,2 milhões; América Mineiro R$ 6 milhões; Náutico R$ 5,8 milhões; Londrina R$ 5,6 milhões; CRB R$ 5,4 milhões; Criciúma, Luverdense, Ceará, Brasil de Pelotas, Vila Nova, Paysandu, Paraná e Oeste receberam R$ 5,2 milhões; Boa, Guarani, ABC e Juventude receberam a menor cota, R$ 4,1 milhões. Os dados são do Blog do Cassio Zirpoli, no Diário de Pernambuco.

Essa divisão foi definida no conselho técnico entre os clubes e tem como base a posição dos clubes na temporada anterior. Isso para os clubes sem um contrato assinado com a Globo, como é o caso de Inter e Goiás (e por isso que recebem tanto).

Com esses números, fica fácil ver que o Inter era, de longe, o favorito. Seu orçamento é de time de Série A. Aliás, de time grande na Série A, já que alguns times na Série A não recebem esse total. O maior fracasso, pensando no dinheiro que recebe de TV, é do Goiás, que ficou longe de conseguir uma vaga na primeira divisão. E o maior feito é de Paraná e Ceará, que sobem estando na segunda menor cota.

América Mineiro, Internacional, Ceará e Paraná disputam a Série A em 2018, recheados de esperanças. Resta saber quem fica na Série A, já que a disputa contra o rebaixamento está muito intensa.