Havia o peso histórico, as duas camisas tradicionais, os elencos caros. Mas faltou futebol no incensado Palmeiras e Boca Juniors pela Copa Libertadores. Foram 89 minutos de sono para, enfim, dois minutos insanos, que acabaram definindo o placar no apagar das luzes. O empate por 1 a 1 sai mais cômodo aos xeneizes. Amarraram a partida, não se expuseram tanto e buscaram a igualdade quando a derrota até parecia consumada – ainda que o time de Guillermo Barros Schelotto não tenha feito um bom jogo. Ao Palmeiras, resta o lamento pelo resultado que escapou por entre os dedos e por outra atuação vagarosa, que só melhorou a partir das alterações no segundo tempo.

“Emoção” foi uma palavra em falta durante o primeiro tempo no Allianz Parque. Durante os minutos iniciais, até se esboçou uma partida aberta, com os dois times acelerando suas ações. No entanto, isso durou pouquíssimo, com o jogo logo travando na intermediária. As faltas aconteciam em excesso, com os alviverdes exagerando por vezes na força (Felipe Melo, como sempre) e o árbitro também irritando pelas marcações constantes. E a ausência de qualidade técnica sangrava os olhos, com as duas áreas praticamente imaculadas.

Nenhum dos times conseguia construir jogadas ofensivas, os erros aconteciam corriqueiramente, a bola parecia queimar nos pés. Difícil mesmo citar um destaque positivo, entre tanta gente que foi mal. Chances de gol, raríssimas, limitadas a bolas cruzadas e a um chute torto de Lucas Lima no finalzinho. Foram míseras três finalizações na etapa inicial, duas palmeirenses. E a torcida que começou a noite com uma belíssima festa, empurrando a equipe e criando uma atmosfera de Libertadores, não demorou a indicar sua insatisfação.

Na volta para o segundo tempo, o jogo melhorou um pouco. O Palmeiras tinha mais iniciativa e se colocava no campo de ataque. Faltava mais inventividade, com seus protagonistas ainda falhando, enquanto a defesa do Boca Juniors mantinha a segurança. Aos 12 minutos, Roger Machado gastou a primeira alteração, com Willian no lugar de Borja, em péssima noite. Já aos 21, Lucas Lima também saiu, sob vaias, para a entrada de Moisés. A equipe possuía mais movimentação, só que não tinha repertório. Esperava uma individualidade ou o erro dos xeneizes, que quase aconteceu aos 22. Na linha da pequena área, Bruno Henrique isolou.

Já aos 25, o Boca Juniors ganhou a presença de Carlos Tevez no ataque. Durante os primeiros instantes, o atacante logo se estranhou com Felipe Melo, no que parecia um foco de atrito. Mas nem isso a partida proporcionou. Os xeneizes tinham como sua principal alternativa as investidas com Cristian Pavón pelo lado esquerdo, explorando as dificuldades de Marcos Rocha na marcação, mas o jovem ponta não acertava o passe final.

Pouco utilizado no ano, Guerra ganhou uma chance aos 34. E na base da pressa, o Palmeiras seria mais incisivo na reta final do confronto. Keno era quem mais tentava e fez fila pela esquerda, em lance no qual Willian bateu prensado. Já o gol saiu aos 44. Leonardo Jara deu uma furada bisonha e a bola sobrou para Guerra. O venezuelano demonstrou sua maestria com um passe perfeito de trivela, para Keno completar dentro da área. Só que a euforia palmeirense gerou a desatenção, e o Boca empatou dois minutos depois. Antônio Carlos devolveu a cortesia e também errou um corte. Pavón chegou à linha de fundo e cruzou para Tevez escorar. Nas arquibancadas, vaias ao antigo ídolo dos rivais. E mais vaias ao apito final, diante da exibição abaixo da crítica.

Depois de tudo o que aconteceu na final do Paulistão, o Palmeiras não reagiu bem. Cometeu erros parecidos, com a falta de agressividade no ataque, e pareceu cansado. Perde dois pontos em uma partida na qual poderia ter maior sorte, caso conseguisse forçar um pouco mais. Neste momento, os alviverdes lideram o Grupo 8 com sete pontos, dois a mais que os xeneizes. Na próxima rodada, ambos voltam a se encontrar na Bombonera.