A Itália não passou de um empate por 1 a 1 com a Macedônia, jogando em Turim. Na prática, o resultado mudou pouco a classificação: a Azzurra vai pra repescagem, seja qual for o resultado. O que preocupa os italianos é o futebol. É o terceiro jogo consecutivo de um futebol pobre, que cria poucas chances de gol e, em dois jogos eliminatórios na repescagem, isso pode pesar. E correndo risco de cair no pote 2, o que pode complicar mais ainda, já que pode significar um duelo mais difícil.

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O jogo contra a Macedônia teve um gol de Giorgio Chiellini, ainda no primeiro tempo. Depois de um passe de Insigne, Immobile recebeu e cruzou rasteiro para o zagueiro, dentro da área, finalizar para dentro do gol. Foi uma das raras chances que o time criou.

A camisa branca da Itália parecia refletir a falta de cor do futebol do time. O técnico Giampiero Ventura pareceu não conseguir mudar o cenário. No intervalo, Bazargli deixou o campo para a entrada de Rugani. Uma mudança bastante conservadora, sem mudar o esquema tático. Depois, tirou Verdi e colocou Bernardeschi. Por fim, levou a campo Cristante no lugar de Gagliardini. Não fez nenhuma diferença. Claro que os jogadores possuem o seu papel nisso. Mas o time não parece ter alternativa tática alguma.

O esquema do time, em um 3-5-2, não funcionou. Os alas eram só laterais, pouco criativos, bem diferente do que fazia o ex-técnico Antonio Conte na Eurocopa 2016. Ali, os alas eram jogadores de outra característica: Candreva pela direita, Giaccherini pela esquerda. Desta vez, dois laterais marcadores: Zappacosta e Darmian.

Parolo e Gagliardini tentaram organizar o time no meio-campo, mas o ponto de salvação do time era sempre Lorenzo Insigne. Era o jogador do Napoli que dava alguma criatividade, mas ainda assim, muito pouca. Muito marcado pelo meio, a Itália tinha pouca criatividade. Os dois atacantes se tornaram basicamente inúteis sem que a bola chegasse. Immobile, exceto pelo gol que deu o passe, pouco recebeu a bola.

O gol de empate da Macedônia saiu já parte final do jogo, aos 32 minutos, quando Pandev deu passe para Trajkovski marcar. Curiosamente, dois jogadores que atuam na Itália. Pandev no Genoa, Trajkovski no Palermo. E por mais que a Macedônia também não tenha jogado grande coisa, não se espera muito da seleção dos Bálcãs. Da Itália se espera. É uma tetracampeã do mundo, afinal.

Com o tropeço, a Itália ficará pressionada. Precisa vencer a Albânia para não correr risco de ficar no pote 2 do sorteio da repescagem. E se isso acontecer, o time pode acabar sorteado, por exemplo, contra Portugal. Um risco que a Itália não pode se dar ao luxo de correr.

Na repescagem, a dificuldade promete ser grande. Neste momento, os times que nas posições para a repescagem, além da Itália (17ª no ranking da Fifa) são Portugal (3ª), Dinamarca (26ª), Irlanda do Norte (20ª), Gales (13º), Croácia (18ª), Escócia (43ª) e Suécia (23ª). Cair no segundo pote pode ser desastroso para a Itália. É preciso se cuidar.

Por tudo isso, Giampiero Ventura precisa pensar em alternativas táticas para a equipe. A crítica é se a Itália tem jogadores de alto nível para manter dois atacantes de área, como tem sido constante. Com os dois jogadores pelas pontas, como Insigne e Candreva, o time fica com quatro atletas mais ofensivos. Essa alternativa foi questionada na derrota para a Espanha, quando o time foi atropelado no meio-campo.

Contra a Albânia, a Itália precisa mostrar algo diferente. A boa fase de Immobile e os bons zagueiros parecem ser insuficientes para um time que produz tão pouco em campo. Precisa vencer primeiro pelo ranking. Depois, para começar a encontrar alternativas para o futebol ruim.

Montar o time em um 4-2-3-1, um 4-3-3, ou mesmo uma alternativa com o 3-4-3, mais parecido com o que faz Conte no Chelsea, que seja mais eficiente na volta da marcação e use mais os meio-campistas italianos. Há jogadores para atuar pelo meio. De Rossi e Verratti são os titulares, mas há Gagliardini, que atuou nesta sexta. Há os que nem estão sendo convocados, como Jorginho, voando no Napoli (e já cotado para ser chamado por Tite, já que é nascido no Brasil, ainda que viva na Itália desde adolescente).

Com mais uma atuação ruim, é preciso mudar, ou mudar de vez, já diria Fernando Vanucci. Ventura precisa pensar em alternativas valorizando os meio-campistas, jogadores que a Itália parece ter em maior quantidade. Se a Itália não procurar algo diferente, pode se dar conta do problema quando for tarde demais e tiver um confronto pesado na repescagem.