As últimas semanas de Neymar foram suas mais difíceis desde a chegada a Barcelona. Não que tenha acontecido algo espetacularmente ruim ao brasileiro, mas a sequência de partidas com atuações fracas, sem marcar nenhum gol desde 15 de fevereiro, somada a toda a polêmica de sua transferência, que teve novos capítulos nos últimos meses, tinha tornado tudo um tanto quanto complicado para o jogador. O protagonismo na vitória desta quarta sobre o Celta  por 3 a 0 vem em boa hora. Às vésperas dos confrontos de quartas de final da Liga dos Campeões e no momento em que o triunfo do Barça sobre o Real embolou de vez a briga pela ponta na Liga.

Depois das recentes experiências de Tata Martino, com Neymar jogando mais avançado ao lado de Lionel Messi, ou então atuando aberto pela direita, com Iniesta pela esquerda, o argentino voltou a escalar o camisa 11 esticado pela ponta esquerda. É compreensível a tentativa de buscar alternativas por parte do técnico. No flanco esquerdo, Neymar não vinha atuando muito bem, às vezes ficando muito preso na ponta, com pouca movimentação e participação efetiva nos ataques do time. Desta vez, no entanto, o brasileiro fez sua parte, ajudou a definir o jogo e saiu aplaudido do Camp Nou, que, de certa forma, começava a questionar sua contratação.

O primeiro gol foi bastante simples, à la Chicharito. Debaixo da trave, precisou apenas empurrar a redonda para a rede. No entanto, o segundo, que fechou o placar em 3 a 0, foi bastante bonito, especialmente pelo controle de bola e a calma para esperar o melhor momento para finalizar. Lançado desde a intermediária do próprio Barça por Alexis Sánchez, Neymar usou o peito e a cabeça para ajeitar a bola da melhor maneira e, marcado por dois defensores do time de Vigo, achou espaço para o chute.

Depois de cinco jogos sem participar de nenhum gol sequer do Barça em La Liga (tirando o pênalti que cavou contra o Real Madrid), seja com assistência ou ele mesmo balançando a rede, o camisa 11 fez dois, logo após ser duramente criticado por Johan Cruyff e ver a própria torcida votar para que Pedro ou Sánchez fossem titulares em detrimento dele, no clássico do último domingo vencido pelos catalães.

É verdade que as críticas do holandês têm mais um fundo político que técnico, e que torcedor é algo fácil de se mudar de ideia (ao ser substituído por Pedrito nesta quarta, Neymar saiu aplaudidíssimo). Entretanto, foi importante uma atuação como a de hoje para voltar aos trilhos e garantir maior tranquilidade na reta final da temporada. O Barça precisa de seu futebol, ele precisa estar bem no time, e a seleção brasileira necessita que seu craque e maior esperança para a Copa chegue voando ao Brasil dentro de alguns meses.