O ciclo da seleção chilena para a Copa do Mundo de 2018 foi o melhor da sua história. Pelo menos em termos de conquistas: dois títulos de Copa América e uma decisão de Copa das Confederações. No entanto, o capítulo final reservou uma decepção das mais amargas para a equipe de Alexis Sánchez e Arturo Vidal. Graças à derrota por 3 a 0 para o Brasil, em um Allianz Parque com recorde de público, pela primeira vez desde 2006, o Chile assistirá ao Mundial pela televisão.

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O desafio era complicado. O destino estava em suas próprias mãos, mas precisaria resistir à competitividade extraordinária do Brasil de Tite que, mesmo classificado com antecedência, tirou poucas vezes o pé do acelerador. Diante de 41 mil pessoas, resolveu a parada contra o Chile em dois minutos, no começo do segundo tempo, e selou a vitória com um segundo gol de Gabriel Jesus, mostrando que o atacante do Manchester City não se esqueceu dos melhores caminhos do estádio do Palmeiras.

O Chile teve uma quebra de trabalho quando Jorge Sampaoli foi para o Sevilla. Juan Antonio Pizzi assumiu para dar continuidade ao que seu antecessor estava fazendo. O desempenho não foi o mesmo, mas ainda serviu para ganhar a Copa América do Centenário, com aquele 7 a 0 sobre o México – que, observado agora, pode ter iludido muita gente -, e chegar à decisão da Copa das Confederações.

Nas Eliminatórias Sul-Americanas, no entanto, a equipe nunca decolou. Nem com Sampaoli, que comandou o Chile nas quatro primeiras rodadas, com duas vitórias e um empate, nem com Pizzi, que não conseguiu em nenhum momento ganhar duas partidas seguidas pela competição, sofreu um 3 a 0 do Paraguai, em casa, e só ganhou da Venezuela longe dos seus domínios.

Com esse retrospecto, seria difícil enfrentar o Brasil em São Paulo. A oportunidade foi o primeiro tempo, que foi em ritmo baixo, sem grandes chances de gol para nenhum dos lados. Renato Augusto teve uma boa ação de fora da área, e Gabriel Jesus criou uma grande chance pressionando a saída chilena. Recuperou e deixou com Neymar, que bateu em cima de Bravo. No fim da etapa, Renato Augusto cruzou da esquerda, e Jesus, livre, cabeceou mal, sem problemas para o goleiro do City.

No segundo tempo, a má fase de Bravo, que já na temporada passada virou reserva no clube inglês, apareceu: Daniel Alves cobrou uma falta que não exigia muito do goleiro, que bateu roupa. Paulinho conferiu. Dois minutos depois, Coutinho descolou um lindo lançamento do campo de defesa para Neymar, que precisou apenas rolar para Jesus voltar a marcar no Allianz Parque. No fim do jogo, já no desespero, Bravo foi para a área em uma jogada de bola parada e, no contra-ataque, Jesus recebeu de Willian e entrou com bola e tudo.

A campanha do Brasil tem que ser dividida entre a época de Dunga e a de Tite. Com o ex-treinador corintiano, ela foi impecável: dez vitórias e dois empates em 12 rodadas, e a classificação antecipada, que permitiu ao time entrar nesta alucinante última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas muito tranquilo. O Chile, por sua vez, sofre com um anticlímax muito cruel ao que deveria ser um ciclo de Copa do Mundo apenas de alegrias.