Messi contra Neymar. As duas principais seleções da América do Sul na final da primeira Copa do Mundo no continente em 36 anos. A derrota em casa para o maior rival ou o fim de uma fila incômoda no estádio do adversário. O jogo seria no Maracanã, o maior dos palcos do futebol. A expectativa por tudo isso morreu com a impressionante goleada da Alemanha por 7 a 1 sobre o Brasil. O resultado que deixou uma nação em choque também entristeceu os vizinhos. Até os argentinos estão lamentando a eliminação do time de Luiz Felipe Scolari.

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Não faltou talento ao Brasil. faltou time bem armado

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Os hinchas de Messi, Agüero e Di María interromperam a festa que preparam para a semifinal desta quarta-feira contra a Holanda para lamentar a derrota brasileira. Todos que conversaram com a reportagem da Trivela no Itaquerão queriam enfrentar o time da casa no Maracanã, no próximo domingo. Queriam que o Brasil vencesse. Alguns foram um pouco mais longe e se sentem realmente tristes pela decepção que o povo brasileiro sofreu. Do alto de seus quase dois metros de altura, Valdemar Madelaire, comerciante de 44 anos, apresentou outro motivo. “Preferia o Brasil à Alemanha, seria mais fácil”, explicou. “A torcida jogou contra, colocou muita pressão. O Brasil entrou com medo porque não tinha Neymar”.

É hora de manter a dignidade, é hora de abraçar a zoeira

Três torcedores tentaram resumir sete gols e uma tarde para se esquecer em uma única palavra. “Vergonha”, bradou o primeiro. “Inexplicável”, acrescentou o segundo. E “terrível”, completou o terceiro, Mauro Borgaminck, funcionário público de 40 anos e o único que desenvolveu um pouco o seu raciocínio. “Preferia final entre Brasil e Argentina. Queria ganhar do Brasil na casa dele, no Maracanã”, afirmou. “Eu fico triste pelas pessoas do Brasil, eu me sinto muito mal pelos brasileiros”.

Esteban Rendelstein, 27 anos, trabalha com aplicativos. Creditou a derrota da Seleção à falta de entrosamento da defesa que perdeu Thiago Silva, suspenso. Está triste, como 200 milhões de brasileiros, pelo sonho de uma final entre Brasil e Argentina não ter se concretizado. “Estou triste pelo futebol”, enfatiza, repetindo o nome do jogo umas três vezes para ter certeza que o interlocutor entendeu a mensagem.

O Brasil disputou sua Copa América particular para chegar às semifinais. Eliminou Chile e Colômbia, que passou pelo Uruguai. O resultado é que a Copa do Mundo da América do Sul tem apenas a Argentina como representante. E, para Roberto Fernandes, advogado de 52 anos, deveria ter pelo menos mais um membro vivo no torneio, para que a decisão pudesse ser apenas com times do continente. “Estamos na América do Sul. Não quero enfrentar europeus, quero enfrentar sul-americanos. Queria jogar com o Brasil”, confirmou.

Lucas Otero, editor de publicidade de 36 anos, também queria uma final Brasil x Argentina Não só ele. “O mundo queria. Não estou feliz. Tinha toda a esperança de vencer o Brasil. Pela primeira vez na minha vida eu queria que o Brasil ganhasse”, completa, expressando um sentimento que muitos argentinos também sentiram pela primeira vez.