Portugal Soccer Champions League Final

A derrota dói na pele, mas não diminui a alma deste grande Atlético de Madrid

Outra vez, os acréscimos finais. Como há 40 anos, acréscimos fatais. O filme certamente passou pela cabeça dos torcedores do Atlético de Madrid. Assim como aconteceu na final de 1974, os colchoneros tinham a taça da Liga dos Campeões nas mãos. Deixaram que ela escapasse no último lance, um empate que derrubou a equipe. No entanto, ao contrário do que aconteceu em Bruxelas contra o Bayern de Munique, os rojiblancos não perderam porque se abalaram psicologicamente. O time caiu de joelhos porque esgotou as energias contra um Real Madrid que era sabidamente superior. E o derrotismo que foi gerado quatro décadas atrás não precisa passar pela mente de um clube que termina a temporada de cabeça erguida.

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Dois minutos separaram o Atlético da glória. Quando o quarto árbitro levantou a placa de cinco minutos de acréscimos, os colchoneros sabiam que teriam dificuldades para se segurar. O Real pressionava com muita intensidade desde os 15 minutos do segundo tempo. Os jogadores de Simeone se jogavam a cada bola como se as próprias vidas estivessem em jogo. Porém, aos 48 minutos, quando Sergio Ramos subiu, ninguém conseguiu alcançá-lo. O gol que negava a afirmação de que o Atleti seria campeão.

Foi um baque. Depois de tanto suor, o Atlético de Madrid sofreu o gol. A equipe foi superior ao Real Madrid durante o tempo regulamentar. Entrou firme em cada dividida, não se furtou de cometer faltas, de usar a força física. O ponto de confiança de um time que chegou tão longe na temporada graças ao seu estilo aguerrido. E que dependia de um último esforço para a maior glória. Durante 90 minutos, os colchoneros mantiveram o nível, mesmo que a duras penas. Não suportariam a pressão na meia hora final.

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Pois o Atlético não deixou que o baque o abalasse. Ao contrário dos 4 a 0 do Bayern no jogo de desempate em 1974, os rojiblancos mantiveram-se firmes para encarar o Real Madrid por quanto tempo mais precisasse. Mas o vigor não se manteve, o corpo cobrou. Filipe Luís saiu de campo lesionado, Juanfran só permaneceu em campo porque não tinha substitutos. Cada cruzamento do Real Madrid era um martírio, afastado para longe pelos colchoneros. O gol de Bale, porém, foi o golpe que aquele lutador já debilitado sentiu. Não se recobrou mais. Marcelo e Cristiano Ronaldo o levaram a nocaute.

O placar elástico dói, tanto quanto aquele minuto angustiante no fim do tempo normal. Mas o Atlético sabe que fez o que estava em seu alcance. Jogou com a alma para tentar segurar a vitória. Apostou naquela que era a sua maior virtude, a solidez de sua defesa. Não conseguiu por muito pouco. O espírito de luta durou 120 minutos. A sensação da derrota, apenas 15.

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O prêmio que o Atlético mais queria, conseguiu conquistar. O título de La Liga representava a persistência durante 38 rodadas, a união da equipe. É lógico que Simeone e seus comandados também desejavam, e muito, a Champions. Era a chancela que precisavam para se afirmar que este é o melhor time da história colchonera, um dos maiores da Espanha. De qualquer forma, a derrota não apaga tudo o que o time fez. E, diferentemente de como foi em 1974, o Atleti não se distancia mais dos grandes com o vice. A forma como a equipe se doou só reafirma a grandeza dos rojiblancos.