Deschamps corta Ribéry e não arrisca um novo caso Zidane

A seleção francesa anunciou nesta sexta-feira que Franck Ribéry, com fortes dores nas costas, está fora da Copa do Mundo. Por lesão, a baixa do terceiro colocado na última Bola de Ouro é a principal do torneio, que já perdeu Falcao García, Ricardo Montolivo, Theo Walcott e outros jogadores importantes. O atleta do Bayern de Munique não atuou em nenhum amistoso de preparação e não entra em campo desde a final da Copa da Alemanha, em 17 de maio.

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Pelas informações que a federação divulgou, não havia mesmo condições de Ribéry atuar em alto nível durante a Copa do Mundo. Talvez Didier Deschamps pudesse convencê-lo a jogar no sacrifício, tentar se recuperar para as fases finais, mas uma história recente e parecida ainda deve pairar em cima da seleção francesa.

Em 2002, a França chegou como a principal favorita ao título e não conseguiu passar da primeira fase. Seu craque era Zinedine Zidane, que também estava com um problema físico – lesão muscular na coxa – e foi mantido no elenco por Roger Lemerre. Sem a menor condição de fazer as suas mágicas habituais, Zidane não entrou em campo nas duas primeiras rodadas da fase de grupos. Participou apenas da partida que decretou o fracasso francês, a derrota por 2 a 0 para a Dinamarca.

A questão não é o espaço que Zidane ocupou no elenco, mas a expectativa de que ele uma hora sairia do banco de reservas para salvar o dia, a insegurança de quem entrasse em seu lugar e a certeza de que o substituto estava ali apenas tapando um buraco. Sem falar em toda a pressão e discussão sobre quando ele vai entrar em campo, como apontou nosso colunista Fernando Moreira.

Deschamps já havia sinalizado que prefere um grupo coeso ao talento puro quando deixou Samir Nasri fora da convocação. Obviamente, não quer essa bagunça, essa falta de garantia, colocar as suas fichas no acaso. Cortou Ribéry porque as chances de ele estar 100% são mínimas. Aposta no talentosíssimo jovem Antoine Griezmann para a armação, de ótima temporada na Real Sociedad, e tem outras armas. Benzema talvez tenha feito sua temporada mais segura no Real Madrid, Pogba está voando e tem outros bons volantes ao seu lado – Matuidi e Cabaye.

É evidente que a Copa do Mundo da França sofreu um forte abalo. Uma eventual campanha de semifinal – ou até mais – dependeria muito de Ribéry, mas Deschamps não pode controlar as costas do jogador. E diante da adversidade, tem o dever de dar ao seu time a melhor chance de ir o mais longe possível. E avaliou que isso significa dar confiança a Griezmann a apostar em um Ribéry meia boca. Parece ter aprendido com o que aconteceu com seus antecessores e decidiu seguir a linha da prudência. E está correto.

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