Há momentos que definem a carreira de um jogador. No caso de Jefferson Farfán, a maior lembrança que ficará de sua história nos gramados é o gol contra a Nova Zelândia, que abriu o caminho para recolocar a seleção peruana na Copa do Mundo depois de 36 anos. Pois aquele tento parece ter marcado o início de uma fase imparável de La Foquita – em fenômeno parecido com o que aconteceu com Mohamed Salah. Desde o tento iluminado, o veterano não deixou mais de balançar as redes. São cinco partidas consecutivas deixando o seu, algo que não vivenciava desde fevereiro de 2007, quando despontava no PSV. Nesta quinta, com um belo toque por cobertura, ele fechou a vitória do Lokomotiv Moscou por 2 a 0 sobre Zlin, que confirmou o time nos mata-matas da Liga Europa.

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A boa sequência de Farfán começou um pouco antes da realização da repescagem. São nove gols nas últimas nove partidas, além de duas assistências. Neste intervalo, entretanto, ele passou em branco em duas ocasiões: no empate por 2 a 2 com o CSKA Moscou, pelo Campeonato Russo, e no jogo de ida contra a Nova Zelândia. De qualquer maneira, a marca é bastante expressiva para o peruano. Antes disso, suas dificuldades para anotar eram evidentes. De janeiro de 2015 a setembro de 2017, ele havia assinalado míseros 13 gols. Que as lesões tenham atrapalhado bastante no intervalo, as dificuldades do atacante iam além.

Curiosamente, os últimos nove gols tiveram pesos decisivos notáveis. Os dois primeiros saíram contra o Zenit, no jogo que colocou o Lokomotiv na liderança do Campeonato Russo, ultrapassando justamente o clube de São Petersburgo. Na liga nacional, ainda garantiria a vitória sobre o SKA Khabarovsk aos 48 do segundo tempo e sobre o Rubin Kazan aos 42 do segundo tempo. Já pela Liga Europa, foram quatro tentos em três partidas, botando os moscovitas nos mata-matas. E a cereja do bolo, claro, aconteceu vestindo a camisa da seleção peruana.

Além do mais, é interessante notar como nem mesmo o desgaste das longas viagens diminuiu a fome de Farfán. Desde então, ele fez um roteiro São Petersburgo-Moscou-Wellington-Lima-Moscou-Khabarovsk-Moscou-Zlin. Somente nestas pontes aéreas, o peruano percorreu mais de 54 mil quilômetros – e imaginando trajetos em linha reta entre as cidades. São cerca de 6 mil quilômetros voados por gol marcado. Apenas para efeito de comparação, a maior viagem da história da Libertadores, entre São Paulo e Tijuana, é de 9,7 mil quilômetros. La Foquita atravessou quase seis vezes esta distância, e em um intervalo de míseros 38 dias.

Com Farfán voando (literalmente e no sentido figurado), o Lokomotiv vive grandes expectativas na temporada. Passa na primeira colocação de seu grupo na Liga Europa e já sabe que irá para a pausa de inverno na liderança do Campeonato Russo, acumulando atualmente seis pontos de vantagem. Motivos para acreditar em grandes feitos e também para empolgar a torcida peruana. Afinal, com o craque do time tão aclimatado à Rússia, suas marcas podem se ampliar ainda mais na Copa do Mundo.