N’Golo Kanté é um dos jogadores mais eficientes do mundo quando se fala em marcação no meio-campo. Não é por acaso que ele recebeu o prêmio de melhor jogador da Premier League pela Associação dos Jogadores. Foi escolhido pelos colegas como o melhor da temporada passada. Normalmente ele brilha na marcação, mas neste sábado ele foi além. Foi dele o gol decisivo da vitória do Chelsea por 2 a 1 sobre o Leicester, fora de casa.

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O Leicester, comandado por Craig Shakespeare, veio montado no seu tradicional 4-4-2, com Marc Albrighton pela ponta esquerda, enquanto Riyad Mahrez ficou pela direita. No lugar de Danny Drinkwater, vendido justamente ao Chelsea – e que ficou no banco do time de Londres – entrou Matty James para atuar ao lado de Wilfred Ndidi. No ataque, a novidade doi Islam Slimani ao lado de Jamie Vardy.

O Chelsea trouxe a campo a formação 3-4-3 que fez sucesso na temporada passada. Cesc Fàbregas atuou mais à frente, com liberdade para armar o time e com os espanhóis Pedro e Álvaro Morata. No centro do campo, uma das contratações de Antonio Conte: Tiemoué Bakayoko, que jogou lado a lado com Kanté para formar uma dupla muito forte na marcação e que deu muita segurança ao time.

O Leicester que entrou em campo no King Power Stadium não era nem sobra daquele time forte que se tornou campeão inglês em 2015/16 e assustou todos os que foram jogar lá. Desta vez, com muitos espaços na sua defesa, o Chelsea aproveitou. O time de Londres esboçou algumas vezes uma jogada na área com Morata disputando com o zagueiro Wes Morgan pelo alto. Até que, já perto do fim do primeiro tempo, conseguiu abrir o placar. César Azpilicueta avançou pela direita e cruzou para Morata bater Morgan pelo alto e, de cabeça, marcar 1 a 0.

Morata vem dando conta do recado de ser a referência ofensiva do Chelsea. Em quatro jogos na Premier League (três como titular), são três gols e duas assistências. Ótima participação do camisa 9 dos Blues, que custou caro aos cofres do time de Stamford Bridge, € 62 milhões.

O placar era curto, mas a vantagem do Chelsea em campo era grande. O Leicester quase não ameaçava. O Chelsea não tinha apenas a bola: ficava com todas as oportunidades do jogo. Só que mesmo assim, o segundo gol saiu em mais uma expoisção dos problemas defensivos que Shakespeare terá que arrumar no Leicester. Kanté recebeu a bola na intermediária, sem marcação, e teve tempo de ajeitar, pensar e chutar. O disparo nem saiu tão forte, mas com tanta gente à sua frente, o goleiro Kasper Schmeichel demorou a pular e a bola entrou: 2 a 0.

O jogo tinha tudo para ficar tranquilo para o time de Conte. Curiosamente, não foi o que aconteceu. Aos 15 minutos, o goleiro Thibaut Courtois cometeu pênalti em Vardy. O próprio centroavante do Leicester cobrou forte para diminuir a diferença para 2 a 1. O jogo que parecia estar nas mãos do Chelsea escapou e se tornou perigoso. O Leicester, sem muita organização, é verdade, tentou o empate.

O problema é que os Foxes não conseguiram criar nada. Nem com as entradas de Andy Gray e Kelechi Iheanacho o time passou a ser mais perigoso. Vardy estava bem marcado pelos zagueiros do Chelsea, que recuou um pouco e melhorou no ataque com as entradas de Eden Hazard e Willian nos lugares de Pedro e Fábregas, que não iam muito bem no segundo tempo. O placar poderia ter sido ampliado, mas o Chelsea desperdiçou as chances que teve.

No fim, uma vitória por 2 a 1 do Chelsea que mostrou qualidades. O meio-campo da equipe de Conte ganhou muita força e marcação com Bakayoko ao lado de Kanté, lembrando um pouco do que era com Matic, vendido ao Manchester United. Fàbregas mostrou um bom futebol no primeiro tempo, dando mais uma opção a Conte para armar o time.

Com Willian e Hazard, que entraram bem, o time pode ter um ataque bastante veloz e habilidoso. E com Morata, o time ganha em mobilidade no ataque, ainda que perca em finalização e força que tinha com Diego Costa. O Chelsea tem força para ir aos primeiros lugares na tabela mais uma vez. Precisará saber vencer jogos como fez neste contra o Leicester.

Os Foxes, por sua vez, precisam tomar cuidado, porque a força defensiva do time campeão já tinha se desmanchado na temporada passada, mas foi parcialmente recuperada com Shakespeare. Nesta temporada, o time tem sofrido muito no setor e precisará fechar a torneira de gols sofridos, se não a ameaça de rebaixamento irá se repetir.