O Saint-Étienne atravessa uma verdadeira transformação na Ligue 1. O time que flertou com o rebaixamento ao final do primeiro turno e que tomou de cinco em casa no clássico contra o Lyon não existe mais. Os Verts contrataram muito bem na janela de inverno e, sem perder desde janeiro, deram um salto até o meio da tabela. A vitória sobre o Paris Saint-Germain no Estádio Geoffroy Guichard seria a coroação do bom momento, e ela estava nas mãos dos anfitriões até os 47 do segundo tempo. No entanto, uma enorme infelicidade gerou a lamentação do ASSE.

Durante o primeiro tempo, o Saint-Étienne teve uma atuação excepcional. Mesmo com menos posse de bola, foi muito mais incisivo e amassou o PSG. Basta olhar os números: os Verts totalizaram dez finalizações nos 45 minutos iniciais, contra apenas uma dos parisienses. Chance após chance, o primeiro gol saiu aos 17 minutos, em bola erguida na área que Rémy Cabella completou para dentro. E o camisa 10 jogou fora a oportunidade de fazer 2 a 0, em cobrança de pênalti na qual praticamente recuou para Alphonse Aréola. Já aos 41, para facilitar a situação, Presnel Kimpembe recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Com um a mais, esperava-se um baile ainda maior do Saint-Étienne no segundo tempo. E, de fato, os Verts criaram um punhado de boas chances, com direito a uma bola isolada por Jonathan Bamba dentro da área e uma defesa monumental de Aréola em chute de Oussama Tannane, que ainda bateu no travessão. Todavia, o time da casa não demonstrava a concentração necessária. Aos poucos, deixou o PSG também ameaçar, independentemente da desvantagem numérica.

O gol de empate deveria ter saído aos 32 minutos, em contra-ataque aberto do PSG. Não aconteceu porque Edinson Cavani desperdiçou o maior gol feito de sua carreira. Mesmo com a meta escancarada, o uruguaio bateu para fora, em chance que muitos fariam com os pés amarrados. Não se nega a qualidade do maior artilheiro da história dos parisienses, mas não são tão raros os seus erros bisonhos. Cavani ainda teria a chance de redimir nos acréscimos, exigindo uma defesaça de Stéphane Ruffier. Neste momento, até parecia que o resultado estava assegurado.

Ledo engano. Afinal, os desleixos custaram a comemoração do Saint-Étienne. Aos 47, Tannane perdeu uma bola boba no meio-campo, permitindo o contra-ataque do PSG. Os parisienses se lançaram com tudo e, ainda que o cruzamento da direita tenha saído sem direção, Mathieu Debuchy desviou para dentro, sem querer. Justo ele, um dos protagonistas na reação recente dos Verts, eleito o jogador do mês da Ligue 1 em fevereiro. O tento fez o ASSE desmoronar. O juiz não tinha apitado ainda o final da partida, mas alguns jogadores estavam caídos no gramado, como se tivessem perdido na morte súbita. O goleiro Ruffier gritava desesperado. Já Debuchy, desolado, se apoiava nas pernas que o traíram.

Apesar do empate, o PSG segue às vésperas de confirmar a reconquista da Ligue 1. O título pode sair até mesmo na próxima rodada, quando o time de Unai Emery recebe o Monaco no Parc des Princes. Já o Saint-Étienne ocupa a nona colocação, com 43 pontos. Caso os parisienses conquistem a Copa da França e redirecionem a última vaga para a Liga Europa ao sexto colocado na tabela, os Verts ficam a três pontos da zona de classificação à competição continental. Mas lamentando o que poderiam ter feito nesta sexta e não conseguiram.