Gerard Deulofeu despontou na base do Barcelona como uma grande promessa. Tamanha era sua brilhantura e sua capacidade de evoluir para ser um jogador de nível altíssimo que ele foi parar no sub-16 da seleção espanhola. Depois, foi subindo de categoria, até participar de uma das maiores gerações espanholas de futebol de base, a geração sub-19 de 2011 e 2012, com a qual venceu duas vezes seguidas a Euro. Na segunda vez, inclusive, ele faturou o prêmio de melhor jogador da competição. Mas Deulofeu acabou não vingando (pelo menos não o que se esperava dele) jogando por clubes, e, com isso, acabou não sendo convocado para a seleção principal da Espanha senão para um amistoso contra a Bolívia, antes da Copa do Mundo de 2014. Mas seus dias no Milan reacenderam uma luz sobre o espanhol, que foi convocado por Julen Lopetegui para enfrentar Israel e a França.

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“Estou muito contente pelo que estou vivendo no Milan. Estou fazendo um trabalho muito bom e espero continuar assim. Quero seguir fazendo o mesmo. Hoje sou mais inteligente, mais regular, e trabalho mais nas partidas do que nos treinos”, falou Deulofeu em coletiva de imprensa durante sua concentração com La Roja. A Espanha enfrenta os israelenses na próxima sexta, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo na Rússia, e a França, em jogo amistoso. “O Milan se interessou por mim desde o começo e eu não tive dúvidas [se queria ou não ir para o clube italiano]. Tive dificuldades para sair do Everton. E a forma como me trataram [no Milan] e a confiança que depositaram em mim foram a chave para esta convocação”.

Deulofeu chegou à Lombardia depois de dias e mais dias de tratativas entre os rossoneri e o Everton. Enfim, os dois clubes chegaram ao acordo de um empréstimo de seis meses. Desde que o atacante vestiu a camisa do Milan, as coisas andam fluindo muito bem para ele e para a equipe, que conta com a regularidade de um jogador excelente. Certamente o espanhol não teria sido chamado para a seleção se ainda estivesse no Everton, onde estava encostado e com pouca confiança. No Milan, ele não recuperou somente sua forma, a autoestima e a moral, como também trouxe de volta os holofotes para cima de si mesmo, sendo uma das principais peças desta segunda metade decisiva para o Diavolo. Em dez partidas, Deulofeu marcou um gol e deu três assistências.

Como o camisa 7 da equipe milanesa pode atuar por ambas as pontas, ele não tirou, tampouco ameaçou, a titularidade de Suso, que foi seu companheiro de time na base da Espanha. Os dois jogaram juntos em algumas partidas, mas o ex-jogador do Liverpool acabou sofrendo lesão muscular contra o Chievo Verona, fato que o manterá longe dos gramados por um tempo. Deulofeu, no entanto, continuou avançando pelo lado esquerdo do ataque rossonero, o qual agora é comandado por ele, Lucas Ocampos e Carlos Bacca. Muito se fala sobre a lesão de Suso ter sido o mote da convocação de Deulofeu, já que o camisa 8 vinha tendo performances bárbaras e fazendo-se primordial ao time desde o início da temporada e, em tese, teve mais minutos em campo em 2016/17 mostrando serviço do que Gerard, ainda que ambos estejam em fases excelentes.

Em virtude desse período de recuperação e ação de Deulofeu no Milan, o jogador disse que, por ora, não está pensando no que vai acontecer quando seu empréstimo terminar. “Só estou pensando no presente. No futebol, aprendi que temos que esquecer o passado e que o futuro chegará. Agora é o momento de pensar na seleção, em buscar regularidade e ganhar minutos. E pensar também no Milan. O que tiver que acontecer depois, acontecerá. Jogadores como a gente precisam pensar no hoje, porque, se não, a gente perde a cabeça. Esses dias são importantes. O futuro chegará”, declarou o espanhol ainda na coletiva, referindo-se a um possível retorno ao Barcelona, que pode exercer opção para comprá-lo ao final da temporada.