Vamos até o limite e enquanto o urso não promover o toss em Moscou vai ter Campeonato Brasileiro, correndo contra o tempo, emendando uma rodada na outra e dormindo na nove para acordar na dez. Tá legal, campeonato, mas o senhor combinou com os russos? Bom dia!  

1

A diferença de um jogador com confiança acima da média na bola parada. A Chapecoense perdia por 2-1, de virada, fora de casa, quando teve um jogador expulso ainda na parte final do primeiro tempo. Cenário pavoroso, pressão do Atlético-MG, banco da Chape revoltado. Arthur recebe uma bola ainda longe da área e espera a falta, porque quando cai parece já ter certeza que a jogada é a melhor opção possível para um respiro do time. Que batida, entrando forte, no canto, saindo de Victor. Três gols de falta em nove rodadas é muito. Golaço.

2

Se Zé Ricardo chega completamente desgastado na nona rodada da competição mais importante da temporada – ao menos deveria ser, não? – tem algo de errado menos com o Zé Ricardo e mais com a temporada. Incrível como chegamos na metade do turno com os times já no limite da paciência. Insustentável.

3

Bom o papo, coletiva cá, coletiva lá, entre Mano e Renato. Sabem o que querem, gostam de falar sobre o jogo e, exageros de personagem à parte, promovem as partidas, parecem desfrutar do futebol, seja de qual forma for. Mano reclama de quem reclama da retranca, numa jornada que o time do Renato foi meio… Mano: contra o Bahia, os gremistas tiveram menos controle de passes, menos domínio de bola, e mataram o jogo nas poucas espetadas. Tem assunto no futebol brasileiro. Não entremos na onda do GC sensacionalista ou do apresentador bobo promovendo treta onde não houve.

4

Tem algo de rotineiro no que acontece com Serginho, do América-MG. Campeão da Copinha pelo Santos, estreou no time de cima semanas depois, pouco antes de fazer 19 anos. Foi emprestado ao Vitória, ao Santo André, ano passado fez meia dúzia de jogos na Série A pelo Peixe e agora se encontrou no Coelho, sete gols no ano, quatro no Brasileiro. Tem 23 anos, é bola, e é a lembrança que cada jogador tem seu tempo de maturação. Dono do jogo domingo, talvez como nunca foi neste nível no clube paulista.

5

Aberta a temporada de teorias sobre Diego. Que loucura, ou coincidência, ou sabe-se lá o quê, mas como jogou bola essa semana. Para além das estatísticas ou mapas de calor, um camisa 10 às vezes tem de botar a bola debaixo do braço e gritar para um Maracanã lotado: olha, o jogo tá debaixo do meu nariz! Esteve. Um grandioso jogo de ponta de lança à moda antiga, solto, pensando um rastro de segundo antes do resto do campo.

6

Essa coluna milita pela valorização do Campeonato Brasileiro quando se dá conta que o líder de pontos e de público na tabela atual terá em agosto NOVE jogos, sendo QUATRO pelas Copas contra, simplesmente, Grêmio na local e Cruzeiro na continental. Vai poupar onde, né? Insano.

7

Moisés é bola. Poucos meio-campistas no país – Maicon, Arthur, Diego – assumem a bronca de carimbar cada posse do time e fazê-lo de área a área, não se limitando a ser o volante que toca e torce para o ponta se virar nem o meia que joga enfiado para finalizar. Fez um Choque-Rei à moda do título brasileiro de dois anos atrás, inteiro no campo.

8

O primeiro tempo de Palmeiras x São Paulo teve 21 faltas. O primeiro tempo de Boca Juniors x Palmeiras teve 9. A diferença fica um tanto na conta da arbitragem – como travam o jogo aqui! – mas os clássicos paulistas andam um pelinho acima na pegada. Gosto do jogo quente, mas é muito atropelo e muita chegada atrasada, falta cantada antes do bote.

9

Os técnicos são responsáveis por arrumar os times, mas talento brilhando também acerta onze sem confiança. Rodrygo fez três gols em dez minutos, para todo o gosto de quem for montar o DVD – faro de gol impecável, um contra um impecável e e agilidade no deslocamento na área. À parte a camisa azul (camisa três em casa na liga… não!), jogo para não esquecer. Vamos ver quanto dura no nosso campeonato de aspirantes à Europa.

10

Bem-vindo de volta, Paraná! E espero que não esteja tão ruim, ou ao menos nos desculpe pela agenda insólita: três jogos de segunda-feira e dois de domingo de manhã. O time de Micale ganhou a primeira, largou a lanterna e agora pega o Bahia para, quem sabe, respirar um pouco antes da parada da Copa. A torcida merecia, mas a ladeira segue íngreme.