ANÁLISE: Não faltou talento ao Brasil, faltou um time bem armado

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1- Futebol é talento, mas também é treino

Se isso vale muito para o sistema ofensivo, vale 100% para o defensivo. Durante a Copa, primeiro treino tático do Brasil foi antes da semi-final. Se nos primeiros jogos a capacidade técnica de Thiago Silva e o voluntarismo de Neymar – com alguma proteção de Luiz Gustavo – foram capazes de garantir, quando Thiago deixou o time e a defesa se viu exposta, o time entrou em parafuso. Do outro lado, uma Alemanha bem treinada sabia exatamente o que fazer com a bola.

2- Desde o primeiro jogo é evidente que Fred não tem condições de ser titular

Mesmo assim, Felipão o manteve no time. Não há qualquer critério pelo qual se explique a presença do atacante do Fluminense em campo. Fred não é habilidoso, não se movimenta para abrir espaço para os outros atacantes e nunca conseguiu ser goleador em nenhum campeonato que não fosse o Brasileiro – no qual Dimba foi mais goleador do que ele. Mesmo assim, Fred foi soberano na escalação.

3- Se a aposta era no coletivo, Felipão devia ter fechado o time, não aberto

Sem Neymar e contra um time alemão bem montado e com numerosos talentos individuais, o Felipão de antigamente teria fechado o time. Parecia não haver nenhum motivo para não ser assim. O inexplicável Felipão de 2014, entretanto, viu por bem abrir, expôs uma defesa que nunca foi segura – e que não tinha seu melhor jogador – e chamou para dentro o excelente meio-campo alemão. Podia ter sido pior? Parece que não, certo?

4- David Luiz é um figura, joga muito, mas não pode ser zagueiro

David Luiz é um líder, um baita jogador, mas tem uma deficiência tática conhecida de quem acompanha seu futebol na Inglaterra: não tem senso de posicionamento. Com sua qualidade e sua raça, isso não vinha sendo o problema na Copa, mas aflorou no momento do desespero. No primeiro gol, deixou Müller sozinho. Depois, perdeu-se em campo e não estava perto da jogada nos outros gols. Normalmente ele marcava alguém no meio-campo enquanto o ataque alemão ficava no mano a mano com Dante e um dos laterais.

5- Kaká tinha que estar no grupo

É compreensível que Felipão tenha evitado Ronaldinho e Robinho, ambos tiveram temporadas de medianas pra ruins, e sempre tiveram problemas de “atitude”. Kaká, entretanto, teve boa temporada no Milan, não se importaria de ficar na reserva e seria o cara pra tirar o peso da responsabilidade de meninos de 22 anos. Felipão optou por levar Jô.

6- Escalar Bernard não fazia o menor sentido

Na única partida em que tinha jogado na Copa, Bernard não fizera nada. O ex-jogador do Atlético nunca demonstrou capacidade de atuar em alto nível antes da Copa, e durante ela deixou claro que não demonstraria mesmo. Ainda mais contra um time alemão forte, contra jogadores que simplesmente paravam em sua frente e ele caía. Evidentemente, não deu certo.

7- Felipão convocou mal

O reserva de Marcelo é Maxwell, e Felipão levou Jô para uma Copa do Mundo. Felipão optou por medalhões (Daniel Alves, Julio Cesar) talvez por motivos místicos. A mística, porém, falhou.

8- Equilíbrio emocional do time era precário desde o primeiro jogo, o oposto de 2002

Felipão era considerado o mestre da motivação, isso não apareceu em nenhum momento. Jogadores como Oscar e Paulinho simplesmente não apareceram para jogar. Felipão, entretanto, continuou apostando neles, e jogando responsabilidade no colo deles. Felipão, que nunca foi um mestre da tática, parece ter perdido o toque mágico da motivação. O Brasil foi um time nervoso e derrotado desde o primeiro jogo. Ter chegado à semifinal entra na conta da sorte e do peso da camisa diante dos adversários sul-americanos.

9- Seleção não só não teve variação de esquema, não teve nenhum esquema

Também desde o primeiro jogo está claro que o esquema da seleção era “fecha atrás e joga pro Neymar”. Só que o fecho foi mal feito, e Neymar não jogou nada nem contra o Chile nem contra a Colômbia. Talvez com Neymar em campo o vexame fosse menor, talvez não.

10- Jogadores que tinham que ter aparecido se omitiram

Neymar não jogou contra a Alemanha pela contusão, mas também não jogou contra o Chile, e contra a Colômbia atrapalhou mais do que ajudou, preocupado em fazer jogadinhas de efeito. Paulinho se perdeu no meio da expectativa, e nunca mais se encontrou. Lamento dizer que estava correto neste caso, mas Oscar mostrou nesta Copa por que se duvidava dele desde sempre. Por fim, David Luiz, herói da classificação nas quartas, foi um desastre completo na semi-final. Não pode ser coincidência, não pode ser culpa só dos jogadores. Alguém os escalou, alguém conviveu e conversou com eles durante dois anos.

A bruxaria falhou, e o Brasil sai da Copa da maneira mais humilhante possível. Pior: não leva nada de positivo para o futuro. É hora de reformular, mudar ou… mudar de vez.

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