Segura a onda que entre as faltas de assunto da seleção brasileira se preparando em casa – Londres! – , o Campeonato Brasileiro, um estorvo maravilhoso, segue voando. Bom dia!

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Impressionante a recolocação no mercado de Jorginho, ex-lateral da seleção. Encerrou o contrato com o Ceará às 11h30, saiu para almoçar ainda em Fortaleza e o telefone ligou antes do prato principal. 13h30, era o Vasco. Incrível. Case para sites de busca de emprego.

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Se o Campeonato Brasileiro tivesse pegando em fevereiro, antes dos últimos amistosos-teste, daria para Vinicius Jr ou Paquetá não terem chance no time do Tite? O calendário que se autoboicota reflete na seleção, e os (poucos) grandes talentos do Brasil explodem quando a temporada para a Copa já foi para o brejo – pior, não só o Mundial, como a janela de transferências da Europa, cortam em picadinhos nossa Série A.

3

Curioso para ver o meio-campo da Colômbia na Copa, porque se o Cuéllar é dispensável, olha, rapaziada por lá deve estar correndo muito. Fla-Flu gigantesco do flamenguista.

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Felipe Bastos, Marlone, Rafael Marques… não gosto muito da forma com que alguns times com orçamento menor que os do Sudeste às vezes acabam reféns das sobras, daqueles caras que saem dos gigantes sem deixar saudades na torcida. Me parece que chegam a Recife ou Salvador, por exemplo, valendo mais do que realmente entregam. Por isso, esse Sport é a boa surpresa do campeonato até aqui. Juntando essa turma – eu jamais contrataria Michel Bastos, por exemplo –  e fazendo dar liga. De olho.

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É bola o Gustavo Blanco. Resolve as jogadas com muita facilidade, e faz o campo todo querendo bola, carimbando as jogadas. Maior garçom do Brasileiro, jogando leve, acertando a maioria das escolhas. Vale.

6

Cada vez mais difícil, pelo que foi se tornando o futebol, bancar o centroavante passivo, esperando o jogo acontecer e se escalando ‘porque quando a bola chega nele é gol’. Geralmente não é – nenhum deles é Romário. Acho, por exemplo, o Flamengo pior com o Henrique, tal qual o Corinthians pior com Roger, e também não gosto da atual posição do Diego Souza. Dá para imaginar Borja melhor que o Willian?

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Beleza de jogo em Porto Alegre, entre dois times que estão fortes nas três competições. Os melhores jogos do Palmeiras são fora de casa – Itaquera na ida da final estadual, Bombonera e Arena do Grêmio: menos pressão psicológica?, contra-ataque muito rápido?, joga melhor sem a posse de mandante? Um pouco de tudo. Fato é que o time anda mais seguro quando visita jogo grande.

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Golaço do Neílton. Mais um que parece ter ido maturando aos poucos, se livrando da insuportável alcunha de novo Neymar para encontrar essa confiança em fazer gol de tudo quanto é jeito. Pingou na canhota, na meia-lua, e caixa. Três pontos.

9

A teimosia iguala os bons e os ruins, os inventivos e os medíocres. No fim das contas é um jogo, e saber jogar o que o jogo pede é tão fundamental quanto ter ideias bem definidas. O Atlético-PR acertou mais que o dobro de passes do Sport, coisa de 500 para 220, e colocou três chutes na direção do gol. Gosto do Fernando Diniz e acho que tem de trabalhar uma temporada toda – nem que seja para quebrar a cara. Mas não ganhou nenhum jogo fora com o boné do Furacão. Experimenta outras coisas, oras.

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O pior é que o Campeonato está bom. Rússia x Arábia Saudita vão ter que suar muito na ressaca de Palmeiras x Flamengo, de Sport x Grêmio. Se vira, Copa.

*ps: sugestões para a coluna durante o Mundial?