A sexta-feira já é de Campeonato Brasileiro. Afinal, a Série B começou com tudo, com quatro partidas na abertura da competição. E não se pode reclamar da emoção nestes primeiros confrontos, graças ao bom número de gols e à emoção a rodo. Já teve virada, já teve pintura, já teve vitória com gol de falta nos acréscimos. E em um torneio que costuma transbordar sua intensidade, sobretudo na briga pelo acesso, vale ficar de olho em algumas histórias. Abaixo, separamos destaques que, de certa maneira, englobam o mapa do campeonato e trazem um pouco sobre as perspectivas de quase todos os times. Neste sábado, devemos apresentar também os jogadores rodados que figurarão em campo. Confira:

– O fôlego dos times

A Série B em 2017 foi bastante maluca. No início da campanha, Guarani e Juventude saíram em disparada, liderando durante parte do primeiro turno. Não mantiveram o fôlego, ficando pelo meio do caminho. Será interessante notar como será o planejamento dos times neste sentido. Se na Série A, muitas vezes, o melhor do turno inicial termina com a taça (até porque outros candidatos dividem atenções com Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana), na segundona não existe muito essa conversa. E o sprint final costuma ser essencial.

– O Dérbi Campineiro

Em 2017, o Guarani retornou à segunda divisão nacional depois de um longo inverno na Série C. E agora se reencontra com a Ponte Preta, rebaixada na primeira divisão. Apesar da rivalidade ferrenha, certamente será um clima especial, depois de cinco anos sem o Dérbi – muito por conta da peregrinação dos bugrinos também pela Série A-2 do Paulistão. A empolgação do lado verde é evidente, até pela conquista da segundona estadual. Depois de uma campanha em que acabou o gás no meio da Série B passada, as expectativas são de mais estabilidade. Já a Ponte passou por um período de reformulação e não teve bom começo no Paulista, apesar da recuperação que valeu o título do interior. Na última vez que foi rebaixada, logo voltou à Série A. Mas desta vez não poderá contar com o calor de sua torcida no início da campanha, em punição que manterá os portões fechados nos seis primeiros compromissos.

– O Clássico das Multidões

E se o Dérbi Campineiro reacende, em Maceió outro clássico volta à tona, subindo o sarrafo nas divisões nacionais. O CRB x CSA segue acontecendo com frequência no Alagoano, mas terá uma pimenta a mais na Série B. Neste ano, os azulinos venceram a queda de braço pelo estadual, encerrando o jejum que durava dez anos. Já na segundona nacional, a tendência é que ambos mantenham os pés no chão, buscando a permanência. Campeão da terceirona, depois de um longo período de incertezas, o CSA deseja segurança – inclusive financeira. O CRB, por sua vez, correu riscos no último ano. Desta vez, vem com uma base consolidada, apesar da frustração na decisão do Campeonato Alagoano.

– Goiânia e a sua tríade

Nenhuma outra cidade possui mais representantes nesta Série B. Com a queda do Atlético, são três os clubes de Goiânia. O Goiás faturou mais um título estadual e possui um dos orçamentos mais altos da segunda divisão, mas a frustração recente é inegável. Os alviverdes sequer brigaram pelo acesso nos dois últimos anos, desde que caíram. Bem pior, terminaram na parte inferior da tabela, até correndo risco de rebaixamento. O eterno Hélio dos Anjos segue à frente do time. O Atlético, por sua vez, passou por mudanças e não impressionou no estadual. Precisaria de uma surpresa, tal qual aconteceu em seu acesso em 2016, quando o Estádio Olímpico foi uma das forças. Já o Vila Nova desperdiçou a chance no último ano, quando empolgou sua torcida, mas ficou a um triz do acesso. Não chegou à final do Goiano, embora tenha feito investimentos consideráveis.

– A redenção de Santa Catarina?

Aos poucos, a “febre catarinense” na primeira divisão do Campeonato Brasileiro passou, com a Chapecoense sendo a única a resistir. E são três times com seu histórico recente na elite figurando nesta Série B, buscando o retorno. O Figueirense está um passo à frente, após conquistar o estadual. Sob as ordens de Milton Cruz e com algumas figurinhas carimbadas, não deve passar apuros como no último ano. O Criciúma é comandado por Argel e, depois de um início de ano pouco animador, conseguiu emendar vitórias nas últimas semanas. A permanência já satisfaz, considerando o investimento mais baixo. Por fim, o Avaí desceu no último ano e perdeu destaques, mas segurou boa parte da base. Inclusive, continua com Claudinei Oliveira, justamente o responsável pelo acesso em 2016. Olho também na base, sempre um dos triunfos do Leão em suas campanhas.

– O que será do Fortaleza

O pesadelo acabou. A espiral cósmica que prendia o Fortaleza à Série C, enfim, foi rompida. E não se nega a animação em torno do time para esta segundona, por mais que não tenha feito campanhas longas no primeiro semestre. É um grupo em reformulação, tanto pela contratação de novos jogadores quanto pelo comando de Rogério Ceni, que naturalmente deverá atrair as atenções por sua nova empreitada nas divisões nacionais. A torcida tende a levar bons números ao Castelão, principalmente se o time engrenar. Já no ataque, Gustagol vive uma fase inspiradíssima. Basta ver o que aconteceu neste primeiro jogo, com um golaço de falta para determinar a vitória sobre o Guarani aos 48 do segundo tempo. Segundo admitiu em entrevista de campo, Ceni teve influência ao ajudá-lo nos treinamentos.

 

– Paysandu, Sampaio e a expansão do mapa

Também ao norte do mapa, dois representantes de massa na Série B, de estados que há um bom tempo não figuram na elite. E que, no entanto, não têm conseguido engrenar em suas últimas aparições na segundona. Paysandu e Sampaio Corrêa possuem dois acessos na Série C durante está década (com ainda um na Série D aos maranhenses), mas vivem na gangorra quando almejam mais. O Papão fez uma boa temporada em 2015, mas permaneceu no meio da tabela durante os dois últimos anos. É um time que contratou bastante para o ano e oscilou nas competições que disputou, tentando uma continuidade a partir da Série B. Já a Bolívia Querida volta da terceirona tentando ficar, com ambições modestas. O time começou bem o ano, caindo de rendimento nas últimas semanas. É um elenco jovem, que ganhou reforços de última hora.

– O Coritiba já vai voltar?

Este é o terceiro rebaixamento do Coritiba desde que o Brasileirão passou a ser disputado por pontos corridos. E o Coxa não demorou a demonstrar sua força nas quedas anteriores. Embora não tenha voltado imediatamente em 2006, terminou com grande campanha em 2007. Já em 2010, outro retorno relâmpago, com mais um título da segundona. Até pela estabilidade do clube na elite, aparece como um dos favoritos. Mas os investimentos foram com cinto apertado, confiando mais em quem vem das categorias de base. Está longe de ser um daqueles times que comete loucuras para se recolocar na elite.

– A tradição que vem do interior

No Sul e no Sudeste, o interior está bem representado por clubes que possuem sua história e, quem sabe, podem descolar uma surpresa. O Brasil de Pelotas é quem mais chama atenção. Treinado por Clemer, chegou à final do Gauchão, embora não tenha oferecido resistência ao Grêmio. Outro representante do Rio Grande do Sul, o Juventude passou por mudanças após decepcionar no estadual, comandado agora por Julinho Camargo. No elenco, várias figurinhas carimbadas. Por falar nisso, o Londrina poderá formar uma dupla de ataque com Dagoberto e Keirrison. Depois de um começo de ano inconsistente, é uma aposta para buscar o acesso, que ficou tão próximo no último ano. E vale dar uma olhada também no São Bento, que emendou a sua segunda promoção seguida, embora não planejasse uma ascensão tão meteórica. A campanha no Paulistão acabou cedo, mas rendeu vitórias contra São Paulo, Santos e Corinthians. Paulo Roberto Santos, técnico mais longevo do Brasil, segue com as rédeas. Menos “tradicionais”, ainda há Oeste e Boa Esporte. Os paulistas vêm da A-2, mas brigaram pelo acesso no último ano e começaram bem a atual campanha.

– Quem resistirá à fogueira?

Se a Série A costuma queimar técnicos em profusão, a Série B consegue ser ainda mais prolífica. A pressão por resultados, numa briga que envolve acesso e degola, não perdoa sequências ruins. Mesmo times que subiram no último ano trocaram de comando no meio de caminho. E não tende a ser diferente desta vez. Em 2017, nada menos que 32 treinadores perderam o emprego ao longo das 38 rodadas, uma média insana. E considerando o equilíbrio na competição, a paciência dos dirigentes pode ser ainda menor.

Uma pitada de Série C

A Série C também possui seu charme neste ano. No Grupo A, olho nos pernambucanos em busca da recuperação. Santa Cruz e Náutico entram pressionados, embora o Timbu venha do título estadual. O estado ainda tem o Salgueiro, que passou pela Série B nesta década. ABC, Botafogo e Confiança são outros tradicionais do Nordeste, enquanto o Norte, além do Remo, contará agora com o Atlético Acreano – que subiu na Série D passada ao lado de Globo e Juazeirense, ambos estreantes na terceira divisão nacional.

Já no Grupo B, o cardápio é amplo. Sete estados diferentes estão representados. O Centro-Oeste conta com Cuiabá (o único clube de capital) e Luverdense. No mais, uma luta interiorana que inclui Botafogo de Ribeirão Preto, Bragantino, Joinville, Operário Ferroviário, Tombense, Tupi, Volta Redonda e Ypiranga de Erechim. No mata-mata em 2017, o Grupo A levou a melhor sobre o B. Foram três promovidos nos confrontos diretos das quartas de final.