Para que servem mesmo os Campeonatos Estaduais? Mesmo os defensores mais ferrenhos desses torneios se pegam questionando o protagonismo que eles adquiriram no calendário brasileiro. Raramente podem ser usados como parâmetro para o Campeonato Brasileiro e, este ano, não chegaram nem perto disso. Mas houve bola rolando (até demais) e alguns jogadores que aproveitaram as partidas para ganhar moral, espaço na equipe e chegar em alta para o Campeonato Brasileiro. Listamos dez.

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Jaílson (Palmeiras)

Jaílson, do Palmeiras (Foto: Getty Images)

Roger Machado começou a temporada com um dilema. Precisava escolher o seu titular entre três goleiros de alto nível: Fernando Prass, ídolo da torcida, talvez o maior de tempos recentes; Weverton, contratado do Atlético Paranaense por uma boa grana e campeão olímpico; e Jaílson, de curta carreira em alto nível, mas um dos responsáveis pelo título brasileiro de 2016. Foi surpreendente a escolha por este último, o menos renomado do trio, mas, no fim, mostrou-se acertada. Jaílson segurou a barra em várias partidas e brilhou na decisão de pênaltis das semifinais. Agora, poucos questionam sua titularidade. Se é que ainda sobrou alguém.

Arthur (Ceará)

Arthur, do Ceará (Foto: Divulgação)

Depois do título do Campeonato Cearense, a melhor notícia da semana para o Ceará foi a renovação de contrato do atacante Arthur. O vínculo com o Vovô foi estendido até 2021, com um salário multiplicado em 25 vezes – anteriormente, ele ganhava apenas dois salários mínimos por mês. O jogador de 19 anos foi essencial para o primeiro semestre do clube, com 16 gols marcados em todas as competições, empatando com Gustavo, do Fortaleza, como maiores artilheiros do território brasileiro. E os últimos dois tentos saíram justamente no primeiro jogo da final, contra o grande rival do Ceará.

Adílson (Atlético Mineiro)

Adílson, do Atlético Mineiro (Foto: Getty Images)

Adílson chegou ao Atlético Mineiro no começo do ano passado. Uma contratação modesta entre as estrelas às quais o Galo estava acostumado. Havia passado seis anos no Terek Grozny, da Rússia. Ganhou a posição aos poucos, jogando mais na segunda metade do Brasileirão, e aproveitou muito bem o Campeonato Mineiro. Foi uma rocha no meio-campo e se credenciou para a seleção do torneio estadual. Aos 31 anos, começa um novo Brasileirão como um dos pilares da equipe de Thiago Larghi.

Neílton (Vitória)

Neílton, do Vitória (Foto: Getty Images)

Este rodou. Apesar de ter apenas 24 anos, já tem Santos, Cruzeiro, Botafogo e São Paulo no currículo. Parece, porém, estar se firmando no Vitória. Chegou ano passado, após ser dispensado pelo Tricolor do Morumbi, e já foi um dos melhores jogadores do time no Brasileirão, vice-artilheiro do time com sete gols. O Campeonato Baiano serviu para se consolidar. Está com o faro de gol em dia. Foi o maior goleador do estadual, com sete tentos, e marcou três na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste. Tem 13 no total.

Carlos Eduardo (Paraná)

Carlos Eduardo, do Paraná

Foi muito difícil o começo de Campeonato Paranaense do Paraná. Apenas uma vitória no primeiro turno e o fantasma do rebaixamento pairando sobre a Vila Capanema. O returno foi muito melhor. O Paraná liderou o seu grupo com quatro vitórias e um empate. A diferença, além da chegada do campeão olímpico Rogério Micale, foi a contratação de Carlos Eduardo, aquele de Grêmio, Hoffenheim e Flamengo. Ele tomou conta do meio-campo e elevou o patamar da equipe.

Renan Lodi (Atlético Paranaense)

Renan Lodi, do Atlético Paranaense (Foto: Getty Images)

Mais uma vez, o Atlético Paranaense poupou todos seus principais jogadores e utilizou uma equipe C no campeonato estadual. Ainda assim, foi campeão, e um dos destaques foi o jovem lateral esquerdo Renan Lodi, de 20 anos. Foi titular do Furacão na avassaladora vitória por 3 a 0 sobre o Newell’s Old Boys, na última quinta-feira, e impressionou. Ganhou a chance pela suspensão de Thiago Carleto, teoricamente a primeira escolha da posição, mas já se imagina que o jovem Lodi possa ganhar essa briga durante o Brasileirão.

Paulinho (Vasco)

Paulinho, do Vasco (Foto: Getty Images)

Cada campeonato é uma oportunidade para um jovem talentoso como Paulinho evoluir. O garoto de 17 anos ganhou bastante cancha no Campeonato Carioca, ajudando a levar o Vasco à decisão do torneio, a minutos de faturar o título, não fosse o gol de Carli, do Botafogo, nos acréscimos. Suas atuações fizeram com que fosse votado como revelação e craque da competição, tudo ao mesmo tempo. Agora, deve continuar seu desenvolvimento em um desafio mais difícil, como o Brasileirão.

Henrique (Corinthians)

Henrique, do Corinthians (Foto: Getty Images)

O Corinthians tem sido uma equipe tão sólida nos últimos anos que a maioria dos jogadores contratados encaixa-se perfeitamente ao mecanismo de Fábio Carille. Henrique foi mais um desses. Chegou do Fluminense para substituir Pablo, com alguns questionamentos por causa das atuações recentes e do passado pelo Palmeiras, mas colecionou atuações seguras ao longo do Paulistão. E coroou-as com um jogo impecável na decisão do Allianz Parque.

Everton (Grêmio)

Everton, do Grêmio (Foto: Getty Images)

Everton participou pouco do título sul-americano do Grêmio. Não foi titular em nenhuma partida. Embora tenha sido bastante utilizado no Campeonato Brasileiro do ano passado, também não começou jogando com frequência (14 das suas 32 participações). Isso, porém, está mudando. Foi a primeira escolha de Renato Gaúcho para o lado esquerdo do ataque nas duas partidas da Libertadores e da Recopa Sul-Americana. E, além disso, foi eleito o craque do Campeonato Gaúcho, conquistado pelo Grêmio.

Murilo (Cruzeiro)

Murilo, do Cruzeiro (Foto: Getty Images)

O Cruzeiro adora contratar um zagueiro, mas quem terminou a temporada passada como titular foi o jovem Murilo. Inclusive na decisão da Copa do Brasil, contra o Flamengo. O defensor de 21 anos atuou em dez das 16 partidas da Raposa, campeã do Campeonato Mineiro, e foi eleito para a seleção do torneio. Encheu-se de moral para continuar na equipe durante o Brasileirão.