Relembre dez momentos do heptacampeonato brasileiro do Corinthians

O título do Corinthians tem um enredo que podemos encontrar com facilidade em filmes: um time desacreditado alcança resultados que surpreendem todo mundo, encontra dificuldades quando tudo parecia correr bem e reage no momento certo para entrar na história. Nem por isso foi menos espetacular, com vários momentos para os torcedores alvinegros guardarem na memória com carinho. A seguir, selecionamos dez.

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Saldão de gols

A campanha corintiana era boa na quinta rodada do Campeonato Brasileiro, mas ainda continha resultados magros. Triunfos por 1 a 0 sobre Vitória e Atlético Goianiense, e outro por 2 a 0 em cima do Santos. Era justamente o saldo de gols que o colocava em segundo lugar, atrás da Chapecoense. Em São Januário, o time deslanchou: Marquinhos Gabriel, Jô, Maycon e Clayton (duas vezes) construíram a goleada por 5 a 2 contra o Vasco. A única goleada do Corinthians no campeonato. Os três pontos que valeram a liderança isolada. Liderança que nunca mais mudaria de mãos.

Grande atuação no clássico

O tantas vezes menosprezado Ángel Romero, exemplar na entrega e no papel tático que desempenha para o funcionamento do coletivo, abriu o placar contra o São Paulo, em um dos muitos clássicos que o Corinthians ganhou no Brasileirão – perdeu apenas um, para o Santos, na Vila Belmiro. Gilberto empatou, de cabeça, e Gabriel, no rebote, voltou a colocar os líderes em vantagem no placar. Jádson, de pênalti, ampliou, e o gol de Wellington Nem, já aos 39 minutos do segundo tempo, não serviu em nada para afetar a vitória categórica por 3 a 2.

O primeiro confronto direto

O Corinthians surpreendia. Ao fim da nona rodada, contava com sete vitórias e dois empates. Era líder com um ponto de vantagem para o Grêmio, que apresentava um futebol mais vistoso naquele momento. O primeiro jogo tratado como final seria em Porto Alegre. Carille tinha um desfalque importante: Gabriel, suspenso. Usou Paulo Roberto para compor o meio-campo, e ele fez uma grande partida. Duas jogadas individuais entrando na área driblando chamaram a atenção. A primeira exigiu defesa de Marcelo Grohe. A segunda terminou no gol de Jádson, o único da vitória por 1 a 0. Cássio defendeu pênalti de Luan, e o Corinthians venceu o confronto direto, abriu vantagem na liderança, e mandou o primeiro sinal de que estava falando sério.

Na casa deles

A maioria das listas de favoritos ao título do Campeonato Brasileiro deste ano não continha o Corinthians. Continha Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras. Na 12ª rodada, o Corinthians já tinha 13 pontos de vantagem para cima do arquirrival, que precisava, desesperadamente, vencer o dérbi no Allianz Parque para se manter mais próximo do líder. Em uma das exibições mais eficientes dos comandados de Carille, o Corinthians precisou bater apenas três vezes a gol para fazer 2 a 0. Guilherme Arana, com pênalti sofrido, caneta e um tento, foi o grande destaque.

Apuros

A partida contra o Flamengo poderia ter sido resolvida no primeiro tempo. Jô marcou um gol legal que foi bizarramente anulado pela arbitragem. Depois, o atacante corintiano colocou a bola na rede novamente – desta vez, validado. Mas o rendimento caiu na etapa final, Réver empatou, e o Flamengo quase virou. Diego perdeu um gol incrível, e Pedro Henrique quase fez contra. Foi quando o Corinthians mais passou por apuros depois de se colocar como sério candidato ao título. E, mesmo assim, arrancou aquele pontinho que times campeões costumam arrancar nessas situações.

Mais gols do que faltas

Na rodada anterior, contra o Atlético Mineiro, o Corinthians havia selado o melhor primeiro turno da história do Brasileirão por pontos corridos com 20 clubes. Estendeu o recorde para 47 pontos com uma partida quase perfeita contra o Sport. Guilherme Arana, Rodriguinho e Pedro Henrique fizeram os gols. E o incrível é que, nesta partida, o Corinthians marcou mais gols do que cometeu faltas: três tentos, duas infrações. E o mais incrível ainda é que ele encerrava o primeiro turno tendo ficado atrás no placar por apenas sete minutos.

A primeira derrota

Poucas vezes uma virada de turno foi tão emblemática quanto a deste ano. O Corinthians arrasador do primeiro turno começou a decair logo na primeira partida do returno, válida pela segunda rodada – a primeira, contra a Chapecoense, havia sido adiada. O Vitória, brigando contra o rebaixamento, foi à Itaquera e venceu por 1 a 0, encerrando uma invencibilidade de 34 partidas do clube paulista. E mais problemas viriam pela frente.

Reserva de luxo

Ao fim da sétima rodada do returno, o Corinthians mostrava sinais de esgotamento. Havia perdido para o Vitória, para o Atlético Goianiense e para o Santos, empatado com São Paulo e Cruzeiro e vencido apenas Chapecoense, com um gol espírita de Jô, e Vasco, com um gol de mão de Jô. Eram apenas quatro tentos anotados nesse período, todos pelo artilheiro corintiano e por Claysson, que muitos torcedores se perguntavam porque não era titular. Provavelmente pela sua capacidade de entrar no segundo tempo e mudar os rumos da partida. O Coritiba arrancava um empate no Itaquerão até os 34 minutos do segundo tempo, quando o ex-jogador da Ponte Preta, que acabara de entrar, fez 2 a 1. E logo depois, fez 3 a 1.

O ponto de inflexão

O primeiro turno brilhante produziu muita gordura, mas o Corinthians a gastou quase inteira. Depois de vencer o Coritiba, emendou quatro partidas sem vitória: derrotas para Bahia, Botafogo e Ponte Preta, além de um empate com o Grêmio. O Palmeiras ascendia sob o comando de Alberto Valentim e chegou a depender apenas das próprias forças para ser campeão, antes de empatar com o Cruzeiro. Ainda assim, o dérbi da rodada seguinte, em Itaquera, com os rivais separados por cinco pontos, seria importantíssimo para a reta final do Brasileirão. A torcida entendeu a situação e lotou o treinamento de sábado. Energizado, o Corinthians fez um primeiro tempo à moda antiga contra o Palmeiras e resistiu à etapa final para sair com a vitória por 3 a 2, retirar o arquirrival da briga pelo título e embicar para cima. Rumo à glória.

Acabou: é hepta

A vitória contra o Palmeiras não resolveu os problemas de desempenho do Corinthians. Mas recuperou a confiança e a tranquilidade. Vieram vitórias magras contra Atlético Paranaense, com gol fantasma de Giovanni Augusto, e Avaí, com gol de peito de Kazim. Os resultados dos concorrentes significaram que uma vitória contra o Fluminense selaria o título que, na prática, havia sido conquistado no primeiro turno. Henrique abriu o placar para os cariocas nos primeiros minutos, e o Corinthians fazer o que ainda não havia conseguido fazer neste campeonato: virar uma partida em que saiu em desvantagem. Jô, o grande nome da conquista, marcou duas vezes, e Jádson fechou a vitória por 3 a 1. E o heptacampeonato brasileiro.