Não é nada, não é nada, já se foi um terço do turno de um campeonato imprevisível, ainda que muito por linhas tortas. Linhas abaixo, aliás, dedicadas a Aldo Daroit, torcedor colorado que não resistiu a uma parada cardíaca durante Inter x Corinthians no Beira-Rio. Deveria ser o óbvio, mas lembremos: o futebol pertence à torcida. Bom dia!

1

É bom de bola o Pedro. Nove fazedor de gol aparece a todo momento, e artilharia por si só às vezes não mostra muita coisa. No caso do 9 do Fluminense, se engana quem pensa que é um empurrador de bolas e só: anda muito bem tecnicamente quando sai da área. De olho.

2

Magrão garantiu três pontos para o Sport, mais uma, e mais uma, e mais uma vez. Me chamou a atenção a marca de 32 pênaltis defendidos, e aqui vale esquecer as proporções ou porcentagens ou circunstâncias da cifra. Em números absolutos, 32 é muita coisa, 32 escolhas certas, 32 alívios para sua torcida. Jogo aberto demais em São Paulo, com o Palmeiras na cara do gol duas vezes nos acréscimos.

3

Em condições ideais, um clube do tamanho do São Paulo não precisaria apostar suas fichas da temporada num meia de 36 anos para ser o dono do time, ainda mais porque o próprio não vinha exatamente voando no ex-clube. Mas Nenê chegou numa situação sem outra opção: quando a bola passa por seu pé, tem de haver protagonismo, tem de assinar as jogadas. E tem ido bem. O Nenê é bola, sempre foi, e que caixa de falta, golaço.

4

O Vasco visitou o Bahia duas semanas e meia depois de perder por 3 a 0 para o rival no mesmo lugar, e chegando lá no domingo encontrou seis titulares iguais à derrota recente. Claro que cada jogo é um jogo, e o Vasco até teve seus momentos em Salvador, mas outro 3 a 0, do mesmo time, 18 dias depois? Podia se cuidar mais, se proteger mais. Preocupante. É muito esperto o Zé Rafael.

5

Eram 40 minutos do segundo tempo, Leandro Damião bem no jogo, gol marcado, firme no difícil duelo contra o Balbuena e, pumba! Tenta uma bicicleta. Ele tem uma leveza quase peladeira nas puxadas, e também quando tenta o chapéu por carretilha (lambreta?). Não tem a carreira do tamanho que parecia poder ter, mas gosto. Damião confiante é uma atração legal em campo.

6

Ruim o clássico em Curitiba. Decepcionante como o Atlético Paranaense, com uma semana livre para treinar, não tenha mais repertório para sufocar o Paraná – o lanterna até mostra organização, mas nenhuma vitória em sete jogos nesse retorno. Preocupante.

7

O Santos com mais derrotas num início de temporada desde antes de Pelé chega ao final de maio esgotado. Só 8.504 pagantes (10.670 presentes) no Pacaembu, o suficiente para fazer a vaia ser ouvida ao fim da derrota para o Cruzeiro. O jogo do time do Jair não flui.

8

No Grêmio, outro jogo decidido pelo Everton, numa fase impressionante nesse um contra a um em velocidade. Pode ter posse, técnica, organização, estilo… Mas sempre será preciso o cara inquieto, vertical, que tira o jogo do zero.

9

Um dia depois do goleiro do Liverpool surge o lateral Mantuan, e a cena para permitir todo um leque de análises de choro alheio. Entre os extremos, do chorão sem condição de vestir a camisa do Corinthians ao tão jovem e já mostra tanto caráter, fico com uma sensação um pouco mais despretensiosa: é só um jogo, e às vezes a gente exagera no épico, no filme que passa na cabeça do personagem, na fábrica de heróis e vilões, no esperou tanto por esse momento e falhou, ó. Aplausos ou vaias são do ofício, a carreira segue e hoje tem treino, vambora.

10

Coisas do Brasileiro: em sete jogos, só três venceram mais que a metade, só um tem aproveitamento de pelo menos 2/3 dos pontos, e o líder perdeu para o time de pior defesa. Levantamento do jornalista Bruno Winckler, no Twitter: após sete jogos, só uma vez o primeiro colocado teve tão poucos pontos, 14, o São Caetano de 2004. Para o bem ou para o mal, equilíbrio é o que não falta.