E segue o nosso campeonato, apertadinho entre as Copas – do Brasil, Libertadores, Sul-Americana, do Mundo -, em que não se sabe se torce para o jogador ser convocado ou se lamenta seu desfalque, em que se comemora quando se vê time completo na prancheta, onde em quatro rodadas quatro ainda não perderam e quatro ainda não ganharam. Bom dia!

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1

Seleção não é exatamente momento – se a cada convocação você chamar o melhor jogador do mundo do mês você não monta um time nunca. Também não pode ser capitania hereditária – e acho que Tite errou ao confirmar publicamente mais de dois terços dos convocados com tanta antecedência. Dito isso, hoje, o trimestre pré-Copa, Paquetá joga mais que Renato Augusto, por exemplo, óbvio. Mas ficou tarde, acho. Faz parte do ciclo.

2

Imagine alguém no Flamengo que peça a palavra numa daquelas reuniões longas, insuportáveis, de tabelas e teses e comparações e gráficos… E diz que teve uma ideia bastante simples e direta, ufa: preço popular, estádio cheio. O maior patrimônio da camisa mais espalhada do Brasil. Simples, não?

3

D’Alessandro faz, em agosto, dez anos da estreia no Internacional, e em janeiro completou seis anos como capitão do time (ambas as marcas com um hiato de um ano emprestado ao River). É muito mais que o cara que tumultua, só quer apitar o jogo ou “provoca os meninos”, como se diz numa jornada infeliz como a do Maracanã. Respeito.

4

Bom jogo o São Paulo x Atlético. Os mineiros ainda vinham de um sucesso importante contra o Corinthians, mas os paulistas… impressionante como o São Paulo não tira uma vitória da cartola. Quando parece que não vai ganhar… não ganha mesmo. Perdeu os clássicos no Paulista (em que caiu para o Corinthians), agora empatou com Flu e Galo. Ainda deve uma vitória relevante no ano.

5

Quando peguei de rabo de ouvido um rastro do comentário da TV – ‘o Grêmio goleou na sua arena, e o Corinthians só empatou na sua arena’ -, pensei: o que deixamos fazer com os nomes de nossos estádios, não?

6

Não é fácil querer jogar de dez-vou-decidir-numa-bola no futebol de hoje. Muito palmeirense já prefere o time sem Lucas Lima, Roger incluso, que o colocou no banco na rodada 4. Quatro. Quatro rodadas do campeonato nacional e o meia contratado para ser o maestro já perde o espaço. Rápido? No fim, Moisés machucou, e Lucas deve seguir.

7

O Grêmio do Renato é o melhor Grêmio que vi jogar. Um time que te faz parar para ver me parece cada vez mais raro em tempos de elencos semestrais e frustrações instantâneas. O cobrador de ônibus falou do Grêmio, a mais de mil quilômetros de Porto Alegre. A fluidez dos dez gols em 180 minutos em casa na semana é para a torcida gravar a reprise e guardar na estante. Raro.

8

Dedé já fez mais jogos esse ano que nos dois últimos somados. E, quando o ataque do Cruzeiro cercava a área do Botafogo sem espetar, o zagueiro decidiu com seu primeiro gol nessa volta ao seu lugar no futebol: jogando, com personalidade, assinando as jogadas. É muito bom na bola aérea, e que bom é ver o Dedé jogar inteiro de novo.

9

Kelvin tem só 24 anos e alguns bons momentos: no título do Porto, em algumas entradas no Palmeiras, numa sequência pelo São Paulo. Acho que ainda pode dar jogador de primeiro nível, estável, que garante pontos por semanas seguidas. Voltou ao Brasileiro depois de 11 meses, deu passe, fez gol, chorou. Tem talento, que o corpo aguente. Força!

10

Um tapa na bola do Guerrero para lembramos que o peruano é, tecnicamente, acima da média. Henrique é mais próximo da turma que te entrega gols (o que não é pouco, e muitas vezes é o suficiente), como Roger, Wellington Paulista, Rafael Moura, Borja. O peruano tem a confiança de quem segura a bola no ataque e melhora o jogo de quem está em volta. Muito.

*Não houve coluna da rodada 3 por uma nobre questão pessoal. Foi um dia de despedida, e fica como luto, de toda forma. Até um dia, vô.