Nem só de seleções de camisa pesada brigando pelo título (ou dando vexame) são feitas as Copas do Mundo. Longe da badalação das favoritas, vários pequenos grandes feitos já tiveram lugar nos Mundiais nestas 20 edições já realizadas. Selecionamos aqui dez deles, dois de cada continente futebolístico e cada um de um torneio diferente, dando preferência, quando possível, a histórias menos incensadas ou até mesmo esquecidas, num grande passeio pelo “lado B” do maior torneio de seleções do planeta.

*Cuba 1938

O grande resultado: Cuba 2 x 1 Romênia

Time-base: Carvajales – Chorens, Barquín – Berges, Rodríguez, Arías – Sosa, Tunas, Socorro, Fernández, Magriñá.

A única participação de Cuba, primeira representante caribenha em Copas, veio sem precisar disputar as Eliminatórias. Diante da enxurrada de recusas e desistências entre as equipes do continente, os cubanos – assim como os brasileiros – avançaram diretamente ao Mundial francês. Por outro lado, precisaram mostrar em campo que haviam feito por merecer estarem ali. E conseguiriam.

A adversária na primeira fase (ou oitavas de final) foi a Romênia, seleção experiente que havia disputado os dois Mundiais anteriores, obtendo uma vitória sobre o Peru em 1930. Em Toulouse, os cubanos estiveram três vezes atrás do marcador no tempo normal e na prorrogação, mas conseguiram o empate em 3 a 3, com dois gols do ponteiro José Magriñá e um do centroavante Héctor Socorro.

Quatro dias depois, no jogo desempate de novo em Toulouse, viria outro feito: os romenos abriram o placar logo aos nove minutos, mas Cuba igualaria com seu principal jogador, o goleador Juan Tunas, aos 20 minutos da etapa final.  E a dez minutos do fim, o ponteiro Mario Sosa daria a surpreendente classificação aos caribenhos. Nas quartas, a equipe não seria páreo para a descansada Suécia – que avançou direto após a retirada da Áustria, anexada pela Alemanha – sendo goleada por 8 a 0. Mas já havia deixado seu nome gravado na história dos Mundiais.

*Irlanda do Norte 1958

O grande resultado: Irlanda do Norte 2 x 1 Tchecoslováquia

Time-base: Gregg – Keith, Cunningham, McMichael – Blanchflower, Peacock – Bingham, Cush, Scott, McIlroy, McParland.

Responsável pela única queda da Itália em Eliminatórias de Copa antes da atual, a Irlanda do Norte foi a grande surpresa da fase de classificação para o Mundial da Suécia. No time liderado pelo meia e capitão Danny Blanchflower, jogador de técnica e liderança, também se destacavam o ponta-direita Billy Bingham (futuro técnico nas duas outras participações da seleção, em 1982 e 1986), o meia-esquerda Jimmy McIlroy e o ponta-esquerda Peter McParland.

O desastre aéreo com a delegação do Manchester United em Munique, meses antes da Copa, tirou da seleção o irmão de Danny, o zagueiro Jackie Blanchflower, que sobreviveu, mas teve a carreira encerrada à força pelos ferimentos. Por outro lado, o goleiro Harry Gregg, titular dos Red Devils e da equipe nacional, estava bem e era nome certo. Tinha agora a missão de resguardar a defesa contra três fortes adversários: a Argentina, favorita da chave, a Alemanha Ocidental, atual campeã mundial, e um bom time da Tchecoslováquia, que explodiria dali a quatro anos.

Mas as surpresas das Eliminatórias continuariam no Mundial, a começar pela vitória por 1 a 0 sobre os tchecos na estreia. Em seguida, o time perdeu para os argentinos por 3 a 1, mas seguia com chances. Na última rodada, estiveram duas vezes na frente do placar contra os alemães, mas ficaram no empate em 2 a 2. De qualquer modo, ainda disputaria a classificação num jogo extra com a Tchecoslováquia, que goleara a Argentina por 6 a 1.

Os norte-irlandeses saíram atrás antes dos 20 minutos, mas empatariam na raça, pouco antes do intervalo. McParland, deslocado para a posição de centroavante, aproveitou um segundo rebote do goleiro e deixou tudo igual. Na prorrogação chegaria a virada, com outro gol de McParland, desviando uma bola alçada para as redes e levando os britânicos às quartas. A grande aventura, no entanto, seria encerrada naquela fase, ao perderem de 4 a 0 para outra sensação, a França, que avançou para enfrentar o Brasil nas semifinais.

*Coreia do Norte 1966

O grande resultado: Coreia do Norte 1 x 0 Itália

Time-base: Lee Chang Myung – Pak Li Sup (Ha Jung Won), Shin Yong Kyoo, Lim Zoong Sun, Oh Yoon Kyung – Pak Doo Ik, Im Seung Hwi – Han Bong Zin, Pak Seung Zin, Li Dong Woon, Kim Seung Il (Yang Seung Kook).

A expansão do número de filiados e inscritos da Ásia e África para as Eliminatórias da Copa de 1962 motivou a Fifa a abrir uma vaga direta para os dois continentes no Mundial seguinte, sem a necessidade de se bater com um europeu, como acontecia antes. O problema é que era mesmo uma vaga só: insatisfeitos em terem que disputar um mesmo lugar com os asiáticos na Copa do Mundo da Inglaterra, os participantes do grupo africano se retiraram em bloco. No fim das contas, sobraram apenas Coreia do Norte e Austrália na disputa. E os norte-coreanos venceram com muita facilidade (6 a 1 e 3 a 1) os dois jogos em Phnom Penh, no Camboja.

Antes da Copa, a seleção da Coreia do Norte era vista apenas como uma presença exótica no torneio, sem chances contra as poderosas Itália e União Soviética, além do Chile, semifinalista em casa no Mundial anterior. E na estreia, realmente não chamaram a atenção, perdendo por 3 a 0 para os soviéticos, que já os conheciam bem de amistosos. Mas começaram a aprontar no jogo seguinte contra os chilenos, ao arrancarem o empate em 1 a 1 com um gol de pênalti a dois minutos do fim. E logo depois, deixariam o mundo do futebol boquiaberto.

Fruto de um jogo veloz, aguerrido e muito resiliente (além do nervosismo do rival), a vitória por 1 a 0 sobre a Itália, com um gol aos 41 minutos da etapa inicial em chute cruzado do meia-direita Pak Doo Ik, eliminando a Azzurra e levando os asiáticos a uma improvável quarta de final, entrou para a galeria das maiores zebras da história das Copas. E por pouco a atuação mágica não se repetiu contra Portugal: o time chegou a abrir 3 a 0 em 22 minutos, mas quando a poeira inicial baixou, Eusébio conduziu os lusos a uma virada espetacular por 5 a 3. Mesmo eliminados, os norte-coreanos haviam acabado de participar de outro jogo histórico.

*Peru 1970

O grande resultado: Peru 3 x 2 Bulgária

Time-base: Rubiños – Campos (Pedro González), De La Torre, Chumpitaz, Fuentes – Challe, Mifflin – Perico León, Baylon (Sotil), Cubillas, Gallardo.

Ausente das Copas do Mundo desde que participou da primeira, em 1930, o futebol peruano se tornou um celeiro de talentos pelas mãos de treinadores brasileiros nos anos 1960. No início daquela década, Jayme de Almeida (ex-jogador e técnico do Flamengo) foi dirigir o Alianza e, mais tarde, lançou um garoto talentoso chamado Teófilo Cubillas. O Sporting Cristal, por sua vez, contrataria o meia Didi, recém-consagrado bicampeão mundial com a Seleção Brasileira, apontando-o depois também para o cargo de técnico.

No fim da década, Didi estaria agora à frente da seleção peruana, que eliminaria a Argentina da Copa de 1970 com um empate dentro de La Bombonera. Cubillas, 21 anos, era o dono da camisa 10. E o Peru chega ao Mundial mexicano com boas expectativas. O Grupo 4 teria a Alemanha Ocidental como cabeça de chave e favorita destacada. A Bulgária com uma geração respeitada na Europa, mas ainda em busca de uma campanha digna em Copas. E a zebra Marrocos.

Na estreia, a equipe sai perdendo por 2 a 0 para os búlgaros, mas consegue uma grande virada para 3 a 2 no segundo tempo, gols de Gallardo, Chumpitaz e Cubillas, numa vitória que anima o país, então recentemente abalado por um terremoto. A vitória sobre os marroquinos por 3 a 0, com dois gols de Cubillas na segunda rodada, já deixa encaminhada a classificação às quartas de final, concretizada com a derrota da Bulgária para a Alemanha no dia seguinte. E nem mesmo a derrota para os germânicos na terceira partida apaga o brilho do time até ali.

Nas quartas de final, o Peru acabaria sendo eliminado pelo Brasil por 4 a 2, num jogo em que apresentou muitos problemas defensivos. Mas Cubillas anotaria o segundo gol de sua seleção e o seu quinto na Copa – “El Nene” marcaria em todos os jogos da Blanquirroja naquela Copa.

*Escócia 1974

O grande resultado: Escócia 0 x 0 Brasil

Time-base: Harvey – Jardine, Buchan, Holton, McGrain – Morgan, Bremner, Hay, Lorimer – Dalglish, Jordan.

Uma vitória e dois empates, nenhuma derrota e apenas um gol sofrido. Parecem números suficientes para avançar num grupo em que duas equipes se classificam, certo? Nem tão certo para os escoceses, que na Alemanha Ocidental, em 1974, retornavam a uma Copa do Mundo depois de duas participações discretas em 1954 e 1958. Mesmo segurando um 0 a 0 com o Brasil, atual campeão do mundo, em seu segundo jogo, o Tartan Army acabou desclassificado no saldo de gols, num grupo embolado no qual o Zaire foi o fiel da balança.

Comandados por Willie Ormond, um ex-ponta-esquerda que estivera como jogador no Mundial da Suíça, 20 anos antes, os escoceses levaram um bom time à Alemanha, com nomes de peso do futebol britânico da época, como Billy Bremner, Kenny Dalglish, Joe Jordan, Martin Buchan, Danny McGrain e Peter Lorimer, além de um Denis Law já em fim de carreira, que atuou somente na partida de estreia, 2 a 0 diante do Zaire (com um golaço de sem-pulo de Lorimer e outro de cabeça de Jordan em falha do goleiro Kazadi), a única vitória da seleção.

Na segunda rodada, a Escócia jogou de igual para igual com o Brasil, Hay e Lorimer testaram Leão com chutes de longe e Bremner perdeu um gol na pequena área após uma rebatida do goleiro brasileiro. Mas o placar ficou em branco, enquanto, no outro jogo, a Iugoslávia massacrava o Zaire por 9 a 0. Na última rodada, o empate serviria para escoceses e iugoslavos desde que o Brasil não superasse suas vitórias diante dos africanos.

Com pouco mais de 30 minutos do segundo tempo, a decisão da segunda vaga parecia encaminhada para um sorteio entre brasileiros e escoceses, já que o duelo europeu seguia 0 a 0 e os time de Zagallo batia o Zaire por 2 a 0. Mas Valdomiro chutou da linha de fundo, o goleiro Kazadi outra vez aceitou, e o Brasil fez 3 a 0. Logo depois, a Iugoslávia abriu o placar com Karasi. A Escócia ainda reagiu e empatou com Jordan aos 43, mas não foi o bastante. Como aconteceria nas duas Copas seguintes, os britânicos seriam eliminados no saldo de gols.

*Camarões 1982

O grande resultado: Camarões 1 x 1 Itália

Time-base: N’Kono – Kaham, Onana, N’Djeya, M’Bom – Kundé, M’Bida, Aoudou – Abega, Milla, N’Guea.

Como terminar a Copa invicto e sofrendo só um gol e ainda ser eliminado, parte 2. A estreia dos Leões Indomáveis num Mundial costuma ser eclipsada pela brilhante campanha da Argélia na mesma edição do torneio, mas a equipe treinada pelo francês Jean Vincent também foi uma adversária à altura para Itália, Polônia e Peru na primeira fase e esteve muito perto de se tornar a primeira seleção africana a avançar para a segunda fase.

Na estreia, o time empatou em 0 a 0 com o Peru. O goleirão N’Kono salvou uma grande chance de Cubillas, mas os africanos poderiam ter vencido não fosse um gol de Roger Milla anulado por impedimento duvidoso. Em seguida, a equipe surpreenderia outra vez com um jogo desenvolto, de bom toque de bola, em outro empate sem gols com os poloneses. Na última rodada, a Polônia golearia o Peru e avançaria, deixando Camarões na briga pela outra vaga contra a Itália.

A Azzurra sairia na frente aos 15 minutos da etapa final, numa cabeçada de Graziani contando com a infelicidade de N’Kono, que escorregou no lance. O empate, porém, veio logo no ataque seguinte, por meio de M’Bida, escorando cruzamento. O placar de 1 a 1 acabou sendo inútil para a classificação, já que os italianos marcaram um gol a mais. Entretanto, atestava a ótima campanha dos camaroneses e ajudava a confirmar a evolução do futebol africano. E os próprios Leões Indomáveis voltariam oito anos depois para escrever mais um capítulo dela.

*Marrocos 1986

O grande resultado: Marrocos 3 x 1 Portugal

Time-base: Zaki – Khalifa, El Biaz, Bouyahiaoui, Lamriss – Dolmy, El Haddaoui, Bouderbala, Timoumi, Khairi – Krimau.

Depois de estrearem em uma Copa na de 1970, no México, os marroquinos retornaram 16 anos depois justamente no país asteca. Naquela primeira participação, conquistaram o primeiro ponto para a África num Mundial ao empatarem com a Bulgária. Mas agora, em 1986, o continente já se candidatava a feitos maiores. Ainda que os Leões de Atlas tivessem pela frente um grupo tido como difícil, com Polônia, Inglaterra e Portugal.

Dirigidos pelo brasileiro José Faria, um ex-atacante do Fluminense que, numa autêntica “imersão cultural”, chegou a se converter ao islamismo, o time mantinha a base da equipe que dois anos antes disputara os Jogos Olímpicos de Los Angeles, inclusive enfrentando o Brasil, com uma defesa bem postada e muita velocidade e habilidade nos contra-ataques, com destaques para o excelente goleiro Zaki e os armadores Bouderbala e Timoumi. Já de saída, arrancaram dois empates em 0 a 0 contra poloneses e ingleses que embolaram completamente o grupo.

Na última rodada, veio o resultado mais memorável: contra uma seleção portuguesa abalada pelo chamado Caso Saltillo, que detonou uma greve dos jogadores, os marroquinos marcaram duas vezes com Khairi antes dos 30 minutos de jogo e ampliaram com Krimau aos 17 do segundo tempo, antes de os lusos descontarem no fim. Classificados em primeiro lugar no grupo, os africanos acabaram cruzando com a Alemanha Ocidental logo nas oitavas, mas faziam um bom jogo e seguravam o 0 a 0 até os 43 minutos da etapa final, quando um gol de falta de Matthäus, ajudado pelo mau posicionamento da barreira, deu a classificação aos germânicos.

*Costa Rica 1990

O grande resultado: Costa Rica 2 x 1 Suécia

Time-base: Conejo – Chavarría, Marchena, Flores, Montero, Chaves – Gómez, González, Ramírez – Cayasso, Jara.

Depois de já ter assistido aos vizinhos El Salvador e Honduras participarem de Mundiais, a Costa Rica enfim conseguiu sua própria vaga na Copa do Mundo da Itália, ao terminar a fase final das Eliminatórias numa surpreendente primeira colocação. Mas a turbulência no comando, com sucessivas trocas de treinador, só foi encerrada pouco antes do torneio com a chegada do iugoslavo Velibor “Bora” Milutinovic, que havia levado o México às quartas de final em 1986.

Os Ticos chegaram sem muitas expectativas, mas surpreenderam logo na estreia ao baterem a Escócia graças a um gol do meia-atacante Cayasso (após passe de calcanhar de Jara) e às grandes defesas do goleiro Conejo. No jogo seguinte, em Turim, com a Costa Rica vestindo um uniforme semelhante ao da Juventus, o camisa 1 também pegou quase tudo contra o Brasil, mas foi traído por uma bola chutada por Müller que desviou no zagueiro Montero.

Na última rodada, contra a Suécia, os centro-americanos precisavam do empate, mas saíram atrás depois que Conejo (uma das grandes figuras do jogo) só conseguiu espalmar uma bomba em cobrança de falta, e a bola sobrou para Johnny Ekström abrir o placar. Mas a Costa Rica reagiu e empatou no segundo tempo em cabeçada do zagueiro Flores. O empate já servia, mas a classificação viria mesmo com vitória de virada, no fim do jogo, após uma arrancada em contra-ataque do atacante Hernán Medford, vencendo o arqueiro Thomas Ravelli.

Infelizmente para os Ticos, Conejo seria desfalque por lesão para a partida das oitavas de final contra a Tchecoslováquia. E o ataque aéreo do adversário, comandado pelo grandalhão Tomas Skuhravy, se mostraria letal. O centroavante abriu o placar em cabeçada, antes de González empatar também pelo alto na etapa final. Mas Skuhravy anotaria mais dois de cabeça, antes de Kubik acertar uma linda cobrança de falta. Mesmo com a goleada na despedida, os jogadores da Costa Rica foram recebidos com festa no país pela campanha histórica.

*Arábia Saudita 1994

O grande resultado: Arábia Saudita 1 x 0 Bélgica

Time-base: Al Deayea – Zubromawi, Madani, Al Khilawi, Al Jawad – Amin, Jebrin, Al Muwalid (Saleh), Al Bishi – Owairan, Abdullah (Falatah ou Al Jaber)

Em sua estreia em Mundiais, a Arábia Saudita era unanimemente cotada a ser um dos grandes sacos de pancada da Copa. Tinha uma equipe considerada sem qualidade técnica e sofria com a instabilidade no comando: entre a reta final das Eliminatórias e o embarque para os Estados Unidos, passaram pelo posto de treinador o brasileiro Candinho e o holandês Leo Beenhakker, até a chegada do argentino Jorge Solari.

Mas, em campo, o time inverteu completamente as expectativas, mostrando habilidade e velocidade. Na estreia, contra a Holanda de Bergkamp, Rijkaard, Koeman, Jonk, Overmars e dos gêmeos De Boer, foi para o intervalo vencendo por 1 a 0, gol do meia Fuad Amin. E a Laranja teve de suar sangue para conseguir a virada, aos 43 minutos da etapa final, com um gol do ponteiro Taument, após uma saída estabanada do goleiro Al Deayea. No jogo seguinte, contra o Marrocos, veio a primeira vitória: 2 a 1, com gol de pênalti de Sami Al Jaber e outro de Amin.

Contra a Bélgica, na última rodada, o empate classificava os sauditas e deixava os europeus em primeiro na chave. Mas os árabes resolveram deixar sua marca na competição e venceram por 1 a 0, com um gol antológico do atacante Saeed Al Owairan, talvez o mais bonito daquele Mundial, e inverteram toda a ordem do grupo, avançando em segundo e mandando os belgas para a repescagem. Nas oitavas, mesmo com a derrota por 3 a 1 para a Suécia, a despedida foi honrosa. Até hoje são a única seleção do Oriente Médio a ter ultrapassado a primeira fase numa Copa.

*Paraguai 1998

O grande resultado: Paraguai 3 x 1 Nigéria

Time-base: Chilavert – Ayala, Gamarra, Sarabia – Arce, Enciso, Paredes, Campos (Caniza), Acuña – Benítez, Cardoso.

Retornando aos Mundiais após 12 anos e comandados pelo brasileiro Paulo César Carpegiani, os paraguaios se viram incluídos no grupo considerado o mais equilibrado da Copa de 98, ao lado de Espanha, Nigéria e Bulgária. De saída, um travado empate sem gols com um envelhecido time búlgaro não foi muito animador, mas revelou uma defesa bastante confiável. O que lhes seria muito útil no jogo seguinte contra a Espanha, quando Chilavert, Arce, Gamarra e companhia conteriam o ímpeto da favorita do grupo, que precisava se recuperar após perder na estreia.

Na última rodada, porém, só a vitória diante da já classificada Nigéria garantia a vaga nas oitavas sem precisar do resultado no confronto entre espanhóis e búlgaros. E, contra uma seleção aparentemente desinteressada, até mesmo o pouco poder de fogo dos guaranis deslanchou: Ayala abriu o placar de cabeça logo no primeiro minuto após bola alçada por Arce. O time sofreu o empate com gol de Oruma, mas passou à frente de novo com Benítez na etapa final e selou a vitória nos minutos finais, com gol de Cardoso aproveitando saída errada da defesa nigeriana.

Nas oitavas, o desafio era encarar a França, dona da casa. Mas os paraguaios se apresentaram à altura do teste, com uma performance defensiva impressionante diante dos Bleus que, mesmo sem Zidane, martelaram do início ao fim. Sem gols nos 90 minutos, a decisão foi para o tempo extra, na primeira Copa do Mundo que contemplou o “gol de ouro”. E foi assim, a apenas sete minutos do fim da prorrogação, que, com um chute do zagueiro Blanc, os franceses enfim superaram uma defesa tão resiliente e disciplinada – com destaque para Gamarra, que não cometeu uma falta sequer durante toda a competição.