Terminou a primeira fatia da liga nacional mais fracionada do mundo, aqueles seis primeiros jogos do poupa-poupa de fim de semana quando metade da tabela está se matando nas Copas por aí. Antes de entrar no segundo pedaço – overdose de Série A, seis jogos em duas semanas e meia, vambora jogar segunda e quinta (!), apertar o relógio porque o Mundial vai começar -, seguem dez sinais sobre o Brasileiro, entre sondagens da Arábia e gente suada respondendo sobre o joguinho do plim-plim. Cartola só na cabeça e na vitrola, bom dia!

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1

Atlético Mineiro líder usufruindo do paradoxo do Campeonato Brasileiro, aquele que passa a respeitar mais o candidato ao título que acaba de ser eliminado das outras competições. Em campo, independente disso, bons jogos e uma tabela favorável até a parada da Copa – cinco de seis jogos no Horto.

2

Contou o lateral Gilberto, do Fluminense, que ficou surpreso quando Abel Braga pediu para o time esperar o Atlético Paranaense. Deixar a bola com eles. ‘Mas a gente tinha jogado bem contra o Botafogo, professor…’ Deu certo: o Tricolor matou o rival. Ponto para Abelão, e que bonitas são as trocentas formas de se jogar futebol

3

Fernando Diniz na zona de rebaixamento é notícia. Agora, não é porque o técnico pede para o time ficar com a bola que o time perde só porque… ficou com a bola. Claro que o treinador precisa de mais repertório, mas é exagerado vincular toda derrota aos pedidos técnicos de um comandante. Perde o Ceará, perde o Bahia, perde a Chape e perde o Atlético Paranaense de Fernando Diniz? Menos.

4

O grande problema do Palmeiras na temporada: numa sequência de 20 jogos, perdeu três vezes para o Corinthians. Fases do futebol: às vezes os clássicos pesam muito, e assim essas derrotas caíram pelo Parque Antártica. Porque de resto são alguns bons jogos, como o volume do primeiro tempo contra o Bahia. Lucas Lima ligado é time na cara do gol direto.

5

Boa semana do Vinicius Júnior. O moleque é bola, e vai oscilar porque não é o Pelé. Mas o Flamengo, enquanto conjunto e entrosamento, ainda é muito irregular – a impressão é que nunca Paquetá, Diego, Éverton Ribeiro e Vinicius Jr. estão realmente inspirados juntos, e o time vai pressionando nos lampejos da vez, espaçados, individuais.

6

Como jogam para o time Marcos Guilherme e Everton. Impressão que vão decidir jogos para o São Paulo por tabela, dando o respiro para Jucilei, Nenê, Diego Souza – se o trio jogou bem o clássico, a dupla de pontas é co-responsável.

7

O Grêmio joga com a leveza de atual campeão da América, técnico ídolo e estável, vários jogadores em grande fase. Mas o Brasileiro é dureza: metade dos jogos saiu com empate por 0 a 0. Tem capacidade e jogo coletivo para sobrar mais diante de tanto o a o, ainda que sem Arthur nem Everton tenha parecido um onze mais comum.

8

Chamusca levou o Ceará para a primeira divisão depois de cinco anos nem brigando para subir na Série B, ganhou o Estadual com duas vitórias sobre o rival Fortaleza e passou de fase com a melhor campanha da Copa do Nordeste. Durou seis rodadas no Brasileiro. Jorginho assume para jogar quarta e domingo e só treinar na parada da Copa do Mundo. Difícil.

9

Não me conformo que um time do tamanho do Corinthians, de bem com a vida, com a taça ainda fresca na sala de troféus e torcida que tem bancado os garotos – Pedrinho que o diga -, não tem um jogador na base que possa fazer essas entradas de 20 minutos pelo menos no mesmo nível de Emerson Sheik.

10

Pottker, Lucca, Patrick, Damião, depois Rossi e Nico López. E o Inter entrou em campo com o pior ataque do campeonato. Nenhum golzinho na sequência dura – Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio -, e três contra a Chape. Tem opções aí para sair um time que apresente mais formas de chegar ao gol e respirar no meio da tabela.

*Paulo Junior é jornalista da Central 3, onde apresenta o podcast da Trivela, e editor do Puntero Izquierdo