O Dia do Amigo é daquelas datas comemorativas que se repetem pelo menos mais cinco vezes no ano. Em alguns estados brasileiros, 20 de julho é considerado por lei como o dia oficial. E não importa muito a burocracia quando as pessoas querem encher as redes sociais com mensagens bonitinhas sobre a amizade. Se você navegou um pouco hoje, sabe do que estou falando. Mas olhe para o lado bom: o Dia do Amigo também pode ser um bom pretexto para se falar de futebol. Como a história da rivalidade entre Dundee e Dundee United.

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Dundee é a quarta maior cidade da Escócia, o que não significa necessariamente que ela seja muito populosa: são apenas 156 mil habitantes. Ainda assim, o local abriga um dos principais dérbis do país, disputado desde 1925. E não são apenas os nomes que aproximam Dundee e Dundee United. Os estádios dos dois clubes ficam na mesma rua, a Tannadice Street, e estão separados por menos de 200 metros – os mais próximos de toda a Grã-Bretanha.

Além dos campos vizinhos, há outro fator que poderia acirrar os ânimos entre as torcidas: o Dundee United, que surgiu 16 anos depois do Dundee, foi fundado pela comunidade irlandesa da cidade. Mas, apesar do sectarismo entre protestantes locais e católicos imigrantes, como acontece entre Celtic e Rangers, as duas torcidas sustentam uma saudável amizade. Famílias se dividem entre as duas cores, não existem bairros especificamente dominados por um dos clubes e o clima nos estádios é comparado ao do clássico entre Liverpool e Everton. Sim, o que era para ser um barril de pólvora se tornou um recanto da paz.

“Dundee é uma grande vila. Não há esconderijo depois de uma derrota, não há como fugir dos rivais. Você tem que lidar com isso e a maioria dos locais de trabalho de Dundee são divididos ao meio entre as torcidas. A maioria das pessoas leva numa boa. Apesar do potencial para brigas, geralmente o pior que você vê no clássico é uma invasão de campo. Você nunca tem pancadaria ou violência, só uma celebração”, definiu Robin Grimmond, torcedor do Dundee, ao jornal Herald Scotland.

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Com o sobe e desce do Dundee entre a primeira e a segunda divisão, o clássico não aconteceu em partidas oficiais de 2005 a 2012, o que cercou o reencontro de expectativas. Em março, grupos de torcedores chegaram a realizar até mesmo eventos de caridade entre os dois clubes, para ajudar moradores de rua. E não é incomum ver as torcidas se juntarem para apoiar um só time em partidas mais importantes.

Em contrapartida, o problema é que os torcedores mais violentos também unem forças para enfrentar os visitantes de Tannadice Street. Os dois clubes contam com um só grupo de hooligans: o Dundee Utility, que passou a atuar nas partidas contra os rivais de Glasgow, Edimburgo e Aberdeen. Os duelos entre Dundee United e Aberdeen, aliás, também são dérbis: a chamada New Firm, por causa da proximidade da cidade e pela forma como a dupla passou a ofuscar Celtic e Rangers na década de 1980. E, em Dundee, unir as torcidas pequenas foi o jeito encontrado para que os ultras enfrentassem outras facções.

Apesar da ligação com os clubes, a Dundee Utility é monitorada como organização criminosa pela polícia local. O grupo está envolvido com tráfico de drogas e a criminalidade nas ruas da cidade. A consequência ruim de uma rivalidade tão particular. E a história do dérbi continuará sendo escrita em 2014/15, após o acesso do Dundee na segunda divisão. Que seja apenas com a amizade em Tannadice Street, e não com a violência a quem for visitá-la.