O ano do Cerro Porteño já seria memorável, independentemente do que acontecesse dentro de campo. Afinal, em agosto, o Ciclón teve o prazer de reinaugurar a Olla Azulgrana, a sua casa, remodelada com a ajuda dos próprios torcedores. E esta nova etapa do estádio não poderia ser mais festiva. Neste domingo, os azulgranas comemoraram o primeiro título na Nova Olla. O Cerro derrotou o Sol de America por 3 a 2, de virada, e conquistou o Torneio Clausura do Campeonato Paraguaio. É o 32° título nacional do clube, que não erguia a taça desde o Apertura de 2015. Mais de 44 mil fanáticos celebraram o feito nas arquibancadas.

O Cerro Porteño chegou à última rodada dependendo apenas de si para faturar o certame. O rival Olimpia seguia na perseguição, três pontos atrás, e até fez a sua parte contra o Deportivo Capiatá. No entanto, o Ciclón só precisava de um empate e tratou de derrotar o Sol de America. Os visitantes estiveram em vantagem por duas vezes na Nova Olla. Contudo, os azulgranas buscaram o prejuízo liderados por Diego Churrín, atacante que tem sido um dos protagonistas da equipe. O argentino balançou as redes duas vezes, enquanto Jorge Rojas fez outro. Permitiram que o êxtase tomasse a multidão nas tribunas.

Dono do melhor ataque do campeonato, o Cerro Porteño não começou tão bem a campanha, com apenas uma vitória nas primeiras cinco rodadas. A reviravolta teve início a partir de setembro, especialmente depois da goleada por 4 a 0 sobre o Guaraní – que atenuou a eliminação para o Junior de Barranquilla na Copa Sul-Americana, dias antes. Desde então, o Ciclón passou a imprimir um ritmo forte, se desgarrando dos concorrentes.

No banco de reservas, o responsável por comandar a equipe foi Leonel Álvarez, lenda do futebol colombiano. O ex-volante já havia sido campeão em seu país duas vezes, à frente do Independiente Medellín, e agora se consagra no Paraguai. Chegou a Assunção durante o mês de junho, logo mudando a sorte dos azulgranas, por mais que também tenha enfrentado momentos de pressão.

Já em campo, o Cerro mesclou vários medalhões com jogadores buscando seu espaço no futebol. A lista de figurinhas carimbadas é imensa, e inclui Nelson Haedo Valdez, José Ortigoza, Rodrigo Rojas, Victor Cáceres, Marcos Cáceres, Mauricio Victorino, Álvaro Pereira e Antony Silva. Ainda assim, há outros bons valores. Diego Churrín, Óscar Ruiz e Jorge Rojas não são tão jovens, mas foram fundamentais ao longo da campanha. Já entre os novos talentos, vale mencionar o atacante Alfio Oviedo e o meio-campista Josué Colmán, de 21 e 19 anos, nomes constantes nas escalações de Leonel Álvarez.

Ausente na última edição da Copa Libertadores, o Cerro Porteño retorna para disputar a fase de grupos. É um time sedento pelo sucesso continental, embora não tenha impressionado em sua última aparição na Copa Sul-Americana. O amadurecimento dos meses recentes, entretanto, será importante para a sequência do trabalho de Leonel Álvarez nos azulgranas. Além disso, há um caldeirão que pode fazer a diferença no torneio. A Nova Olla promete uma estreia vibrante na principal competição da América do Sul.