Britain Soccer Premier League

Diante do enorme desafio contra o City, o Chelsea beirou a perfeição

Não era bem uma decisão, mas o jogo no Estádio Etihad significava bastante na disputa pelo título da Premier League. Manchester City e Chelsea, ao lado do Arsenal, são os times mais credenciados a manter o ritmo forte até as rodadas finais. Os adversários desta segunda, ainda mais, levando em conta a qualidade de seus elencos. E, se o ímpeto for fator decisivo, os Blues podem se sentir mais confiantes. A equipe de José Mourinho protagonizou uma exibição perfeita para vencer os Citizens por 1 a 0, um feito e tanto dentro da casa dos rivais.

Foi a grande atuação do time de José Mourinho na temporada. Se ainda havia desconfiança sobre o que o Chelsea seria capaz de fazer, diante de tantas atuações não mais que razoáveis, a resposta veio em alto nível. Velocidade, segurança e fluidez tornaram os Blues donos do jogo em Manchester. O City até ficou com mais posse de bola e finalizou mais do que os visitantes, mas esteve longe de apresentar a mesma voracidade. O placar magro foi até pouco por tudo o que os londrinos produziram, com três bolas na trave, além do gol de Branislav Ivanovic.

O Chelsea fez funcionar à perfeição duas características fortes dos trabalhos de Mourinho: os contra-ataques fulminantes e o encaixe da defesa. Liderado por Eden Hazard e Willian, o setor ofensivo contava com a passividade do City para encontrar várias brechas e incomodar Joe Hart. Já atrás, o melhor ataque da Premier League não teve muitas chances para finalizar à vontade e, quando fez, parou nas ótimas defesas de Petr Cech. Peça-chave nesse equilíbrio, quem também se destacou foi o recém-chegado Nemanja Matic, que quase marcou um golaço de fora da área, carimbando o poste.

Do outro lado, o Manchester City sentia seus desfalques. Demichelis não comprometeu, mas esteve longe de dar a mesma dinâmica de Fernandinho ao meio-campo. Já no ataque, Edin Dzeko e Álvaro Negredo apareciam isolados demais, sem repetir a movimentação característica de Sergio Agüero. Yaya Touré e David Silva demonstraram vontade, mas seus esforços eram insuficientes diante da perfeição nos movimentos do Chelsea atrás.

Como um todo, o City esteve muito aquém de suas últimas partidas, quando acumulava oito vitórias seguidas. O ataque envolvente montado por Manuel Pellegrini não deu as caras, sufocado pela forma como o Chelsea ocupava os espaços em seu campo. Pior, o time lembrou muitas vezes os tempos de Roberto Mancini, quando o jogo coletivo era inútil e o único recurso era partir para o abafa, na esperança de conseguir um lampejo individual que garantisse o empate. David Silva e Stevan Jovetic até tentaram, mas não passaram por Cech.

A 24ª rodada da Premier League se encerra com o Arsenal na liderança, dois pontos à frente de Chelsea e City, que ficam empatados na tabela. Obviamente, a partida desta segunda está longe de definir qualquer coisa, com mais 14 rodadas para se disputar. Considerando o ímpeto que demonstra contra os médios e pequenos, o Manchester City pode até deslanchar em algum momento, como fazia nas últimas rodadas. Entretanto, o Chelsea demonstrou um poder de decisão enorme, ao encarar o Etihad e anular o melhor ataque do torneio. Uma grande virtude, que costuma garantir pontos imprescindíveis, assim como coroar campeões.

Formações iniciais

City x Chelsea

Destaque do jogo

Eden Hazard. O meia foi decisivo para ótima exibição ofensiva do Chelsea. Os contra-ataques de sua equipe seguiam no ritmo das arrancadas do belga, que fazia da ponta esquerda do campo a sua avenida. O camisa 17 criou a jogada do gol da vitória em uma transição para a entrada da área e quase deu o segundo de presente para Eto’o, que carimbou a trave.

Momento chave

O controle defensivo do Chelsea durante os minutos finais. Mais cansada, a equipe de José Mourinho passou a se postar no campo defensivo. E lidou bem com o desespero e com a pressão do Manchester City. Os Citizens tentavam explorar as jogadas pelas pontas, mas os Blues eram soberanos nos bloqueios e no jogo aéreo. As melhores chances pararam em duas grandes defesas de Cech, espalmando os chutes de David Silva e Jovetic.

Os gols

32’/1T – GOL DO CHELSEA! Boa trama do ataque dos Blues, que é assistida de maneira passiva pela defesa do City. Ramires chuta prensado e, na sobra, Ivanovic solta a bomba de canhota, da entrada da área. A bola morre no canto, sem chances para Joe Hart.

Curiosidade

O Manchester City não passava em branco em um jogo no Estádio Etihad pela Premier League desde novembro de 2010, no empate por 0 a 0 com o Birmingham – David Silva, Tevez e Adam Johnson compunham o trio ofensivo na ocasião. Nesta segunda, apenas três finalizações do City foram na direção do gol de Cech, tanto quanto as bolas na trave que o Chelsea acertou.

Ficha técnica

MANCHESTER CITY 0×1 CHELSEA

Manchester City_escudo Manchester City
Joe Hart, Pablo Zabaleta, Vincent Kompany, Matija Nastasic e Aleksandar Kolarov; Jesús Navas, Martín Demichelis, Yaya Touré e David Silva; Álvaro Negredo (Stevan Jovetic, 11’/2T) e Edin Dzeko. Técnico: Manuel Pellegrini.
Chelsea Chelsea
Petr Cech, Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry e César Azpilicueta; David Luiz e Nemanja Matic; Ramires, Willian (Obi Mikel, 46’/2T) e Eden Hazard (Demba Ba, 48’/2T); Samuel Eto’o (Oscar, 38’/2T). Técnico: José Mourinho.
Local: Estádio Etihad, em Manchester.
Árbitro: Mike Dean (ING)
Gols: Branislav Ivanovic, 32′/1T
Cartões amarelos: Demichelis, Kolarov e Nastasic (Manchester City); Ivanovic e Matic (Chelsea)
Cartões vermelhos: Nenhum