Com metade da temporada europeia já disputada, é possível fazer avaliações e apontar com certa precisão alguns erros e acertos nos planejamentos da equipes. Muitos contratados encaixaram-se muito bem em seus novos clubes, como Mario Götze no Bayern de Munique, Neymar no Barcelona e Fernandinho no Manchester City. Nenhum time, no entanto, teve tanto sucesso com uma dupla recém-chegada quanto o Borussia Mönchengladbach teve com Raffael e Max Kruse.

O brasileiro deixou o Dynamo Kiev para acertar com a equipe alemã, enquanto Kruse já pertencia a uma equipe da Alemanha, o Freiburg, e apenas trocou de cidade. O alemão não chegou a brilhar com seu antigo time na temporada passada, mas teve números muito bons: foram 11 gols e oito assistências. Certamente, ao trazer Kruse, o Mönchengladbach, na melhor das expectativas, esperava que o atleta repetisse no Borussia Park o que havia feito anteriormente. No entanto, seu desempenho até esta metade do Campeonato Alemão tem mostrado que o jogador tinha ainda mais o que oferecer. Em 17 jogos na Bundesliga, já balançou a rede oito vezes, além de servir seus companheiros em cinco oportunidades para que marcassem.

Raffael, por outro lado, tem surpreendido ainda mais. Jogou metade da temporada passada pelo Dynamo Kiev, marcando um gol e dando duas assistências em nove jogos. A outra metade, passou defendendo, por empréstimo, o Schalke 04, o que certamente ajudou na rápida adaptação ao futebol alemão. Pelo time de Gelsenkirchen, anotou apenas dois gols em 16 partidas, mas mostrou que tinha certo jeito para criar chances de gols, dando cinco assistências. Agora, no Borussia Mönchengladbach, tem provado que pode dar conta de balançar as redes também e já são nove gols em 17 jogos, sem deixar de lado também sua faceta de garçom, contabilizando quatro assistências.

O resultado dessa parceria de ataque tão efetiva é que o Mönchengladbach é hoje, ao lado do Bayer Leverkusen, uma das surpresas agradáveis da Bundesliga na temporada. Ocupa a terceira colocação da competição, com 33 pontos, atrás apenas do incontestável Bayern de Munique e do próprio Leverkusen, primeiro e segundo colocados, respectivamente.

Ninguém esperava que a equipe pudesse, após metade do campeonato, estar à frente do outro Borussia, o Dortmund. Mas é o que acontece agora, e muito disso deve-se à forma como Raffael e Kruse encararam o desafio no novo clube e têm chamado a responsabilidade. É óbvio que apenas dois jogadores não são suficientes para se ter uma boa campanha, e Juan Arango e Christoph Kramer, por exemplo, também têm sido importantes, mas nada perto do que tem feito a dupla de ataque. Portanto, se algum time europeu precisar de conselhos para aproveitar da melhor maneira possível a janela de transferências de inverno, que perguntem ao Mönchengladbach. Afinal, obter resultados a curto prazo com contratações é com eles mesmo.