O Atlético de Madrid vem tendo um desempenho espetacular em La Liga até o momento. A equipe de Diego Simeone foi apenas a quarta na história a fechar o primeiro turno com pelo menos 50 pontos. Motivos suficientes para não tirar os colchoneros do páreo. Mas também para se desconfiar um pouco. O Atleti conseguirá manter um ritmo tão forte até o final da temporada, acompanhar Barcelona e Real Madrid, lidar com as chances de título em três competições ao mesmo tempo? O elenco à disposição dos rojiblancos é o mais enxuto entre os três concorrentes. No entanto, justo no último dia de mercado, o clube deu um passo importante para reverter isso, fechando o retorno de Diego.

O meia chega por empréstimo até o final da temporada, mas com caminho aberto para fechar em definitivo com o Atlético, já que seu contrato com o Wolfsburg se encerra em junho. Como vantagem, não deve ter nenhum problema de adaptação no Vicente Calderón, voltando a trabalhar com Simeone apenas um ano e meio depois de sua primeira passagem pelo clube – quando teve papel central na conquista da Liga Europa 2011/12. E, mais importante, o brasileiro garante profundidade ao elenco e opções táticas para aguentar a maratona final.

Embora Simeone prefira o 4-4-2 como formação básica do Atleti, Diego pode ajudar a mudar o jeito de jogar do time. Em 2011/12, o meia atuou quase sempre centralizado na armação no 4-2-3-1. Tem a capacidade de adicionar um pouco mais de cadência a uma equipe de futebol bastante direto, baseado nas bolas longas e nos contra-ataques. Uma alternativa a Diego Costa e David Villa, que já tem acontecido com Raúl García, mas que, diferentemente do espanhol, garante mais qualidade no toque de bola.

Além disso, Diego também deve diminuir a sobrecarga em cima de Koke e de Arda Turan. Os dois meias estão entre os jogadores que menos tiveram descanso nesta temporada – o espanhol, inclusive, é quem soma o máximo de partidas até aqui, 33. Diego pode também ser deslocado para os lados no 4-4-2, como também aconteceu em sua primeira passagem. Não é tão eficiente na recomposição, mas serve de opção em jogos nos quais a defesa seja menos exigida.

E talvez o maior acerto do negócio do Atlético de Madrid: Diego volta ao time após uma ótima sequência no primeiro semestre da temporada – e, por isso mesmo, não queria voltar ao Brasil tão cedo, como especulavam. O Wolfsburg pode não estar bem na Bundesliga, mas o brasileiro foi o protagonista do time, com boa produtividade ofensiva – está entre os 11 primeiros nas estatísticas de chutes por jogo e passes para finalização por jogo. Nos Lobos, porém, essa vontade não se converteu em tantos pontos na tabela. Algo que pode se transformar no Atleti e, justamente, ser um diferencial nesta reta final de temporada.