Nenhum time desta Libertadores joga de maneira tão ofensiva quanto o Atlético Nacional. Outros concorrentes, vivos ou não na copa, até podem contar com homens de frente mais talentosos. Mas há um impulso quase que natural dos verdolagas para jogar de peito aberto. Foi assim em todos os jogos, em Medellín ou longe de lá. Ótimo para quem não é torcedor dos colombianos, mas, ao que parece, também satisfatório aos próprios verdolagas. Contra Newell’s e Atlético Mineiro, deu certo. Contra Grêmio e Defensor, não. Talvez seja irreversível, depois da derrota por 2 a 0 para os uruguaios em pleno Estádio Atanásio Girardot.

Não dá para dizer que o Atlético Nacional não buscou a vitória. Buscou até demais. A equipe possui um ótimo toque de bola e uma linha ofensiva muito técnica, com Cárdenas, Cardona e Valencia. Tentam aproveitar isso ao máximo, seja qual for o adversário pela frente ou o seu estilo de jogo. O duelo desta quinta foi emblemático nesse aspecto. Bolas trabalhadas no campo de ataque, jogadas de linha de fundo, muitas finalizações. O problema foi passar pelo goleiro Campaña e, depois disso, conseguir desviar da trave. Contra o defensor, foram dois chutes que carimbaram o poste, quando o placar ainda estava zerado.

O ímpeto do Atlético Nacional impressiona. E também acaba sendo a sua perdição. Durante o primeiro tempo, quando o Defensor teve um pouco mais de espaço, pouco ameaçou a meta de Armani. Porém, os verdolagas voltaram para o segundo tempo determinados em arrancar a vitória. O Defensor não estacionou o ônibus em sua área por vontade própria, mas pela pura pressão sufocante dos colombianos. Que, do outro lado, deixavam a defesa, que não é das mais confiáveis, ainda mais exposta. O caminho da vitória para os violetas, estragando a belíssima festa alviverde nas arquibancadas, que contou até com versões de músicas de Gonzaguinha e de Roberto Carlos.

Outra vez, Nicolás Olivera entrou em campo e mudou o jogo. O melhor jogador do Mundial Sub-20 de 1997 nunca cumpriu as expectativas que criou na Malásia. Mas parece ter vontade para honrar aquelas antigas apostas somente agora, às vésperas de completar 36 anos. Puxou o contra-ataque que terminou em cruzamento para Pais, em gol. E, mesmo depois de escorregar na área, com o gol aberto, anotou o segundo, em um momento no qual o Nacional já estava escancarado. Parecido com o que aconteceu com o Atlético Mineiro na Colômbia. Tomou sufoco durante os 90 minutos, com Victor pegando tudo. Mas poderia muito bem ter vencido se aproveitasse as duas bolas vadias que apareceram antes do golaço de Cárdenas.

Não é do feitio do Defensor jogar fechado em Montevidéu, para segurar o resultado. E muito menos do Atlético Nacional mudar sua postura apenas para evitar um prejuízo ainda maior. Os verdolagas não terão Cardona, que é tão descabeçado quanto promissor e foi expulso de maneira imbecil. Mas a qualidade e, principalmente, o ímpeto ofensivo continuará lá. Os 2 a 0 no jogo de ida deixaram os violetas muito próximos das semifinais. Só não dá para dizer que está resolvido. Em uma Libertadores tão imprevisível, o Atlético Nacional vai querer jogo. Ótimo confronto para se assistir, especialmente para quem não torce para nenhum dos dois lados.