O Campeonato Brasileiro é uma maratona de jogos, de calendário e de problemas que os campeões precisam passar no caminho da taça. Uma das maiores dificuldades é que os clubes mantenham seus treinadores. O futebol brasileiro é um moedor de jogadores, com seu calendário extenso e mal feito, e também de técnicos, que precisam treinar o time em meio a viagens longas e poucos dias de treinos. Normalmente o time campeão é um dos poucos que não trocou de técnico ao longo da disputa. A pergunta que fica é aquele dilema Tostines: o time é campeão porque mantém o técnico ou mantém o técnico porque o time está no caminho de ser campeão?

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Desde 2009, o time que é campeão manteve o mesmo técnico da primeira à última rodada. Naquele ano, o Flamengo ganhou o Campeonato Brasileiro com Andrade no banco de reservas, depois da demissão de Cuca no meio do caminho. Mas esse foi mesmo um dos poucos casos em que isso aconteceu. Antes do Flamengo, só um time foi campeão mesmo mudando de técnico: o Corinthians de 2005, que demitiu Daniel Passarella e, depois de alguns jogos com Marcio Bittencourt, contratou o veterano Antônio Lopes para dirigir a esquadra coritiana rumo ao quarto título do Brasileirão.

Em 15 edições do Campeonato Brasileiro no sistema de disputa de pontos corridos, 13 o time campeão não trocou de técnico. É um dado relevante, sem dúvidas, mas volta a pergunta: a continuidade do treinador se dá porque o time está bem, ou o time está bem porque há a continuidade do trabalho do técnico?

Entre os 13 casos de técnicos que começaram e terminaram o Campeonato Brasileiro e levantaram as taças, as histórias são bem diferentes.  É bastante claro que o trabalho mantido ajuda, porque trocar o rumo em meio à disputa, por mais problemas que haja, tem malefícios que podem fazer falta em disputas acirradas, como, normalmente, são no Brasil. Só que para ser campeão, dificilmente um time vem do meio da tabela em uma arrancada heroica. Só aconteceu isso em 2009, justamente um dos raros campeões que trocou de técnico ao longo da campanha.

Estar entre os primeiros colocados, ao menos brigando pelas quatro primeiras posições, costuma ser suficiente para manter o treinador no cargo. Alguns não se contentam com isso e trocam mesmo assim. Como se vê, dificilmente vai além de ficar com vaga na Libertadores. Demitir treinador pode até salvar em alguns momentos para times que briga contra o rebaixamento. Brigar pela taça, no Brasil, normalmente é para times que mantém a linha de trabalho. Mesmo quando ela é duvidosa – e alguns desses campeões até sofreram nesse sentido.

Não há uma resposta para a pergunta do título desse texto, mas tudo indica que manter o técnico ajuda a ter melhores resultados.

Times campeões e trocas de técnico

2003 – Cruzeiro (Luxemburgo): não trocou

2004 – Santos (Luxemburgo): não trocou

2005 – Corinthians (Antônio Lopes): trocou

2006 – São Paulo (Muricy Ramalho): não trocou

2007 – São Paulo (Muricy Ramalho): não trocou

2008 – São Paulo (Muricy Ramalho): não trocou

2009 – Flamengo (Andrade): trocou

2010 – Fluminense (Muricy Ramalho): não trocou

2011 – Corinthians (Tite): não trocou

2012 – Fluminense (Abel Braga): não trocou

2013 – Cruzeiro (Marcelo Oliveira): não trocou

2014 – Cruzeiro (Marcelo Oliveira): não trocou

2015 – Corinthians (Tite): não trocou

2016 – Palmeiras (Cuca): não trocou

2017 – Corinthians (Fabio Carille): não trocou