China, Japão e Oriente Médio são os países mais conhecidos quando se fala em futebol de clubes da Ásia. Muitos jogadores embarcam rumo ao Oriente de olho nas possibilidades dadas pelo dinheiro desses países. No caso de Diogo, o país é bem menos conhecido. Revelado pela Portuguesa, ele passou pelo Flamengo e Palmeiras e decidiu aceitar uma proposta para jogar no Buriram, da Tailândia.

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Sua primeira experiência fora do país foi na Grécia, jogando pelo Olympiacos. Voltou ao Brasil para jogar pelo Flamengo, Santos e ainda voltaria para mais um ano na Grécia. Voltou para a Portuguesa, jogou no Palmeiras e, no final de 2014, decidiu mudar para a Ásia.

Em três anos de Buriram United, Diogo já acumula grandes números. São 105 jogos e 90 gols marcados, média de 0,86 gol por partida. Em 2017, foram 34 jogos e 30 gols, além de 13 assistências. Contando só os jogos da liga, foram 26 gols marcados em 26 jogos. Ele ajudou o time a conquistar o título tailandês na temporada, conquistado antecipadamente em 8 de novembro. Foi o segundo título tailandês em três anos, depois de conquistar também em 2015, além da Copa da Tailândia e Copa da Liga Tailandês, também em 2015.

A Trivela conversou com o atacante de 30 anos, que contou um pouco sobre jogar no país.

Trivela: Depois de atuar por grandes clubes do Brasil, o que o fez aceitar jogar na Tailândia?

Diogo: A primeira coisa que me fez aceitar a proposta da Tailândia, não tem como negar, foi a questão financeira. Assim que o meu contrato com o Palmeiras se encerrou, em dezembro de 2014, eu comecei a receber algumas sondagens e propostas, de clubes do Brasil e do exterior. A do Buriram era uma delas. Sentei com meu empresário, conversei com a minha família, e optamos por aceitar o desafio de jogar na Tailândia. É claro que a proposta financeira foi boa, isso pesou muito, mas eu também fiquei impressionado com a estrutura que encontrei no Buriram.

Qual foi o principal impacto que você sentiu no futebol daí? O que é diferente do futebol brasileiro?

Há diferenças, sem dúvida. O jogador asiático, em geral, corre muito e, por isso, as partidas são mais corridas do que no Brasil. Nos jogos aqui não há aquela pausa para segurar o jogo em determinadas situações, e creio que, justamente por isso, no Brasil a parte tática é mais organizada que aqui. Além disso, é claro que a qualidade técnica dos jogadores ainda é inferior, embora estejam surgindo bons jogadores tailandeses e o número de estrangeiros esteja aumentando a cada ano. Apesar dessas diferenças, na minha opinião o campeonato é competitivo, bem organizado e alguns times, como o Buriram, tem ótima estrutura.

Diogo, do Buriram United (Foto: divulgação)

Em relação aos treinos, quais as diferenças?

Em relação aos treinamentos, como hoje o mundo é muito globalizado, as atividades aqui são muito parecidas com as aplicadas no Brasil e também em outros centros. É claro que cada treinador tem o seu estilo e aqui no Buriram, ultimamente, nossos treinos têm sido parecidos com os de times europeus, pois nosso treinador é sérvio (Bozidar Bandović).

Em calendário, dá para dizer que é mais tranquilo que no Brasil?

Nosso calendário aqui é um pouco puxado, temos muitas competições. No próximo ano, por exemplo, disputaremos o Campeonato Tailandês (34 rodadas), a Liga dos Campeões da Ásia, a Copa da Tailândia, a Copa da Liga Tailandesa, a Supercopa da Tailândia, e outros torneios menores de pré e intertemporada. Ainda assim, pelo fato de não ter estaduais, o calendário acaba sendo um pouco menor que o do Brasil.

Qual a relação com a torcida?

A torcida é impressionante. Eles são muito carinhosos conosco e são bem fanáticos. O que acho bem interessante é que, diferentemente de outros lugares, principalmente, do Brasil, mesmo quando perdemos algum campeonato ou algum determinado jogo, eles seguem nos apoiando, ainda que estejam chateados. Isso fica claro até mesmo pelo fato de o nosso estádio estar quase sempre com bom público (a média de público do Buriram é de 22 mil torcedores por partida).

Você formou um ataque avassalador nesta temporada, formando uma dupla de brasileiros entre os artilheiros. Você fez 26 gols e Jajá fez 34. Uma dupla com outro brasileiro facilitou o trabalho de vocês?

Sem dúvidas foi um ano muito bom para mim e também para o Jajá. É claro que facilita, pois falamos a mesma língua dentro de campo, conversamos também nos treinamentos para ajustar as coisas. Acredito que este diálogo facilitado tenha sido fundamental para termos feito muitos gols e conquistado o título do Campeonato Tailandês.

Diogo (esq.) e Jajá (dir.) foram destaques do Buriram United (Foto: divulgação)

Como você colocaria a liga da Tailândia em relação às grandes potências da Ásia, como Japão, China e Coréia do Sul?

A Tailândia tem investido bastante no futebol há alguns anos. É lógico que o Japão e a Coreia do Sul estão investindo há muito mais tempo, e, recentemente, a China pelo poderio financeiro tem levado grandes jogadores do mundo todo para lá, mas aqui a competitividade e os reflexos dos investimentos já são perceptíveis também. O futebol tailandês está crescendo a cada ano e nos torneios asiáticos nós já enfrentamos de igual para igual as equipes do Japão e da China, que são mais conhecidas. Os clubes também estão contratando muitos estrangeiros e isso tem ajudado a aumentar o nível. Por fim, os próprios atletas tailandeses também estão apresentando um futebol cada vez melhor, devido à influência dos estrangeiros.

Qual é a melhor coisa de jogar na Tailândia?

A melhor coisa de jogar na Tailândia, sem dúvida nenhuma, é o povo. Eles são muito alegres, carinhosos, receptivos. Eu gosto de bater nesta tecla, pois é algo impressionante mesmo. Eles têm uma hospitalidade e um calor humano que deixam qualquer um tranquilo para viver aqui. Por isso, eu me adaptei muito rápido quando cheguei, pois isso foi fundamental para eu me sentir bem acolhido. Para você ter uma ideia, até mesmo o idioma tailandês, que é um pouco complicado, a gente acaba se virando. Como eu falei, o povo tailandês é tão legal que essa questão da língua não acaba sendo problema.

Diogo dá autógrafos a torcedores tailandeses (Foto: divulgação)