O ex-presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, foi incluído em um processo civil nos Estados Unidos movido pela GolTV. A empresa americana acusa executivos da confederação sul-americana de receberem propina na venda de direitos de TV das competições do continente para privilegiarem a Fox Sports Latin America. Segundo as acusações, a caixa preta dos direitos de TV dos torneios sul-americanos acontecia por propina – algo que passa longe de ser surpreendente.

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O processo é uma consequência direta do Fifagate. Em maio de 2015, o FBI, a pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, fez diversas prisões em Zurique de dirigentes envolvidos em escândalos de corrupção. Três ex-presidentes da Conmebol foram presos com acusações de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e conspiração, com pagamento de propinas. Eugenio Figueredo, Nicolás Leoz e Juan Ángel Napout acabaram detidos, além de diversos outros dirigentes e executivos de empresas de marketing.

A GolTV e a Global Sports Partners LLP – com quem a Conmebol rompeu contrato após o Fifagate – dizem ser vítimas de um esquema de suborno, como mostrado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em uma acusação de corrupção para favorecimento envolvendo dirigentes e executivos de empresas de marketing.

Segundo o processo, que é civil, entre 2000 e 2015 diretores da Conmebol aceitaram milhões de dólares em propinas de uma empresa fantasma baseada nas Ilhas Cayman chamada T&T Sports Marketing Ltd., que é 75% da Fox Sports Latin America, em troca da exclusividade dos direitos de TV para os torneios da confederação. O grupo Fox, porém, nega qualquer ilegalidade e refuta inclusive a informação sobre o controle da T&T.

O processo foi aberto em outubro de 2016 e alega que unidades da Fox e seus executivos, incluindo Carlos Martinez, o atual presidente do grupo Fox Sports Latin America, participaram dos pagamentos de propina da T&T para diretores da Conmebol, visando garantir que a empresa iria ter os direitos de transmissão dos torneios. Por isso, a acusação alega extorsão e conspiração civil.

A GolTV ainda afirma no processo que ofereceu uma proposta substancialmente maior para a Conmebol pelos direitos de televisão do que a oferecida pela T&T em diversas situações, e os diretores repetidamente recusaram. A Fox, dona do canal Fox Sports, detentor exclusivo da Libertadores e Sul-Americana em toda América Latina, refutou as alegações. Descreveu como “uma alegação totalmente sem mérito” e que “A Foz não tem nenhum controle operacional sobre qualquer das entidades nomeadas no indiciamento da Fifa, e nenhum empregado da Fox foi implicado”. A emissora foi além e afirmou que “o processo irá fracassar, assim como tentativas anteriores da GolTV fracassaram”.

Vale lembrar que em novembro de 2015, meses após o escândalo, a Conmebol rompeu o contrato com a T&T, se dizendo lesada pela empresa, e assinou um contrato de exclusividade com a Fox para suas competições de clubes, Libertadores e Sul-Americana, de 2016 a 2018. A Conmebol afirmou que haverá uma licitação pública e aberta para os direitos do próximo ciclo, a partir de 2019.

No Brasil, a Globo chegou a abrir processo contra a Fox no começo de 2016, mas entrou em acordo com a emissora para manter os direitos de transmissão em agosto do mesmo ano e retirou o processo. É esperado, porém, que a Globo entre na concorrência pelos direitos em 2019, inclusive com o seu canal fechado, SporTV. Por isso, é esperado também que os direitos de TV aumentem substancialmente no próximo contrato.

A própria Conembol abriu um processo contra a International Soccer Marketing, empresa baseada nos Estados Unidos e que tinha ligação com a Torneos y Competências. Ambas foram implicadas no Fifagate e estão nomeadas no processo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A Conmebol pede uma indenização de 18 milhões de dólares pelo escândalo de corrupção. A direção atual da Conmebol, sob o comando do presidente Alejandro Domínguez, alega que a entidade foi vítima de dirigentes corruptos e por isso busca o ressarcimento.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu a paralisação do processo civil movido pela GolTV, porque há um processo criminal contra os mesmos dirigentes em andamento. Os advogados de Napout, envolvido em ambos, pediram ao tribunal da Flórida que não permita a intervenção do Departamento de Justiça americano. A alegação dos advogados é que a paralisação, caso o DOJ intervenha, prejudicaria a habilidade de Napout se defender.

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