Por Leandro Paulo Bernardo, 31 anos, cirurgião-dentista, torcedor coral que se arrepende de não ter visto o Grande Torino dos anos 40, e o fato de só ter nascido depois não serve de desculpa

“Continue existindo que eu seguirei vivendo, e no dia que morreres subirei aos céus só para continuar lhe vendo…” Cada vez mais o lema da torcida da Académica de Coimbra há de servir para muitos clubes no mundo, especialmente para um certo touro. Sem títulos recentes, sem dinheiro ou grandes noticias, mas com uma paixão sem limites.

Uma paixão que foi atendida nesses últimos tempos, fato raro. Após 21 anos, o grande Torino voltou a ser mencionado de forma positiva, tendo um jogador como destaque do Campeonato Italiano: o artilheiro. Mesmo que esse tenha passagens e parte dos direitos federativos ligados à odiada Juventus, o feito de Ciro Immobile rejuvenesce um pouco a alma dos corações granatas e relembra também a marca de gols esquecidos no Torino.

Os últimos goleadores coincidem com a época em que o Torino ainda disputava títulos constantemente.  O clube foi tri nesse quesito, com os 18 e 21 gols de Paolino Pulici (maior artilheiro do clube nas temporadas 1974/75 e 1975/76, seguido pelos 21 gols de Francesco Graziani na temporada 1976/77. Antes deles, a galeria de artilheiros tinha monstros como Valentino Mazzola, Eusebio Castigliano, Gino Rosetti e o primeiro artilheiro do calcio com registros anotados, o austríaco Heinrich Schönfeld.

Desde então, o Torino só disputou o título italiano uma vez, em 1984/85. A equipe de Júnior, Schachner, Serena e Kieft não conseguiu superar o Verona de Briegel, Fanna, Galderisi  e Elkjaer. No começo da década de 1990, o time de Casagrande, Scifo, Martín Vázquez, Lentini e Marchegiani teve o último título (a Copa da Itália de 1992/93) e ficou a uma bola na trave nos minutos finais de tirar a Copa da Uefa do Ajax de Bergkamp, Blind e Frank de Boer.

Neste ano as coisas mudaram um pouco para melhor, com algumas contratações inteligentes do presidente Urbano Cairo e com capacidade do técnico Giampiero Ventura de consolidar um grupo, colocaram o Torino longe da parte baixa da tabela (que infelizmente estava tornando-se comum), mas com chances de lutar por um lugar na Liga Europa até a última rodada.

A vaga não veio, mas essa recuperação não ficará apagada. O posto de artilheiro de Immobile fica como marca dessa campanha, marca de um Torino que pretende se recolocar entre os grandes da Itália. Tudo bem, superar a rival Juventus parece fora de alcance, mas Roma, Napoli e Fiorentina talvez voltem a ter a companhia de um coração grená com pulsação renovada.